COMENTÁRIO SOBRE O TEXTO " SOLDADO DESCONHECIDO".

Cessa Lacerda (Foto)
Prezado radialista, UBIRATAN LUSTOSA!
Deparando-me com este ilustrado e meritório texto de homenagem aquele soldado desconhecido, extensiva a todos aqueles que ao longo dos tempos tombaram nos campos de batalha, demonstrando a sua bravura, o seu heroísmo, entregando suas vidas por uma causa muitas vezes inglória. Gostaria de aproveitar o ensejo para externar o meu sentimento de admiração àqueles que deixaram a sua história em louvor do nosso país. Sempre mantive duas referências de admiração no meu país: Os índios, nossos primeiros habitantes e os soldados que lutaram pela sua glória. Neste dia 28 de novembro, consagrado ao Soldado Desconhecido, quero dar as mãos a você, fazendo jus a minha homenagem com a exposição de uma bela poesia, que declamei quando criança e jovem em eventos cívicos comemorados nas minhas escolas. Grande expressão poética do emérito paraibano, JANSEN FILHO, em referência a um dos nossos PRACINHAS, cujo título ressoa fortemente uma ovação.
Tiro de Guerra 07 - Pombal PB. (Foto)
A UM EXPEDICIONÁRIO QUE TOMBOU.
Foste o mais o mais forte dos heróis do mundo/ Naquele drama de infeliz sofrer/ Quando tombaste pela liberdade / Da pátria amiga que te viu nascer!/ De olhos voltados para o azul celeste, / Rolaste altivo sobre o teu fuzi! / E assim cumpriste o teu dever sagrado / Buscando a glória para o teu Brasil! No mar de fogo da fadada Europa / Onde o nazismo soçobrou exangue, / Longe dos vultos dos teus pais queridos,/ Tu mergulhaste num caudal de sangue! / Porém ficou no coração da Pátria / Teu nome escrito _ LUTADOR VIRIL! Como uma prova do teu gesto audaz / Buscando a glória para o teu Brasil! / No horrendo campo de concentração / Em horas tristes, desesperadoras, / Eu sei que ouviste repetidas vezes / As gargalhadas das metralhadoras!... / Eram algozes de outra terra estranha, / Os portadores de um despeito vil, / Que procuram destruir-te a vida / Trazendo luto para o teu Brasil! / E na vanguarda trabalhando sempre / À beira horrível de profundo abismo / Foste um dos homens que despedaçaram / A sombra negra do nazi-fascismo! / Depois tombaste!... Mas os teus irmãos, / No altar da Pátria _ teu solar gentil! / Jura por tudo que jamais te esquecem / Porque morreste pelo teu Brasil! / Nos entrechoques desesperadores / Da luta em prol desta querida terra, / Teu barco altivo mergulhou nas ondas / Do mar de sangue que morreu na guerra! / Mas este gesto de patriotismo / Te engrinaldando de venturas mil, / Foi mais um feito para a tua vida! / Mais uma glória para o teu Brasil! / Desde que viste na longínqua Itália / Desta existência se extinguir o brilho,/ Que a Pátria chora desmedidamente / Sentindo a perda do seu grande filho! / Mas, Deus que é justo e que se compadece / Dos que soluçam num pesar sutil, / Com lenços puros de fraternidade / Enxuga o pranto do teu lar_ Brasil! / Bendito aquele que morreu na luta / Livrando a Pátria da infeliz desgraça! / _ Quanta coragem! Quanta rebeldia! / Ninguém traduz essa altivez sem jaça! / Qual é o filho que deseja ver/ Seu lar transposto num revel covil? .../ _ Antes morrer como morreste, bravo! / Buscando a glória para o teu Brasil! / Teu nome vive tremulando sempre / No coração da fraternal Bandeira, / Só porque foste defensor das cores / Do Pavilhão da Pátria brasileira! / Quando morreste _ foi teu leito o céu! / Teu companheiro _ o singular fuzil! Foi a vitória _ teu fanal eterno! / E és hoje orgulho para o teu Brasil!
Cessa Lacerda Fernandes
Professora, poetisa e escritora pombalense.

CONVERSANDO COM UBIRATAN... UM AMIGO DO RÁDIO!

CLEMILDO BRUNET* .
Ubiratan Lustosa é radialista radicado em Curitiba no Paraná, seu aniversário é dia 04 de dezembro, quando este ano, estará completando com muito sucesso profissional, os seus bem sucedidos 80 anos de vida. Deus me deu a graça de conhecê-lo através da magia do rádio e da Internet. Em uma madrugada no início do mês de junho de 2007, quando selecionava no meu receptor de antena parabólica uma estação de rádio, parei em um canal que no momento transmitia músicas do passado. Ao término de três músicas, ouvi a voz do locutor que dizia os nomes das canções, dos compositores e cantores. Tratava-se do Programa “REVIVENDO” da Rádio Educativa do Paraná e o apresentador era e continua sendo até hoje, o meu estimado amigo Ubiratan Lustosa. Pois bem: A voz de Ubiratan no rádio é agradável fazendo jus ao programa que ele apresenta muito bem; declamando poesias, contando causos de radialistas da sua terra natal e narrando fatos de datas históricas. No final do “REVIVENDO” tem o quadro “Meu Fraternal Abraço” oportunidade em que ele escolhe um ouvinte para enviar seu fraternal abraço.
Após o Programa, acessei sua página na web encontrando o lugar onde estava escrito “entre em contato conosco” e assim o fiz. Meu primeiro Email foi vazado nestes termos:
Meu prezado Lustosa. Tenho ouvido o seu programa pela Rádio Educativa Paraná via satélite (Parabólica) aos sábados 4 da matina. Eu sou apaixonado por rádio desde a minha tenra idade e ingressei no mundo da comunicação aos doze anos em Serviços de Alto Falantes. Minha história no rádio parece um pouco com a sua, exceto em alguns atributos que você tem em outras atividades radiofônicas. Eu resido em Pombal Estado da Paraiba, cidade do interior localizada na região oeste do Estado, na depressão do Sertão paraibano. Terra de Celso Furtado, do Senador Rui Carneiro, esse último foi interventor na Paraiba e quando chefe de gabinete do Ministro José Américo, pediu a Joubert de Carvalho que escrevesse uma canção sobre a seca. E Ele fez a Canção Maringá em 1932 gravação original interpretada por Gastão Formenti, cuja melodia inspirou os trabalhadores na construção da cidade de Maringá no Paraná. acho que temos algo em comum. Você começou em 1951 e eu em 1961 dez anos depois.Visitei seu Site e já li algumas páginas, muito bem feito. Você está de parabéns! Eu estou aposentado por força de uma cardiopatia, sofri um enfarte em 1994 e sobrevivi. Sou neófito na Net, estou começando a me dedicar ao mundo virtual para matar saudades do passado e também escrever a minha trajetória no rádio. Para isso, estou tentando montar um blog e colocar meus arquivos lá, porém tenho tido dificuldade para assimilar a linguagem da informática, mas um dia eu vou aprender. Já comecei a dar os primeiro passos. Por favor, visite os meus humildes blogs: http://brunetcomunicacao.weblogger.com.br e o outro http://clemildo-brunet.blogspot.com/ é o começo. visite e deixe sua mensagem. Obrigado e um grande abraço. Clemildo.
A citação de dois blogs nesse email foi como eu disse: Por ser neófito na web, havia antes instalado um home Page com o titulo: POMBAL A CIDADE QUE AMO! Encontrando dificuldade para manusear com este, achei outro hospedeiro cujo manuseio seria mais fácil para um iniciante, instalei outro portal na Net que recebeu o título: CLEMILDO, COMUNICAÇÃO E RÁDIO! Fixando-se no seguinte endereço eletrônico: www.clemildo-brunet.blogspot.com
Respondendo ao meu Email Ubiratan Lustosa me disse:
Olá, Clemildo. Fiquei muito contente ao receber seu e-mail, e feliz por saber que você ouviu meu programa na Rádio Paraná Educativa. O "Revivendo" é transmitido também aos domingos, das 7 às 8 da manhã, na Educativa AM. Na audição de sábado e domingo próximos, registrarei o recebimento de sua mensagem no quadro "Meu Abraço Fraterno", no final do programa. Visitei os seus blogs, gostei muito, e adorei a detalhada explicação sobre a música "Maringá". Eu conhecia a origem, mas não com tanta profundidade. Como às vezes a gente coloca essa música, quando tiver oportunidade, vou enriquecer meu programa com essas informações que você escreveu e citarei a fonte, (seu nome e o endereço do blog). Amigo Clemildo (assim já o considero e espero que a recíproca ocorra), faço votos pela total recuperação da sua saúde. O fato de você estar escrevendo tão bem e se interessando pela Internet já é uma bênção de Deus que há de levá-lo a longos e proveitosos anos de existência. Vamos manter contato.
Com tanta espontaneidade e cordialidade, minha resposta não poderia ser de outra forma:
Meu Amigo Lustosa, aceito prazerosamente a sua amizade, conte com a minha. Com a sua permissão, a recíproca é verdadeira. Obrigado pela sua generosidade, estou feliz em você dizer que vamos manter contatos. Eu tenho MSN brunetcomunicador@hotmail.com estou também na rede de amigos do Orkut, se você tiver esses mecanismos que a Net nos proporciona, podemos falar ainda mais de perto. Obrigado pelas referencias feitas aos blogs e a citação que você vai fazer no seu Programa de sábado e domingo e a fonte do assunto sobre a Canção Maringá. Sinto no meu espírito, pelas suas palavras, que comungamos de um mesmo ideal e assim Deus Confirme entre nós. Mais uma vez, meu muito obrigado, amigo. Ficarei ainda mais atento em ouvir o seu programa. Um detalhe: a valsa instrumental "Rapaziada do Braz" que você usa, foi característica de um Programa meu, durante 07 anos de 1982 a 1989 na Rádio Maringá AM de Pombal. Chamava-se "CANTINHO DA SAUDADE". Temos algo em comum ou não temos? Abraço: Clemildo
O poder da comunicação quando é usado de modo correto nos proporciona oportunidades como esta de fazer amigos à distância. O mundo virtual, linguagem utilizada pela web com um Crick, nos faz chegar aos mais longínquos lugares onde não existe fronteira que nos separe. Em duas ocasiões distintas Ubiratan me enviou emails avisando que o quadro do seu Programa “Meu Abraço Fraternal” seria destinado a mim:
DOMINGO, 27 DE ABRIL DE 2008. Gravei quarta-feira o "Revivendo" do próximo domingo. No final, meu abraço é enviado a você. Passei aos ouvintes o endereço do seu blog. Tudo de bom pra você e um grande abraço. Ubiratan.
TÉCNICA – Separação musical
UBIRATAN – O meu abraço fraterno de hoje vai para o meu amigo Clemildo Brunet, consagrado radialista lá de Pombal, na Paraíba. O Clemildo é um veterano do Rádio e escreve muito sobre sua cidade pela qual é apaixonado. Ele tem um blog excelente do qual eu passo o endereço pra vocês: clemildo-brunet.blogspot.com. Façam uma visita. Tenho certeza que vocês vão gostar. E para o Clemildo Brunet, vai o meu fraternal abraço.
TÉCNICA – Separação rápida.
Amigo Clemildo, domingo passado, dia 26, no final do "Revivendo" enviei um abraço pra você, conforme está abaixo. Um grande abraço. Ubiratan.
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TÉCNICA – Separação musical
UBIRATAN – O meu abraço fraterno de hoje vai para meu amigo Clemildo Brunet, brilhante radialista de Pombal, linda cidade da Paraíba situada às margens do Rio Piancó. A nossa amizade começou e se mantém através da Internet em que nós trocamos mensagens. Clemildo Brunet escreve muito bem, é um pesquisador que batalha em defesa da memória da radiofonia pombalense e da história de sua cidade. Para o meu amigo Clemildo Brunet, que me honra com a sua audiência, vai o meu fraternal abraço. TÉCNICA – Separação rápida.
Amigo Clemildo: No "Revivendo" de domingo falo sobre a cidade de Maringá, sobre a música Maringá e, claro, menciono seu nome. Um grande abraço. Ubiratan
Uma das peculiaridades de meu amigo Ubiratan, é ter gostado de rádio desde criança ouvindo a Rádio Clube Paranaense na casa de seu tio Bépi (José Chiesorin), no Bacacheri. O receptor era um rádio Galena, tendo ele ficado encantado com aquele aparelho rudimentar no qual se ouvia as emissoras de rádio.
Rapazote ainda começou a falar em microfones no serviço de alto-falantes nas festas paroquiais da Igreja do Imaculado Coração de Maria, na Praça Ouvidor Pardinho. Ele dividia com seu irmão Clayton e o amigo Amary Stochero a primazia de anunciar as dedicatórias musicais dos rapazes dedicadas às mocinhas do lugar.
Certo dia o Sr. Alvaro Almeida, Presidente da Congregação Mariana, convidou-o para apresentar na Rádio Marumby o Programa “Ondas Marianas”. Sua locução agradou tanto, que foi convidado a atuar naquela emissora como locutor, em fase experimental. Estava encerrando o ano de 1948 e ele só foi contratado definitivamente em 1º de setembro de 1950. Ubiratan Lustosa também desde criança entrou em cena no mundo da dramaturgia participando com a gurizada de peça infantil e já adolescente criou arte técnica e dramática de sua imaginação fértil. Ele mesmo conta sua experiência nesta área.
"Valeu, e muito, a minha experiência nessa atividade artística. No meio teatral, não obstante as rivalidades naturais entre atores e conjuntos formam-se grandes amizades e aprende-se a trabalhar em equipe. Do bom desempenho de cada um depende o sucesso de todos. E cria-se uma grande união. “Por outro lado, ao escrever peças teatrais você dá espaço a sua criatividade, você aprende e ensina, enaltece e critica, e de alguma forma, através da fantasia você pode ajudar a criar uma nova realidade”.
Ubiratan foi capa da revista TV Programas (Foto)
“Advogado, Publicitário, Poeta, Teatrólogo, Radialista, Jornalista. Estes apenas alguns dos títulos que permitem uma idéia do valor de um homem por demais conhecido e respeitado em nossos meios de comunicação: UBIRATAN LUSTOSA. Sua rápida e brilhante passagem pela televisão resultou em mais uma vitória. Um homem que se mantém fiel a seus princípios, onde a humildade, o bom senso, a educação, têm lugar de destaque”. (http://www.ulustosa.com/AutorPage.htm)
“Senhor, ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio” Sl. 90:12.
Ubiratan e os Demonios da Garoa (Foto)
Parabéns Ubiratan, Feliz Aniversário!
*RADIALISTA.

SOLDADO DESCONHECIDO.

Monumento, Altare della Patria (Altar da Pátria), junto a Piazza Venezia em Roma, encontra-se o túmulo dedicado ao soldado desconhecido, o qual é defendido dia e noite por uma guarda de honra composta por dois soldados que permanecem completamente imóveis, que rendem ao fim de cada hora.
Ubiratan Lustosa*
Os homens, numa obra-prima de sua ignorância e de sua loucura, inventaram as guerras. E começaram a se matar, destruindo-se impiedosamente, cada vez com mais ansiedade, cada vez em maior número. Num requinte de sua maldade os homens aperfeiçoaram os engenhos bélicos, multiplicando a sua força destruidora para matar mais e mais depressa. Com variados pretextos as guerras se sucedem por todo o mundo, num fratricídio cada vez mais assustador, cada vez mais cruel, cada vez mais insano. Ao longo dos tempos muitos soldados tombaram nos campos de batalha. Alguns cobertos de glória pelo valor demonstrado, pelo heroísmo de suas ações, pela abnegação com que deram suas vidas por uma causa que muitas vezes eles nem conseguiram compreender. E morreram, muitas vezes sem se dar conta de que eram vítimas da incompreensão de líderes, alguns dos quais sanguinários, corruptos e com tresloucados sonhos de hegemonia.
Nem todos os soldados, porém, morreram assim gloriosamente, ficando seus nomes na História de seus países como exemplos de patriotismo e bravura. Outros, em número imensamente maior, morreram anonimamente, sem que se soubesse sequer os seus nomes, e quando não ficaram expostos ao apetite dos abutres tiveram para seu descanso a vala comum dos desconhecidos. Por mais valentes que tenham sido, muitas vezes não se soube o que fizeram, como lutaram, com que coragem enfrentaram aqueles que alguém lhes disse que eram seus inimigos. Não houve toque de clarim no seu sepultamento. Não houve salva de canhões no momento em que desceram à sepultura. Não houve discursos, não houve homenagens.
Soldados desconhecidos, um dia alguém se lembrou de enaltece-los. A ideia foi aceita, a intenção foi compreendida e por todo o mundo surgiram monumentos em honra ao SOLDADO DESCONHECIDO. E foi escolhida uma data para homenageá-lo, sem preocupação quanto a sua nacionalidade, sem que se leve em conta a guerra em que tombou, sem que se considere o motivo da hecatombe da qual foi personagem e vítima. 28 de Novembro - DIA DO SOLDADO DESCONHECIDO.
Muitos prestam nesse dia as suas homenagens a essa vítima anônima da estupidez humana. É provável que haja muitos toques de clarins, muitos discursos em frente a monumentos ornamentados com flores, muitas palavras de louvor a esse soldado que morreu no anonimato. Talvez alguém se lembre que esses soldados deixaram mães inconsoláveis, esposas angustiadas, filhos na orfandade.Poucos, no entanto, lembrarão de rezar pelas suas almas. Façamos isso, pedindo a Deus por eles, pedindo ao Criador que abençoe a todos os soldados desconhecidos, de todas as guerras, de todos os países.E que sirva esse dia que lhes é dedicado para uma reflexão sobre a insensatez humana que continua produzindo guerras e aumentando o número de soldados desconhecidos.
Que Deus dê juízo aos líderes mundiais, para que não se percam vidas inutilmente e haja concórdia e amor na face da terra.
*Radialista, Advogado,Teatrólogo. Curitiba Paraná.

ANALFABETO FUNCIONAL.

Severino C. Viana (Foto)
Por Severino Coelho Viana*
Analfabetismo é, em sentido geral, o desconhecimento das técnicas de leitura e da forma de escrita, o que caracteriza nos nossos dias atuais, nível de cultura inadequado ou baixo ante nossa realidade social. É verdade que o analfabetismo existe desde o momento que se criou a linguagem escrita. Os séculos se passaram, e a cada passo, fizeram aumentar o problema de ordem social, quando o viver era simples na sua estrutura, limitado nos contatos entre grupos humanos, lento nas suas mudanças e de pouca perspectiva no aspecto tecnológico.
Se na época do surgimento da escrita o analfabetismo, em si, aparecia como um problema, o desenvolvimento da própria escrita, forçado pelo assustador crescimento dos meios de comunicação social, encarna a figura do analfabeto funcional, que se torna um desafio virulento para superação no século XXI.
Cada geração de estudante tem como ponto de partida e argumento de discussão que os melhores professores foram aqueles de sua época escolar. Isto é um fato, e depois acabam citando renomados professores. É razoável que os ensinamentos transmitidos serviram de base e nos acompanham todo o percurso de nossa existência. Esta é a melhor forma de gratidão aos mestres. Não negamos que tivemos grandes mestres, que guardamos à lembrança na parte mais reservada de nossa admiração. Mas, é verdade também, que tivemos um reduzido número de pequenos professores, que estava professor, não era professor. É a ordem natural dos fatos, cada categoria profissional é mista de membros assíduos e relapsos. Não analisamos do ponto de vista do melhor ou menos qualificado professor. Da melhor ou da mais qualificada escola; se pública ou privada. A questão reside no fato de ser aplicado ou não aplicado aluno. Daí depende o início do sucesso pessoal.
Vemos também a questão da época e a forma de transmissão do ensino, com respeito ao mestre e até medo! O medo e o respeito dentro e fora da sala de aula. Por exemplo, à nossa época, estudávamos o abecedário – Cartilha de ABC, a Cartilha Sarita, a Cartilha do Povo, a Cartilha Nordeste, para chegar ao Primeiro Ano Nordeste, olhe bem que para o passo seguinte já sabíamos ler e escrever, este foi o nosso percurso. O curso ginasial, hoje, ensino fundamental, antes de ingressar nele, passávamos pelo crivo do Exame de Admissão, que era um verdadeiro vestibular. Houve colegas que cortaram o cabelo e deixaram toda a cabeça raspada no salão de Noivino. É isso aí companheiro! Veja a diferença!
Várias são as definições do analfabeto funcional. O conceito de analfabetismo funcional foi criado na década de 30, nos Estados Unidos, e posteriormente, passou a ser utilizado pela UNESCO, referindo-se às pessoas que, apesar de saberem ler e escrever formalmente, por exemplo, não conseguem compor e redigir corretamente uma pequena carta solicitando um emprego. Segundo a Declaração Mundial sobre Educação para Todos, mais de 960 milhões de adultos são analfabetos, sendo que mais de um terço dos adultos do mundo não têm acesso ao conhecimento impresso, às novas habilidades e tecnologias, que poderiam melhorar a qualidade de vida e ajudá-los a perceber e a adaptar-se às mudanças sociais e culturais. Na declaração, o analfabetismo funcional é considerado um problema significativo em todos os países industrializados ou em desenvolvimento.
O termo analfabeto funcional se refere ao tipo de instrução em que a pessoa sabe ler e escrever, porém é incapaz de interpretar o que ler e de usar a leitura e a escrita em atividades cotidianas. Ou seja, o analfabeto funcional não consegue extrair sentido das palavras nem colocar ideias no papel por meio do sistema de escrita, como acontece com quem realmente foi alfabetizado. No Brasil, o índice de analfabetismo funcional é medido entre as pessoas com mais de 20 anos que não completaram os quatro anos de estudo formal. O conceito, porém, varia de acordo com o país. Na Polônia e no Canadá adotam, por exemplo, que é considerado analfabeto funcional a pessoa que possui menos de oito anos de escolaridade.
No nosso país, especificamente, hoje, não se trata apenas de anos de escolaridade, mas, infelizmente, é uma realidade cruel, pessoas com diplomas de nível superior, por incrível que pareça, são analfabetas funcionais, pois não compreenderem o que leem nem sabem escrever o que falam, e quando tentam entender, interpretam diametralmente oposto o que está escrito! Ou divagam completamente para o obscurantismo das ideias nefastas.
No campo quantitativo correspondente à educação o Brasil avançou muito: começamos o século 20 com 65% de analfabetos, tendo baixado para 51% em 1950, e apresentado reduções mais drásticas só a partir de 1975, para chegarmos ao ano 2000 com 13% de analfabetos. Hoje são 8%. Infelizmente, hoje vemos que o Brasil optou pela quantidade a qualquer custo. Só quantidade não vale para o sucesso pessoal. E o resultado disso é a enorme quantidade de analfabetos funcionais com diploma. O nosso país deveria se esforçar em alfabetizar com qualidade. Não é aumentando para nove anos o Ensino Fundamental que a qualidade do ensino irá melhorar.
Mas no item de qualidade a coisa vai mal. Como ressalva o professor da FEA-USP, Daniel Augusto Moreira, “o problema do analfabetismo – entendido como a incapacidade absoluta de ler e escrever – costuma esconder um outro, tão ou mais perigoso, exatamente por passar despercebido a muitos: trata-se do analfabetismo funcional”. Vamos ver então o outro lado do analfabetismo.
As pesquisas mais confiáveis no Brasil são realizadas pelo Instituto Paulo Montenegro, em parceria com a ONG ação educativa, que divulgam anualmente o Indicador Nacional de Analfabetismo Funcional (INAF). Existem dados oficiais, do IBGE, que considera analfabetos funcionais os que têm menos de quatro anos de estudo. Isso torna o dado pouco confiável, pois o número de anos de estudo considerados como mínimo para se atingir um nível de alfabetização suficiente é relativo.
De acordo com os últimos dados do INAF, 75% dos brasileiros são considerados analfabetos funcionais. Isso mesmo: três em cada quatro brasileiros. Destes, 8% são analfabetos absolutos, 30% leem, mas compreendem muito pouco e 37% entendem alguma coisa mas são incapazes de interpretar e relacionar informações. O estudo indicou que apenas 25% dos brasileiros com mais de 15 anos têm pleno domínio das habilidades de leitura e de escrita. Na Alemanha, a taxa de analfabetos funcionais é de 14%. Nos EUA, 21%. Na Inglaterra, 22% (para melhorar esta taxa, o governo britânico introduziu a "Hora da Leitura" no ensino fundamental). Na Suécia, a taxa é de 7%. Estudantes da classe média brasileira leem pior do que operários alemães.
Não é por acaso que o contingente de leitores de livros no Brasil seja tão pequeno em relação à população. Apenas 17 milhões de pessoas compraram ao menos um livro no último ano, 10% da população. Uma piada corrente nas rodas de editores, livreiros e escritores pode dar o tom preciso da história da literatura no Brasil. Na véspera do aniversário de um amigo, um rapaz, amante das letras, conta entusiasmado ao colega que vai presenteá-lo com um livro. O aniversariante, constrangido, diz: "Obrigado, mas eu já tenho um".
A média anual de leitura entre os que leem é de 12 obras e a compra per capita de livro não-didático por adulto alfabetizado é de 0,66. Se comparado a países desenvolvidos, a média de leitura por habitante é lamentável. No Brasil, esse índice é de 1,8, contra 7 da França, 5,1 dos Estados Unidos, 5 da Itália e 4,9 da Inglaterra. Em todas as nações desenvolvidas, metade da população é razoavelmente letrada, o que tem favorecido o progresso. Como mudar esse árido cenário? Estudos internacionais indicam que é necessário perceber que a familiaridade com a leitura não é adquirida de forma espontânea. A experiência mostra, segundo o Ministério da Cultura, que as nações avançadas produzem seus leitores em larga escala. Em todas elas, os fatores infraestruturais envolvidos na geração de leitores revelaram-se os mesmos: estímulo à leitura na família e na escola.
E, óbvia e urgentemente, investir na qualidade da educação para extirpar o analfabetismo funcional. Para a professora Cileda Coutinho, da PUC-SP, “não adianta mudarmos currículos, fazermos projetos, se não trabalharmos tudo ao mesmo tempo. Projetos isolados não vão produzir resultados se não estiverem no bojo de um trabalho maior e contínuo”. Conhecemos pessoas que não têm diploma de curso superior, todavia, à sua época, o ensino era bem mais qualificado, que em termos de conhecimento e de raciocínio lógico na leitura, não fica diminuído perante nenhum graduado.
O diploma fica apenas como um título e mais um papel guardado na pasta de arquivos onde vários outros títulos estão grampeados ao curriculum vitae. Mentalmente, a graduação está longe de chegar ao seu verdadeiro alcance e tomada de responsabilidade. O título não passou de uma satisfação social ou temor de ser tachado de analfabeto, se bem que continua...
João Pessoa, 25 de novembro de 2009.
*Promotor Público - João Pessoa PB. scoelho@globo.com

PALAVRA DEVOCIONAL

Pr. Cláudio Alves (Foto)
Tema: “O mandamento de Maria”
Disse Maria: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (João 2.5) – O que Jesus disse! llllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllll 1. “... Em verdade te digo, se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus”. – Jo 3.5 2. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Jo 3.16 3. “Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida. Jo 5.24 4. Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim”. Jo 5.39 5. “Declarou-lhes, pois, Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede”. Jo 6.35 6. “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia”. Jo 6.44 7. “... Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário; terá a luz da vida”. Jo 8.12 8. “... Se vós, permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos”. Jo 8.31 9. “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. Jo 8.32 10. “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”. Jo 8.36 11. “Quem é de Deus ouve as palavras de Deus; por isso, não me dais ouvidos, porque não sois de Deus”. Jo 8.47 12. “Em verdade, em verdade vos digo: se alguém guardar a minha palavra, não verá a morte, eternamente”. Jo 8.51 13. “Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá, e achará pastagem”. Jo 10.9 14. “O ladrão (Diabo) vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”. Jo 10.10 15. “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão”. Jo 10.27,28 16. “... Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente. Crês isto?” Jo 10.25,26 17. “... Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai (céu) há muitas moradas...” Jo 14.1,2b 18. “... Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”. Jo 14.6 19. “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”. Jo 14.27 20. “Vinde a mim, todos os que estais cansados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e meu fardo é leve”. Mt 11.28-30 – Só Jesus Cristo liberta, salva, e dá a verdadeira paz. Um abraço a todos. Pr. Cláudio Alves da Silva. IEC Pombal/PB

O PRÉ-SAL E AS RIQUEZAS DO MAR.

Maciel Gonzaga (Foto)
Maciel Gonzaga*
O Pré-Sal é um conjunto de reservatórios mais antigos que a camada de sal (principalmente halita e anidrita). Esses reservatórios podem ser encontrados do Nordeste ao Sul do Brasil e de uma forma similar no Golfo do México e na costa Oeste africana. O termo Pré-Sal é uma definição geológica que significa que a camada foi depositada antes que o sal.
Nas camadas rochas da camada pré-sal existentes no mundo, a primeira descoberta de reserva petrolífera ocorreu no litoral brasileiro, que passaram a ser conhecidas simplesmente como "petróleo do pré-sal" ou "pré-sal". Estas também são as maiores reservas conhecidas em zonas da faixa pré-sal até o momento identificadas e estão dentro da área marítima considerada Zona Econômica Exclusiva do Brasil. São reservas com petróleo considerado de média a alta qualidade com profundidades que variam de 1000 a 2000 metros de lâmina d'água e entre quatro e seis mil metros de profundidade no subsolo, chegando portanto a até 8000m da superfície do mar, incluindo uma camada que varia de 200 a 2000m de sal.
Apenas com a descoberta dos três primeiros campos do pré-sal, Tupi, Iara e Parque das Baleias as reservas brasileiras comprovadas, que eram de 14 bilhões de barris, aumentaram para 33 bilhões de barris. Além destas existem reservas possíveis e prováveis de 50 a 100 bilhões de barris.
Desde que foram anunciadas reservas gigantescas de petróleo na camada do pré-sal da costa brasileira, há quase dois anos, uma acalorada discussão começou sobre os riscos para o país com a extração a granel da riqueza do fundo do oceano. Uma advertência: a abundância de petróleo, se não for bem gerida, pode se tornar uma maldição, em lugar de uma bênção, a exemplo do que acontece em tantos países - riquíssimos em petróleo, paupérrimos no restante.
Aos poucos, os medos de que o Brasil repita na economia a trajetória de nações como Venezuela, Nigéria ou Líbia começam a se dissipar, diante da constatação de que as imensas riquezas encontram um país robusto e diversificado. Nas últimas semanas, porém, os brasileiros foram apresentados a outra face da maldição do petróleo, a política - e dessa não está fácil de escapar. A miragem de bilhões de reais jorrando em alto-mar - os cálculos sobre as reservas variam de 30 bilhões a 100 bilhões de barris de petróleo - tem levado os políticos em Brasília a uma espécie de delírio, evidenciando uma sina bem conhecida dos brasileiros. Trata-se da velha prática de uso das causas nacionais como meio de obter ganhos pessoais e partidários.
O próprio governo puxou a fila, quando apresentou, em 31 de agosto, as propostas para o marco regulatório do pré-sal com brados ufanistas que lembram os dos tempos de regime militar. Num discurso nacionalista e estatizante, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disparou contra o que chamou de enfraquecimento da Petrobrás no governo anterior e declarou que quer reforçar o papel da empresa, a qual chamou de “meu querido dinossauro”.
Entre políticos de todas as cores e vieses, a grande discussão é quem ficará com o dinheiro do pré-sal. A educação? A cultura? A Infra-estrutura? Tomando como exemplo a saúde pública, onde bilhões de reais da CMPF não resolveram o problema, como se sabe, por que o dinheiro do petróleo resolveria? São questões até agora sem resposta.
*Jornalista, Advogado e Professor. Natal RN.

MEU GINÁSIO DIOCESANO...

Por Paulo Abrantes*
Meu velho Ginásio Diocesano venho não de muito longe para rever-te. Já faz um pouco de tempo que contigo me encontrei. Era também numa Festa do Rosário como esta, eu estava mais jovem, esperançoso em pleno vigor, “com muito sangue nas veias” como dizia Machado de Assis. Deixei-te com saudade, mas comovido, vim de ti me despedir quando por aqui passei para o derradeiro banho no Piancó, à sombra das ingazeiras, que foi a arena mirim onde Antônio Alves (Cadaço) e Roberto Vilar (Bolas), amigos inseparáveis, demonstravam coragem nas horas difíceis. Com Antônio tive um feliz encontro, na última festa, mas Bolas, nunca mais nos vimos.
Hoje, fico frente a frente ao meu velho Ginásio. È, meu velho amigo, este escrevinhador humilde que jamais, em tempo algum, te esqueceu, foi – digo sem nenhum constrangimento – o teu aluno mais irrequieto e o que mais fez barulho no pátio de recreio de centenas de crianças, dando trabalho ao Bedel e Mestres do Ginásio. De pé, fitando-o de longe, fico passando na tela de meu pensamento, como era bom aquela natural convivência com colegas de condição mais pobre e de condição mais rica, num entrelaçamento social, onde não havia distinção de raça, cor ou credo religioso, onde a educação transmitida não discriminava os ricos, pobres ou remediados, e assim conviviam com sentido fraternal, numa mistura saudável e espontânea entre as classes sociais.
Às suas mestras, moças abnegadas, com formação educacional requintada e certa experiência na difícil arte de ensinar, sabendo, talvez, o que era o menino de Gado Bravo: que gosta de banho de rio, de peteca, de pegar canário. No dia da tua inauguração, o prédio cheirando ainda a tinta fresca, há quase meio século, fui com a minha mãe fazer a matrícula. O teu recinto, a diretoria, as salas de aula, estavam cheias da gurizada. Procurou, minha mãe, meio acanhada, Dona Osa Vieira Rodrigues, a secretária geral, para pedir-lhe informações de como proceder com o filho que ia aquele momento ingressar no ginasial, após ter sido aprovado no rigoroso Exame de Admissão, que abria as suas portas aos meninos de todos os recantos e sítios limítrofes da cidade.
Matriculou-me a Dona Osa depois de me parabenizar pela a aprovação no exame. Ainda lembro aquela meiguice de moça educada, as palavras a mim dirigidas, passando a suavidade das suas mãos pelos meus cabelos e com sua voz macia, dócil, afirmou-me: “Olhe, você é inteligente, aproveite bem os estudos para passar para o segundo ano”. Após este encontro, transpirei alegria por todos os poros. Em seguida, entraram outros que completaram a minha turma: Felinto de Sousa Neto (Moreirinha), Genival Severo, Fan Arruda, Antônio Alves(Cadaço), Roberto Vilar (Bolas), Hermínio Monteiro, Pedrinho e Joãozinho Queiroga, Iedo Fontes, José Stalin, Paulo Ney, Jamir Mascena, e outros.
A nossa primeira professora foi a Dona Marta Jerusa, filha de Dr. Nelson, alta, esbelta, elegante, o protótipo da moça que pratica atletismo. Era educada, primava pela disciplina, pela higiene dos alunos, lecionava geografia. Rigorosa, sem ser autoritária, dava tudo de si para ser bem compreendida. E assim passamos o ano letivo para galgarmos o 2º ano, onde fomos encontrar Dona Nena Queiroga, uma moça carismática, grande inteligência, de cultura e maior ainda pela sua modéstia e simplicidade, virtudes estas que são próprias dos sábios, dos divorciados da vaidade. Ensinava religião, aprendi muito com aquela que ainda hoje recordo, principalmente quando convivo com gente orgulhosa que julga não existir, nunca, uma sepultura a esperá-la. A Dona Nena tinha noções de latim, dominava mais ou menos o francês; falava de Balzac, Victor Hugo, Emile Zola. Foi ela quem nos disse que o aramaico era a língua que Jesus falava. E depois vinha com pormenores da vida do grande Mestre. Estudiosa do Novo Testamento dissertava com desenvoltura, num linguajar ameno, fácil, muita coisa dos capítulos e versículos dos apóstolos Pedro, Mateus, Paulo. Aí foi quando ouvi, pela primeira vez, o que emocionou o meu coração de criança, o Sermão da Montanha. Ela o tinha decorado.
E assim meu Ginásio Diocesano, de padre Luiz Gualberto, já falei muito das minhas atividades de menino do sertão, do aluno que fui em muitas das suas salas, dos momentos felizes que passei no teu pátio de recreio, da vez primeira que te vi de portas abertas para nos receber, do trabalho que dei a Professor Arlindo. Agora quero, mais uma vez, dar-te a minha alegria de rever-te forte e imponente, desafiando o tempo. Abraço-te sem te dizer até quando. Vamos varando tempo, felizes, envelhecendo longe um do outro. Até breve, meu velho Ginásio, companheiro e dileto amigo. Agora vamos relembrar estes versos de Bilac: “Não choremos, amigo, a mocidade/ Envelheçamos rindo! Envelheçamos/ Como as árvores fortes envelhecem/ Na glória da alegria e da bondade/ Agasalhando os pássaros nos ramos/ Dando sombra e consolo aos que padecem”.
*Pombalense, Engenheiro Civil e Professor Licenciado em Ciências pela UFPB, pós graduação em Comercio Exterior pela FGV-RJ.
Fachada do Velho Diocesano (Foto Arquivo Verneck Abrantes)

A LUTA DOS APOSENTADOS!

Clemildo Brunet (Foto)
CLEMILDO BRUNET*
O aposentado em nosso país que percebe mais de um salário mínimo, já pode sentir na pele o quanto é difícil e árdua a luta que tem sido travada na Câmara dos Deputados em torno da aprovação do reajuste de seus proventos atrelado ao salário mínimo. A matéria foi aprovada no dia 09 de abril do ano passado no Senado e está agora em tramitação na Câmara Federal. Desde a semana passada que há uma batalha renhida da oposição com o Governo para a votação do Projeto de Lei 01/07. O Governo tem feito manobras com seus aliados para que o reajuste dos aposentados que percebem mais de um salário mínimo, não seja votado este ano.
Por sua vez, os aposentados pressionaram tanto os parlamentares na semana passada, que na terça feira desta semana, foram impedidos de terem acesso ao Salão Verde e às galerias da Câmara. Não podendo entrar no plenário sentaram-se e deitaram-se no corredor de acesso ao Salão Verde. Veja a que ponto chegou o lugar que tem o nome de casa do povo.
O Diretor do Departamento de Polícia da Câmara, Valério da Silva, justificou que a Presidência da casa tinha acatado sua sugestão para assim proceder e esclareceu que na semana anterior parlamentares haviam sido ameaçados. Agora, que ameaças? O fato dos aposentados denunciarem à Imprensa os nomes daqueles que votassem contra o Projeto Lei 01/07, fazendo uma advertência ao povo para não votar nos tais, nas eleições do ano que vem. Nisso reside o fato do medo que têm o Governo e sua bancada no Congresso, sendo contrária sua votação e aprovação no momento.
O Deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), considera essa situação surrealista. “Isso debilita a função do próprio Parlamento, que é pública. Quanto mais a galeria estiver cheia, melhor para o debate... Tem muita gente incomodada com a presença dos aposentados. Mas, na hora da eleição, na hora de pedir o voto, o aposentado tem lugar cativo no discurso”, disse o congressista. Aposentados em protesto na Câmara (Foto)
Diante de todo impasse, mesmo assim, ainda na terça feira dia 17, dezenas de manifestantes dos aposentados com cartazes, obtiveram vitória na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, com aprovação do parecer favorável ao fim do fator previdenciário que foi criado no Governo Fernando Henrique Cardoso. Na prática, esse fator é um redutor no valor das aposentadorias. A matéria ainda será analisada no plenário da casa.
É importante que analisemos alguns comentários em torno das ações que interessam não somente aos 8 milhões de aposentados que padecem, mas também de sua famílias e quiçá dos futuros aposentados deste país. Vejamos, pois, alguns depoimentos publicados no Site Congresso em Foco:
João Guilherme – 18-11-2009. 14h55. Essa vitória é parcial, falta a vitória real que será no plenário, aí sim se passar no plenário será uma grande vitória, porque ao chegar na mão do chefe, ele não terá peito para vetar. Ele já fez de tudo para jogar a responsabilidade para os deputados, mas que bom que eles abriram os olhos a tempo. Agora nós teremos uma nova luta, ou seja, é pressionar os deputados para não aprovarem o fator 85/95, se não será trocar seis por meia duzia. Essa fórmula ela é claramente contra os que começam a trabalhar cedo e quem é que começa a trabalhar mais cedo no Brasil? É isso aí, justamente você acertou é o filho do pobre. Outra coisa que está embutido nessa fórmula é o aumento do tempo de contribuição que no geral, será no mínimo de 40 anos, mas na maioria dos casos vão ser de 45 anos. Então, a não aprovação da fórmula 85/95, irá livrar os futuros aposentados de um calvário.
valdir (14/11/2009 - 22h45) OLÁ, COLEGAS APOSENTADOS,VAMOS MOSTRAR A ESTE OU QUALQUER GOVERNO, QUE JÁ FIZEMOS MUITO POR ESTE BRASIL, AGORA "EXIGIMOS" O QUE NOS ROUBARAM DE MUITAS FORMAS, E A MAIOR ARMA QUE TEMOS, E É INFALÍVEL, É "PARALIZARMOS" O BRASIL NUM TODO. FEICHANDO NÃO SÓ A VIA DUTRA, MAS TODAS AS RODOVIAS DE NORTE A SUL, EM TODAS AS CIDADES DO BRASIL POR 3 HORAS A CADA TRES DIAS, OU SEJA : DE TRES EM TRES DIAS FEICHAR TODAS AS RODOVIAS POR TODO O BRASIL, ATÉ QUE SEJAM VOTADAS OS TRES PROJETOS DO SENADOR PAULO PAIM, APROVADOS POR UNANIMIDADE NO SENADO. ISTO DEVE SER ORQUESTRADO COM DETERMINAÇÃO DA "COBAP". VEJAM NÃO TEMOS MAIS NADA O QUE PERDER, E CHAGA DE SOFRIMENTOS, PT E PMDB SÃO LIXO, AINDA MAIS COM UMA TERORISTA COMO CANDIDATA A PRESIDENTE DA REPÚBLICA, BASTA.
Rico (15/11/2009 - 20h01) Um conselho à Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Cobap)- principalmente - e a todos os trabalhadores do Brasil em vias de aposentar ou não: querem entender toda essa trapaça de "déficit da previdência"? Vão já, recomendem o site, imprimam e distribuam para todos, os artigos "Previdência: uma longa história de fabricação de mitos rumo à privatização" e "Previdência: dossiê das falácias - O déficit que não existe e outras mentiras", no SITE www.correiodacidadania.com.br. Collor deu o tiro nos aposentados, Fernando Henrique preparou os caixões e Lulla cuidará de um enterro coletivo "nunca jamais visto na história deste país", para ficar numa linguagem bem agradável à nossa "nova esquerda - on left" no poder, a enganar somente quem acredita em coelhinhos da Páscoa, evidentemente. Mãos à obra! Todos lendo os dois artigos, imprescindíveis.
kikoiza (15/11/2009 - 09h50) CAROS COMPANHEIROS APOSENTADOS, PRÁ DAR AUMENTO DE 25% AO ANO PARA AS MALDITAS "EMENDAS PARLAMENTARES" TEM GRANA, PARA "POR 10 MILHÕES DE DÓLARES NO FMI" TEM GRANA, PARA "CUSTEAR TODAS AS MORDOMIAS DE TODOS OS TRES PODERES NAS TRES ESFERAS DE (DES)GOVERNO" TEM GRANA, E ESSES PATIFES TEM A CORAGEM DE DIZER QUE NÃO TEM GRANA PRÁ DEVOLVER O QUE FOI "SURRUPIADO" DA GENTE?, VAMOS FICAR DE ÔLHO NOS PARTIDOS E SEUS REPRESENTANTES E "DAR O TROCO NAS URNAS" TANTO NAS ELEIÇÕES FEDERAIS COMO ESTADUAIS E PRINCIPALMENTE NAS MUNICIPAIS, E NUNCA VOTE "NULO OU BRANCO" POIS DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO ELEITORAL ATUAL ESSES VOTOS NÃO SÃO VÁLIDOS, APENAS CONTABILIZADOS PARA FINS ESTATÍSTICOS, SE NÃO TIVER ESCOLHA, VOTE POR ESCLUSÃO, OU SEJA O MENOS PIOR!, O IMPORTANTE É "CUSPIR FORA" ESSES SACRIPANTAS, CHEGA DE ENFIAR TOUCINHO NO RABO DE PORCO GORDO!
Eis aí a revolta que se estampa nesses comentários. Para onde caminha esta Nação que seus comandantes não se importam com seus patrícios que contribuíram tanto com a Previdência? Embora os Senadores comemorem essa aprovação, os pobres e penalizados aposentados terão de esperar a desobstrução da pauta na Câmara dos deputados, pois um calhamaço de requerimentos tanto da base governista como da oposição vem impedindo o conseguimento das tarefas em plenário. Como diria Boris Casoy: “Isto é uma vergonha!”
A Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Cobap), já está pensando em bloquear a Via Dutra (rodovia que faz ligação entre Rio e São Paulo) caso o Projeto de Lei 07/01, não seja aprovado pela Câmara este ano. Já escolheram a data será dia 24 de janeiro de 2010, Dia do Aposentado. Nelson Osório diretor financeiro da entidade declarou: “Se o Governo Collor teve Os caras-pintadas, o Governo Lula vai ter os caras-enrugadas”. Ele lembrou que no início deste ano a rodovia foi interditada em dez minutos e congestionou o trânsito em 50 Km, desta vez o congestionamento está programado para ser de duas a três horas.
QUE DEUS TENHA MISERICÓRDIA DOS APOSENTADOS!
*RADIALISTA.

HOMENAGEM A BANDEIRA NACIONAL.

19 DE NOVEMBRO É DEDICADO A NOSSA BANDEIRA BRASILEIRA.
POR CESSA LACERDA*
Inicio a minha homenagem neste dia simbólico a nossa Bandeira transcrevendo uma bela e célebre frase do general José Campos de Aragão, numa solenidade de culto a Bandeira, na Escola Superior de Guerra, em 1967: “NÃO HÁ RELIGIÃO SEM DEUS E NEM PÁTRIA SEM BANDEIRA”.
A Bandeira Nacional é um elemento básico na conceituação da Pátria se bem que a sintetiza como símbolo e cultuá-la é uma elevada manifestação de civismo. Quando criança aprendi a admirar a Bandeira Nacional Brasileira com as cores nela representadas chegando a inferir que ela é a mais bela de todos os países. Por representar o retrato do nosso Brasil também aprendi a amá-la e respeitá-la.
É muito fácil para registrar o meu amor telúrico pelo BRASIL. Quando comecei a estudá-lo e conhecê-lo tudo era encantamento. Gente de admirável coragem e patriotismo. De natureza deslumbrante. Ao conhecer os heróis do meu país despertei para tudo de belo que ele compõe. Amo aos vultos representativos da nossa história em todos os setores. Admirei e interpretei os grandes poetas a exemplo de Olavo Bilac, Castro Alves, Machado de Assis, Casimiro de Abreu, Augusto dos Anjos e muitos outros declamando suas poesias em eventos patrióticos.
Gostaria de fazer citação de alguns parágrafos do texto: Oração a Bandeira de autoria de Olavo Bilac.
“Bendita sejas, Bandeira do Brasil! Bendita sejas, pela tua beleza! És alegre e triunfal! És formosa e clara, graciosa e sugestiva! O teu verde cor de esperança é a perpétua mocidade da nossa terra e a perpétua meiguice das ondas mansas que se espreguiçam sobre as nossas praias. O teu ouro é o sol que nos alimenta e excita, pai das nossas searas e dos nossos sonhos, nome da fartura e do amor, fonte inesgotável de alento e de beleza. O teu azul é o céu que nos abençoa... E o teu Cruzeiro do Sul é a nossa história, as nossas tradições...
Bendita sejas, pela tua bondade! Cremos em ti; por esta crença, trabalhamos e pensamos. Bendita seja, pela tua Glória! Para que seja maior a tua glória juntam-se, na mesma labuta, a enxada e o livro, a espada e o escopro, a espingarda e a trolha, o alvedrio e a pena... Bendita sejas, pelo teu poder; pela esperança que nos dás; pelo valor que nos inspiras... Bendita sejas, para todo sempre, BANDEIRA DO BRASIL!”
EU TE HASTEIO HOJE, NO MEU CORAÇÃO LUGAR QUE CULTUO O AMOR!
*Poetisa pombalense.
Pombal, 19 de novembro 2009.

DIA DA BANDEIRA.

Ubirantan Lustosa (Foto)
Ubiratan Lustosa*
Quando tantos heróis tombaram oferecendo generosamente a própria vida para defender a bandeira nacional, por certo não foi por um simples pedaço de pano que se doaram com tanto amor e desprendimento. Não é o estandarte em si, mas os valores cívicos que dele emanam o que leva os homens a extremos atos de heroísmo a ponto de se oferecerem em sacrifício na defesa do pavilhão nacional. A bandeira, por isso, entusiasma, une, encoraja, dá forças para a luta, pois nela se concentra todo o amor dedicado à Pátria da qual é o símbolo augusto.
19 de novembro é o Dia da Bandeira. Essa bandeira que tremulou impávida nos campos de batalha quando nosso país foi chamado à luta; essa bandeira que se desfralda com respeito em nossos edifícios públicos nas datas comemorativas; essa bandeira que percorre os mares nos mastros dos nossos navios ou corta os céus com suas cores estampadas em nossos aviões; essa bandeira que resume tantas aspirações, tantos sonhos, tantas conquistas e tantas glórias.
No Brasil, curiosamente, passamos por fases distintas no que se refere ao culto à bandeira nacional. Há épocas em que o entusiasmo nos leva a desfraldá-la por toda parte, a colocá-la nas janelas das casas, a manifestar-lhe um carinho todo especial que chega a ser comovente. Em outras temporadas esse entusiasmo passa, há um resfriamento nas manifestações de amor à bandeira, parece que ficamos apáticos, menos sensíveis, num alheamento que não é saudável para uma nação, pois os sentimentos de civismo devem ser constantes, bem nítidos, exteriorizados permanentemente.
Não se deve confundir civismo com pieguice. Temos uma bandeira e nos orgulhamos dela. E devemos amá-la, respeitá-la e defendê-la. Será apenas em épocas de Copa do Mundo que o nosso entusiasmo desperta? Será só quando o Brasil se envolve em eventos esportivos que nos lembramos com carinho da nossa bandeira? Onde está a vibração de nossa gente e o seu conhecido espírito expansivo? Por que são tão limitadas as comemorações do Dia da Bandeira? Precisamos motivar a nação brasileira, avivar no coração de nossa gente a devoção à bandeira que traduz o amor à Pátria.
É preciso que todos vejam nesse pavilhão augusto a síntese de nossas aspirações, o símbolo dos nossos valores, a imagem do nosso País. É imperioso que se desperte nas crianças, que se incremente nos jovens, que se avive nos adultos o amor e o carinho à Bandeira do Brasil. E que, inspirados na divisa que a nossa bandeira ostenta, com ordem alcancemos o progresso e, através dele, a felicidade do nosso povo.
*RADIALISTA, ADVOGADO E TEATRÓLOGO. CURITIBA PARANÁ.

15 DE NOVEMBRO ANIVERSÁRIO DA PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA.

Pastor Cláudio Alves (Foto)
No final da década de 1880, a monarquia brasileira estava numa situação de crise, pois representava uma forma de governo que não correspondia mais às mudanças sociais em processo. Fazia-se necessário a implantação de uma nova forma de governo, que fosse capaz de fazer o país progredir e avançar nas questões políticas, econômicas e sociais. A crise da
MONARQUIA - A crise do sistema monárquico brasileiro pode ser explicada através de algumas questões:
1.Interferência de D.Pedro II nos assuntos religiosos, provocando um descontentamento na Igreja Católica;
2.Críticas feitas por integrantes do Exército Brasileiro, que não aprovavam a corrupção existente na corte. Além disso, os militares estavam descontentes com a proibição, imposta pela Monarquia, pela qual os oficiais do Exército não podiam se manifestar na imprensa sem uma prévia autorização do Ministro da Guerra;
3.A classe média (funcionário públicos, profissionais liberais, jornalistas, estudantes, artistas, comerciantes) estava crescendo nos grandes centros urbanos e desejava mais liberdade e maior participação nos assuntos políticos do país. Identificada com os ideais republicanos, esta classe social passou a apoiar o fim do império;
4.Falta de apoio dos proprietários rurais, principalmente dos cafeicultores do Oeste Paulista, que desejavam obter maior poder político, já que tinham grande poder econômico;
Diante das pressões citadas, da falta de apoio popular e das constantes críticas que partiam de vários setores sociais, o imperador e seu governo, encontravam-se enfraquecidos e frágeis. Doente, D.Pedro II estava cada vez mais afastado das decisões políticas do país. Enquanto isso, o movimento republicano ganhava força no Brasil. No dia 15 de novembro de 1889, o Marechal Deodoro da Fonseca, com o apoio dos republicanos, demitiu o Conselho de Ministros e seu presidente. Na noite deste mesmo dia, o marechal assinou o manifesto proclamando a República no Brasil e instalando um governo provisório.
Após 67 anos, a monarquia chegava ao fim. No dia 18 de novembro, D.Pedro II e a família imperial partiam rumo à Europa. Tinha início a República Brasileira com o Marechal Deodoro da Fonseca assumindo provisoriamente o posto de presidente do Brasil. A partir de então, o país seria governado por um presidente escolhido pelo povo através das eleições. Foi um grande avanço rumo a consolidação da democracia no Brasil. Hoje completa-se 120 anos da Proclamação da República Brasileira.
Pr. Cláudio Alves da Silva – Pesquisa Web

"A IDENTIDADE DE CADA UM"

CLEMILDO BRUNET*
Há situações que nos são impostas e que não temos escolha. O nome que nos é dado, por exemplo, é uma escolha de nossos pais ou por iniciativa deles ou por sugestão de outras pessoas ou até mesmo pelo significado que tem. Quem não tiver satisfeito com o nome que recebeu a Lei assegura o direito de mudar. Conheço pessoas que já fizeram mudanças de nomes ou por simpatia a outro, ou mesmo porque o nome que recebeu não lhe agradou. Certa vez ouvi minha mãe dizer que antes de eu nascer, (ainda embrião), pensaram no nome que seria dado a mim. Claudemir; (lá em casa todos na letra C), mas, com o falecimento aos 15 anos do primogênito que se chamava Cremildo, para homenageá-lo, deram-me o nome do irmão que não conheci, com um detalhe: No momento do registro civil a escrevente errou uma letra, ao invés do r, l, então ficou Clemildo. Até hoje bendigo o equívoco!
Meu irmão Clóvis Brunet (saudosa memória) pôs o nome de Clodoaldo em um de seus filhos em homenagem a Clodoaldo jogador da Seleção Brasileira na Copa de 1970 no México em que o Brasil sagrou-se Tri-Campeão Mundial de Futebol. Entretanto, meu sobrinho não é atleta, é Pastor; bacharel em Teologia formado pelo Seminário Presbiteriano de Teresina Piauí – Escola Superior de ensino pertencente à Igreja Presbiteriana do Brasil, que mais uma vez no ano passado, conquistou o primeiro lugar entre os demais da IPB aqui no Brasil. Ordenado Pastor pelo Presbitério Norte do Piauí, Clodoaldo que é natural de Pombal, está atualmente em Cajazeiras aqui na Paraíba, exercendo suas atividades pastorais na Congregação Presbiteriana de Cajazeiras, entidade jurisdicionada a Igreja Presbiteriana do Brasil em Sousa PB.
É inerente a todo ser humano ufanar-se ao ouvir seu nome pronunciado em uma sessão especial, no rádio, televisão ou mesmo vê-lo escrito em algum impresso como revista, Jornal ou Internet. Em qualquer momento de glória para ele, ouvir seu nome é ter seu ego massageado! Com raras exceções, alguns que enveredam pelo mundo do crime e da violência, sentem-se orgulhosos, querendo ficar famosos ao ver ou ouvir seu nome na crônica policial.
Que descoberta maravilhosa é essa de se ter um nome. Até no mundo animal irracional há nomes e estes foram lhes dado pelo o homem. “Havendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todo animal do campo, e toda a ave dos céus, os trouxe a Adão, para este ver como lhes chamaria; e tudo que Adão chamou a toda alma vivente, isso foi o seu nome”. “E Adão pôs os nomes a todo gado,e às aves dos céus e a todo o animal do campo”;... Gn.2:19,20.
O art. 16 do novo Código Civil no seu capítulo II que trata dos direitos da personalidade diz o seguinte: “Toda pessoa tem direito ao nome, nele compreendido o prenome e o sobrenome”. E o que dá segurança ao nome perante a sociedade civil como todo é o Registro, pois, no capítulo I do mesmo Código que tem o título: Da personalidade e da Capacidade diz no art. 9º parágrafo I “Serão registrados em registro público: Os nascimentos, casamentos e óbitos”.
O livro da revelação (Apocalipse), diz: “Ao vencedor, dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe darei uma pedrinha branca, e sobre essa pedrinha escrito um novo nome, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe”. Ap.2:17. E mais: “O vencedor será assim vestido de vestiduras brancas e de modo nenhum apagarei o seu nome do Livro da Vida, pelo contrário, confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos”. Ap.3:5.
Diversos relatos bíblicos trazem em seu bojo histórias de personalidades que receberam nomes de acordo com significados. Jacó cujo significado suplantador, recebeu novo nome dado pelo anjo que o enfrentou numa batalha. “E disse-lhe: Qual é o teu nome? E ele disse: Jacó. Então disse: Não te chamarás mais Jacó, mas Israel; pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens, e prevaleceste”. Gn.32:27,28. Saulo de Tarso antes perseguidor do Cristianismo teve um encontro com Jesus na estrada de Damasco e mudou de identidade, passou a ser chamado Paulo o grande apóstolo, sofrendo perseguições de seus patrícios foi enviado para pregar o evangelho a outras nações.
Que nome precioso é o de Jesus. Chamaram-no de Profeta, mestre, grande homem, espírito iluminado e outras designações. No entanto, em sonho um anjo vindo da parte de Deus a José esposo de Maria, revelou o significado do seu nome. “E dará à luz um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” Mt.1:21.
No livro de Atos encontramos o apóstolo Pedro testemunhando a respeito desse nome quando diz: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”. At.4:12. (SÓ JESUS SALVA). A bíblia afirma que Deus o exaltou sobremaneira lhe dando o nome que está acima de todo nome. “Para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para a glória de Deus Pai”. Fp.2:9-11.
A responsabilidade de dar nomes aos filhos recai sobre os pais. Muitos fazem a escolha baseados em fatos relevantes de pessoas que foram destaques e que fizeram história. Outros pelo contrário, fazem por simpatia sem saber o significado. Muitos brasileiros costumam por nomes em seus filhos de pessoas que nasceram no estrangeiro. Por acaso, algum pai ou mãe colocou em seu filho o nome - Nero ou Hitler, sem saber o que esses homens foram na história?
*RADIALISTA.
WEB. www.clemildo-brunet.blogspot.com

DR. AVELINO ELIAS DE QUEIROGA.

Jerdivan N. de Araújo (Foto)
Jerdivan Nóbrega de Araújo*
O renomado e competente médico Dr. Avelino Elias de Queiroga, ex-prefeito de Pombal e ex-deputado estadual – O Bolinha, dedicou a sua profissão e os seus conhecimentos ao povo carente de Pombal. Era amado pelas famílias mais pobres, devido a nada cobrar pelos seus serviços médicos, fazendo questão de fazer atendimento em domicilio nas mais longínquas localidades. Consultava e aviava receitas fosse onde fosse abordado pelos seus pacientes. Era comum, em plena feira livre de Pombal, ser procurado por senhoras que se queixavam das suas enfermidades e ali mesmo eram examinadas e diagnosticadas. Se fosse o caso de outros procedimentos, marcava o dia e a hora no Hospital Sinhá Carneiro. Era o médico das famílias pobres de Pombal.
Na época das cheias do Rio Piancó, de calças arregaçadas ao meio da canela, saia de casa em casa consultando e medicando os menos afortunados, dando-lhes a esperanças de melhores dias. O seu fiel ajudante era o José Cândido, mais conhecido como “Zé Enfermeiro”, competente enfermeiro da cidade, que nos anos 60 e 70, gozava de tamanha confiança da população, que chegava confundi-lo com um médico.
Era comum Dr. Avelino ser convidado por seus pacientes e correligionários para apadrinhar crianças, o que nunca dizia não. Nos grandes comícios das ruas de Pombal ele era aclamado pelo o povo, sempre os mais humildes, que eram apelidados de "Ala das Frasqueiras". ( Os correligionários da Família Carneiro eram chamados pelas “ Fraqueiras” de “Ala das Garças” por ser formada por pessoas de peles brancas enquanto que “As Frasqueiras” eram negras, senão na cor da pele, muito mais pelo poder aquisitivo e posição social). Eram nessas campanhas que cantavam-se pelas ruas machinhas provocativas do tipo: “Acorda Dr. Azuil, Levanta chama Hildo Arnaud Chama também Dr. Raphael E se possível Dr. Chatô A Ala Garça já está chorando Cheia de mágoa e de dor Com raiva de Avelino Que tem voto e tem valor. Tanto retrato, porém sem valor Tanto dinheiro, mas não ganhou Dr. Avelino, tão pobrezinho E sem trair foi o vencedor.” Nos carnavais, era com esse povo pobre que ele se juntava nas brincadeiras de rua, como se fora um deles.
Dr. Avelino foi professor na antiga Escola Normal Arruda Câmara, Ginásio e Colégio Diocesano de Pombal
A boa reputação e o exemplo humanitário de Dr. Avelino ainda hoje habitam o imaginário do nosso povo, que já o homenageou das mais diversas formas, dando seu nome a ruas, Escola Municipal, Ginásios Esportivos, institutos (IAEG) e equipes de Saúde da Família. Na cidade de Cabedelo, um condomínio residencial adotou também o seu nome.
De tradicional família sertaneja, proprietária de grandes extensões de terras no interior paraibano, entre Sousa e Pombal. Era filho de Ana Maria Queiroga e de André Avelino de Queiroga, bisneto do Dr. Benedito Marques da Silva Acauã, Presidente da Câmara em 1870. Foi casado com Maria Adeildes Cavalcanti de Queiroga e são seus filhos: Maria Auxiliadora, Avelino Elias de Queiroga Filho (Avelinho, ex-vereador em Pombal) e Fátima Cavalcanti
Viveu sua infância na Fazenda Nova Acauã, arredores da hoje cidade de São Domingos de Pombal, em uma “Casa Grande” construção do inicio do século 19, com suas 21 janelas na fazenda do seu bisavô, o Dr. Benedito Marques da Silva Acauã. Dr. Avelino era irmão do Desembargador Dr. Antônio Elias de Queiroga.
Foi eleito Deputado Estadual em 1962 pelo PSD concorrendo com o N° 92004 obteve 3.608 votos, ficando na suplência o Dr Atêncio Bezerra Wanderley. Concorreu a prefeitura de Pombal nas eleições de 11 de agosto de 1963 foi eleito pelo PSD 1, para o período de 1964 a 1968.
Em sua administração foi construída a Praça dos Pereiros, (a primeira até hoje única praça construída em um bairro pobre da cidade), fez o calçamento de várias ruas, e a primeira restauração no Açougue Público da cidade, que se encontrava em ruínas, mantendo suas linhas arquitetônicas originais.
Dr. Avelino concorreu mais uma vez a Prefeitura de Pombal nas eleições de 1973, pelo MDB 1, sendo eleito naquele pleito o então deputado estadual Francisco Pereira Vieira e o Hildo de Assis Arnaud que assumiu três meses depois com a renuncia do titular. Sentindo-se traído pelas lideranças política da cidade, Dr. Avelino escrevia ali o ultimo capitulo da sua história nas ruas de Pombal , morrendo em 1975, no estado do Paraná, vitima de um infarto fulminante.
A noticia da sua morte enlutou a cidade de Pombal.
*Escritor Pombalense.

AMIGO CLEMILDO: FORÇA AO TRABALHO...NÃO DESANIME!

Maciel Gonzaga. (Foto)
Por Maciel Gonzaga*
Em física, trabalho é uma medida da energia transferida pela aplicação de uma força ao longo de um deslocamento. O trabalho é um número real, que pode ser positivo ou negativo. Quando a força atua no sentido do deslocamento, o trabalho é positivo, isto é, existe energia sendo acrescentada ao corpo ou sistema. O contrário também é verdadeiro, uma força no sentido oposto ao deslocamento retira energia do corpo ou sistema. Qual tipo de energia, se energia cinética ou energia potencial, depende do sistema em consideração.
Para Marx, em “O Capital”, a compra e venda da força de trabalho é uma das características básicas do capitalismo. O valor da força de trabalho é o valor dos meios de subsistência necessários para conservação e reprodução do seu possuidor. No entanto o trabalhador adianta pois o valor de uso de sua força de trabalho, quer dizer, produz seus meios de subsistência necessários (o seu salário) e também produz a mais valia absorvida pelo capitalismo.
Considerando como mercadoria a "força de trabalho" e não simplesmente "trabalho" foi possível resolver as contradições nas fórmulas de Adam Smith e David Ricardo, pois estes falavam em capitalistas comprando o trabalho e pagando o equivalente (o salário) necessário para reprodução, assim como se paga a mercadoria com um equivalente que possibilita a reposição da mercadoria no futuro. Mas ao mesmo tempo falavam em um excedente (a mais-valia).
Portanto, após essas considerações iniciais sobre o trabalho, quero me retornar a este obreiro da comunicação pombalense: Clemildo Brunet de Sá. Não desanime, companheiro, o seu idealismo está acima de qualquer coisa, seja ela qual for. Seus novos projetos terão de ser executados pela sua força de trabalho, passando por cima das dificuldades.
No último dia 6 de novembro, deixando de lado as minhas atribuições e atribulações do cotidiano, passei a tarde acompanhando Clemildo Brunet e sua esposa Irene, aqui na minha terra adotiva, o Rio Grande do Norte. Tive uma enorme satisfação. Me desliguei do mundo e, ao seu lado, passei a conviver de perto com as dificuldades da saúde pública brasileira. Mas, isto não vem ao caso. O que gostaria é de me reportar com enorme satisfação, ao sentimento que tive de ver Clemildo Brunet, mesmo enfrentando problemas de saúde, preocupado com o trabalho, com idéias, querendo executar novos projetos na área de comunicação, idealizando programas musicais – que sempre foi o seu forte – com um coração cheio de bondade.
É por esta e outras razões que digo: força, amigo Clemildo! Não desanime. Não coloque um ponto final nas suas esperanças. Ainda há muito o que fazer, ainda há muito o que plantar, e o que amar nessa vida. Olhe para frente e veja o que ainda pode ser feito... A presença de energia implica na possibilidade de produzir movimento. A energia que uma pessoa armazena ao alimentar-se, por exemplo, possibilita o funcionamento de seus órgãos, permite que ela se movimente e mova outros corpos. É importante salientar que tanto o trabalho como as diversas formas de energia são grandezas escalares.
A vida ainda não terminou. E já dizia o poeta "que os sonhos não envelhecem...". Sorriso no rosto e firmeza nas decisões. Verás que o horizonte é infinito, pois a derrota depende de nós tanto quanto a vitória. Entretanto, a pior derrota é a de quem desanima. Perder nem sempre é ser derrotado. Mas o desânimo estraga totalmente a vida.
Assim, amigo Clemildo, não desanime jamais. Siga em frente com coragem porque a vitória pertence aqueles que possuem persistência e determinação, como você sempre foi na vida. Sim, levante a cabeça e não desanime, mesmo que você veja as pessoas de bem, seus amigos e conhecidos, desanimados diante de tanta violência, egoísmo, corrupção, descalabro e falta entusiasmo, de justiça e fraternidade! Acredite! É preciso acreditar! O bem há de, finalmente, vencer o mal. Deus é mais forte, infinitamente mais forte do que o Maligno! Há mais gente, muito mais gente honesta e corajosa querendo e torcendo pela vitória da esperança sobre o medo! Escute os aplausos que o mundo está lhe dando. Você os merece. Todos nós, seus inúmeros amigos, que não nos dobramos a cabeça e não desanimamos, nos regozijamos de você. Este é o conselho do seu grande amigo Maciel Gonzaga de Luna.
*Jornalista, Advogado e Professor. - Natal - RN.

HONROSA HOMENAGEM AOS AFLHADOS.

Querido Clemildo e demais afilhados radialistas de Pombal! Por ser hoje, 7 de novembro, dia consagrado aos radialistas, não poderíamos calar, pois é um dia muito especial e destacável para toda a Classe de radialistas. Em vocês de Pombal vemos a imagem, o exemplo de todos os outros, principalmente os que participaram e participam da história tão linda da nossa Comunicação e do Rádio pombalenses.
Não poderemos fugir diante dessas homenagens porque vocês muito merecem. Sabemos que vocês são sons vibrantes da notícia, anunciadores dos fatos que acontecem no dia a dia e das alegrias que nos proporcionam os ricos programas musicais que nutrem as nossas mentes e satisfazem as nossas almas.
Sou cativa de todos vocês e nutro o carinho e a admiração por cada um em particular. Obrigada pela abnegação recebida de madrinha de vocês, voto tão somente, de amor e confiança do meu querido Orácio Bandeira.
Conservo, pois, um único pecado da inveja: ter o poder de ofertar tudo de bom para esta importante classe, destacando vocês queridos afilhados. Que passem esta data com fervor no coração pelo amor edificado a esta profissão porque o amor é quem constrói toda a beleza do que vocês executam. Que Deus todo Poderoso derrame muitas graças e faça de cada um, MENSAGEIRO DA PAZ.
Parabéns por este tão importante dia. Deus abençoe a todos, proteja-os dos males e cubra-os de mil bênçãos. Recebam beijos fortes de amor e consideração no coração de cada um particularmente! Esta é a minha homenagem 2009.
CESSA LACERDA FERNANDES Poetisa e escritora pombalense.
contato: cessalacerda@yahoo.com.br Pombal - Paraíba.

7 DE NOVEMBRO DIA DO RADIALISTA!

O PORTAL CLEMILDO, COMUNICAÇÃO E RÁDIO, SAÚDA TODOS OS PROFISSIONAIS DE
RÁDIO, NO SEU DIA MAIOR. HOJE 07 DE NOVEMBRO DIA DO RADIALISTA,
PARABENIZANDO TODA CATEGORIA.
SALVE 07 DE NOVEMBRO - DIA DO RADIALISTA!

O CADINHO DO SOFRIMENTO!

Clemildo Brunet (Foto)
CLEMILDO BRUNET*
Já faz muitos anos, participei de um estudo bíblico em uma dessas nossas Escolas Dominicais, que eram realizadas às nove horas da manhã na Igreja Presbiteriana de Pombal. Hoje Deus me fez lembrar esse tema: O cadinho do Sofrimento. Na abordagem do assunto, logo na introdução, o autor do estudo perguntava: Deus é problema ou solução?
Para muita gente que quer viver a vida como dono de seu nariz, Deus é problema em razão do sofrimento que ele deixa acontecer, não dando solução há muitos casos. Por que sofremos? O que há de errado que Deus não possa dar solução? O universo de perguntas é enorme e a espécie humana nem sempre tem respostas para essas e outras indagações.
O modo de a pessoa aceitar o sofrimento é que faz a diferença. Umas ficam indignadas e reclamam de tudo. São os murmuradores. Desesperados com o cadinho do sofrimento tratam mal os seus semelhantes e blasfemam. Outras que tiveram o conhecimento de Deus recebem o sofrimento como uma aprovação e reconhece sua pequenez, ante a grandeza do autor da vida. Mesmo diante da morte, não reclamam, aceitam-na como desígnios de Deus.
Ninguém está fora do alcance do sofrimento, todos sofrem, uns sofrem mais, outros menos, uns suportam mais, outros menos. Verdade é que todos passam por algum sofrimento. Só há uma explicação para o sofrimento; ele chega até nós por causa do pecado. “Porque sabemos que toda criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora”. Romanos 8:22. O apóstolo esclarece a origem do sofrimento: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram”. Romanos 5:12.
O profeta Jeremias faz uma reflexão sobre as nossas queixas diante do sofrimento e pergunta: “Por que, pois, se queixa o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus próprios pecados”. Lamentações: 3:39.
Uma coisa é certa, ninguém busca sofrimento para si. Ele vem em decorrência da nossa fraqueza, muitas vezes como resultado do que estamos semeando. O sofrimento é suscetível ao pobre, ao rico, ao branco, ao de cor, ao que tem religião e ao que não tem. Não escolhe raça ou nação. Neste mundo de meu Deus quem não passou pelo cadinho do sofrimento? Jesus sofreu e morreu na cruz do calvário em nosso lugar. É triste saber que muitos não aceitam essa verdade.
Mesmo que pareça um paradoxo, o sofrimento na bíblia é descrito como fórmula de aperfeiçoamento e exige de quem sofre perseverança. O apóstolo Tiago diz: “Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam”. Tg. 1:12. O apóstolo Pedro diz: “Por isso, também os que sofrem segundo a vontade de Deus encomendam a sua alma ao fiel Criador, na prática do bem”. I Pedro 4:19.
A bíblia no velho testamento conta a história de Jó como homem paciente que perdeu tudo que tinha. Mas, tendo ele permanecido fiel ao Senhor no meio do sofrimento, foi abençoado no final de tudo. Diz o texto bíblico: “Mudou o Senhor a sorte de Jó, quando este orava pelos seus amigos; e o Senhor deu-lhe o dobro de tudo o que antes possuíra”. Jó 42:10.
Pelo cadinho do sofrimento todos nós passamos, mas, o diferencial é saber suportar. Isso, só é possível somente ao que tem fé. O apóstolo Paulo na carta aos Romanos declara: “Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós”. Rm. 8:18.
*RADIALISTA

VERDADEIRAMENTE ELE ERA FILHO DE DEUS!

Por Paulo Roberto Barbosa*
"Ora, o centurião, que estava defronte dele, vendo-o assim expirar, disse: Verdadeiramente este homem era filho de Deus" (Marcos 15:39).
Dois incrédulos, sentados em um banco de trem, conversavam a respeito da vida maravilhosa de Cristo. Até os não cristãos não conseguem deixar de pensar em Cristo. Um deles disse:"Eu penso que um romance interessante poderia ser escrito sobre Ele". O outro respondeu: "E você é a pessoa certa para escrevê-lo. Mostre uma visão correta de sua vida e caráter. Derrube o sentimento prevalecente sobre sua divindade e descreva-O como Ele era -- um homem entre homens".
A sugestão foi aceita e o romance foi escrito. O homem que fez a sugestão era o Coronel Ingersoll; o autor era General LewWallace, e o livro era Ben Hur.
Enquanto o escrevia, o General Wallace se viu diante de um homem inexplicável. Quanto mais ele estudava Sua vida e caráter, mais se convencia de que era mais do que um homem no meio de homens. Chegou a conclusão, como o centurião debaixo da cruz: "Verdadeiramente, Ele era o Filho de Deus".
Quem tem sido Cristo para nós? Um personagem religioso? Alguém de quem muitos falam e não nos interessamos em conhecer? Alguém que existiu em um passado remoto e que hoje não existe mais? Ou alguém que não apenas transformou o mundo de Sua época mas todo o mundo que veio após Ele? Cristo é o Filho de Deus!
Ele amou o pecador e por ele morreu em uma cruz. Ele veio ao mundo para trazer paz, alegria, vida abundante e eterna. E o principal: Ele veio para mim! Ele veio para modificar o meu coração e iluminar a minha casa. Ele veio dissipar as trevas que conduzem o homem à perdição e fazer brilhar o Sol da Justiça. Ele veio para resgatar os incrédulos, os pessimistas, os solitários, os desanimados, os que sofrem em depressão. Ele veio trazer tranquilidade nos momentos de crise, ânimo no meio das tormentas, vida após a morte. Jesus é mais do que um homem entre homens -- é o Filho de Deus -- é o nosso Senhor e Salvador.
*Pastor - Ministério Para Refletir o Mundo.

TRIBUTO A GARRINCHA - O ANJO DAS PERNAS TORTAS.

Prof. Vieira (Foto)
Por Francisco Vieira*
Foi-se o tempo em que nossos ouvidos vibravam com a boa música. De forma similar, foi-se também o futebol arte. Deu adeus a era que nos deleitávamos ante a geniosidade dos nossos jogadores. Mais do que craques eles eram artistas da bola. Talentosos e donos de habilidade ímpar, com suas jogadas, inebriavam nossos olhos, satisfaziam nosso ego e nos proporcionavam momentos de raro prazer. Era como instantes de volúpia, tal qual êxtase. Com suas qualidades muitos se tornaram mundialmente conhecidos, ganharam fama e fizeram desse esporte nossa maior referência, patrimônio e orgulho.
O mundo da bola tem suas peculiaridades. A título de exemplos destacam-se os apelidos dos jogadores, dados conforme as características de cada um. Assim foi que Pelé (Santos F.C), foi cognonimado O Rei do Futebol, título honroso que faz jus pelas qualidades técnicas que o fizeram de fato o melhor do mundo. Também Ademir da Guia (Palmeiras) – O Divino, devido seu talento e habilidade jogava como um ser divinal; Nilton Santos(Botafogo) – A Enciclopédia – em matéria de futebol era um professor - sabia de tudo e mais um pouco; Jairzinho(Botafogo) – O Furacão: como uma força avassaladora rompia qualquer esquema defensivo; Paulo César(Botafogo) – O Craque da Moda: vestia-se conforme a moda; Gerson(Botafogo) – O Canhotinha de Ouro: seus lançamentos eram tão valiosos quanto o metal mais precioso; Quarentinha(Botafogo): fazia lançamentos de 40 jardas; Amarildo(Botafogo) – Papagaio: em campo falava demais; Dida(Fla) – O malabarista, ~Vavá – O leão, Clodoaldo – O corró, Leônidas da Silva – O diamante negro, Zagalo – O formiguinha etc. E, numa época mais recente destacamos: Zico – O galinho, Roberto Dinamite, Sócrates: O doutor, Romário: O baixinho, Ronaldo: O fenômeno e muitos outros, todos interessantes e bem sugestivos.
Assim foi também com Garrincha, um dos maiores jogadores do mundo ao lado de Pelé. Manoel Francisco dos Santos era seu nome de batismo, o Mane Garrincha ou simplesmente Garrincha, apelido que herdara de sua irmã em alusão a um pássaro muito comum na região serrana. Nasceu em Pau Grande, distrito de Macaé-RJ, no dia 18 de outubro de 1933, onde viveu sua infância ao lado de uma família composta de quinze irmãos.
Garrincha era de origem humilde tendo enfrentado grandes dificuldades antes da fama. Devido uma poliomielite na infância adquiriu uma distrofia física a qual lhe deixara como herança as pernas tortas. Tal defeito lhe fizera driblar a medicina que lhe julgara incapacitado a prática do futebol. Portanto, como num desafio a ciência notabilizou-se pelos seus dribles desconcertantes que se tornou sua marca registrada. Parece até que as pernas tortas contribuíam facilitando seus dribles que faziam dos marcadores motivo de chacota. Todo marcador parecia uma marionete e por isso eram chamados de “João”.
O BOTAFOGO DE FUTEBOL E REGATAS foi o clube onde se projetou e jogou a maior parte da vida, tornando-se seu maior ídolo e orgulho dos torcedores. Seu teste no “Alvinegro da Estrela Solitária” deu-se depois de várias decepções pelos clubes do Rio de Janeiro que lhe negaram qualquer chance devido seu biótipo que não era favorável. Embora não se tenha a certeza de quem o levou para o Botafogo, sabe-se que seu teste aconteceu depois de muita insistência tendo finalmente lhe oferecido uma oportunidade. Talvez para justificar sua dispensa foi marcado por ninguém menos que Nilton Santos, que já era jogador renomado, no qual aplicou sucessivos dribles impressionando a todos. Contam que o próprio Nilton Santos, que mais tarde viria a ser seu melhor amigo e compadre, aconselhou sua contratação. Percebeu de pronto suas características de craque, portanto, tê-lo como adversário seria um desconforto. Contam inclusive, em tom de gracejo, que ele disse: “contrata logo, pelo amor de Deus, senão eu nunca mais vou poder dormir sossegado”. O certo é que a partir daí o sono dos seus marcadores nunca mais foi tranqüilo e passou a ser verdadeiros pesadelos.
Garrincha defendeu o Botafogo de 1953 até 1965, onde jogou 614 partidas e marcou 245 gols. Conquistou três títulos de campeão carioca, dois do Rio-São Paulo e seis internacionais. Na seleção brasileira teve grandes participações, sendo campeão nas copas de 58 e 62, quando viveu o auge de sua carreira. Foi o grande responsável pela conquista do Bi-campeonato, pois Pelé que já era consagrado fora afastado definitivamente devido forte contusão logo no segundo jogo. Conquistou ainda a Taça Bernard O!Higgins – 55- 59 e 61; Oswaldo Cruz – 58-61 e 62 e a Copa Rocca em 60. Participou de 60 jogos e marcou 17 gols, tendo perdido apenas uma partida e vencido todas as que jogou com Pelé. Até mesmo na seleção Garrincha mostrou-se irreverente, pois nunca abandonava seus dribles, chegando a repetir a jogada desnecessariamente. Parecia até brincava. Contudo, irritava a comissão técnica, humilhava os adversários e colocava a torcida em delírios que lhe aplaudia de pé.
No final da carreira, Garrincha, já em plena decadência atuou sem sucesso pelo Corinthians, Flamengo, Olaria, Alecrim e Atlético da Colômbia, pendurando as chuteiras em 1972. Garrincha para sobreviver chegou a fazer exibições pelo interior, tendo inclusive jogado nas cidades de Patos e Cajazeiras. A prova disso está nas fotos tiradas com Admilson e Amauri Leite. A propósito o que eu também gostaria de ter feito. (Não diria uma frustração, mas tenho saudade do que eu não fiz)
A vida pessoal de Garrincha foi bastante conturbada. O craque desde cedo se manifestou ligado à farra. Dedicou parte de sua vida a noitadas amorosas sempre recheadas de bebedeiras, prática que afetou sua vida profissional. Não sabia ele que estava deixando se levar pelo alcoolismo, doença que se tornaria seu adversário invencível e que o levaria ao fracasso e a morte. Casou-se muito cedo com Nair, namorada de infância, com quem teve oito filhas. Entretanto, seu grande amor foi a cantora Elza Soares, cujo relacionamento iniciou na copa de 58, na Suécia e durou quinze anos de transtornos. Desse casamento nasceu um filho que recebeu o nome do craque e faleceu aos nove anos, vítima de acidente automobilístico. Teve ainda um romance com uma jovem chamada Iraci, com a qual teve também um filho apelidado por Neném. Coincidência ou não, também morreu de acidente aos 28 anos de idade.
Garrincha, “O anjo das pernas tortas”, como chamou o poeta Carlos Drumond de Andrade, faleceu no Rio de Janeiro no dia 20 de janeiro de 1983, vítima de alcoolismo. Ele que foi protagonista do filme “Alegria do Povo”, que encantou e ainda encanta todas as torcidas com jogadas exclusivas de gênios. Ele que fez vibrar a todos, até mesmo os que confessam aversão ao futebol; que driblou os mais duros laterais tornando todos iguais, não conseguiu driblar seu implacável marcador – o alcoolismo, pelo qual foi vencido. Enfim, faleceu Mané Garrincha, fazendo silenciar todos os estádios do mundo. Ouvi-se ainda hoje um eterno e uníssono murmurar de todas as torcidas que ainda choram inconformadas sua perda irreparável. Com certeza a camisa sete que se tornou referência para o torcedor brasileiro e de forma particular um orgulho para o botafoguense, jamais terá alguém a sua altura.
Foi-se Mané Garrincha e com ele a alegria do povo. Ele que ao lado de Pelé fora considerado pela crônica esportiva o maior jogador do mundo em todos os tempos. Perguntado, a propósito, a Nilton Santos, qual seria realmente o melhor do mundo, sabiamente respondeu: são os dois, sendo cada uma na sua posição. Seria, pois injusto apontar o melhor. Melhor mesmo para nós brasileiros que temos a maior e melhor dupla de futebolista do mundo em todos os tempos. É mais que um privilégio, é uma dádiva divina.
Garrinha, portanto, viveu os dois lados da vida, os dois extremos. Conheceu o ápice e a base, o côncavo e o convexo, o positivo e o negativo, o bem e o mal. Garrincha experimentou os ares da glória e o sabor amargo da decadência. Ele que fora homenageado no carnaval de 1982, pela Estação Primeira de Mangueira, já num estado bastante deprimente, enfim, morreu pobre e solitário. E, o que é pior, foi inclusive desprezado pelo próprio Botafogo, time que defendeu muitas vezes sob o efeito de aplicações que eram ministradas para suportar as dores nos meniscos, a fim de cumprir os compromissos milionários do clube. É que sua presença multiplicava o valor do contrato. Por incrível que pareça, o Botafogo, num gesto de ingratidão, negou a família a edificação de seu túmulo em Pau Grande, onde o craque fora enterrado. A construção do seu mausoléu deve-se a Nilton Santos, que fizera com recurso próprio, depois de várias tentativas inúteis junto à diretoria do alvinegro de General Severiano, o que lhe causara intensa revolta.
Contudo, em que pese todas essas qualidades, é provável que Garrincha não tivesse espaço nos dias de hoje. É possível que “o craque das pernas tortas” não sobrevivesse ante a mediocridade de tantas “pernas de pau”, que praticando o chamado “futebol de resultados”, se utilizam da violência, subestimando a arte, o que é belo e bom. Com essa visão, os clubes pagam salários milionários a jogadores sem talento, portanto, peças descartáveis que tão pouco iniciam a carreira já integram o rol dos esquecidos. De fato, num futebol ordinário onde prevalece a violência, realmente, não existe espaço celebridades.
Bem, vou parar, pois entendo que é impossível dizer tudo de Garrincha. Tudo o que podia ser dito a seu respeito se resume em parte da crônica de Carlos Drumonnd, que assim descreveu: “se há um deus que regula o futebol, esse deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas, como é um deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo que alimento o sonho”.
A mim, tê-lo como ídolo, é bastante. E, ainda mais, por ter jogado no meu clube do coração. Ai se justifica a minha reverência, o meu tributo a GARRINCHA – O ANJO DAS PERNAS TORTAS.
Pombal, 04 de novembro de 2.009.
*Professor, Ex Diretor da Escola Estadual "João da Mata" e Ex Secretário de Administração.

MATINÊ NO CINE LUX.

Fachada "Cine Lux" (Foto)
Antonio Dantas Maniçoba*
Eu e os de minha geração que vivenciamos a infância em Pombal, tínhamos aos domingos como lazer, invariavelmente, tomar banho no Rio Piancó pela manhã e assistir às matinês à tarde, com direito a saborear um delicioso picolé de morango na sorveteria que ladeava o Cine Lux.
Era conveniente que chegássemos cedo, não só devido às grandes filas que se formavam nas bilheterias, mas também para garantirmos um bom lugar, este estrategicamente escolhido atrás de uma cadeira onde estivesse sentado um baixinho. Como se sabe, nosso cinema tinha cadeiras de madeira maciça e o piso apresentava pequena inclinação. Sentar atrás de um “galalau” era perder o filme na certa.
Costumávamos, eu e o mano Queço, irmos sempre conferir os cartazes dos novos filmes que seriam exibidos, para selecionar quais seriam interessantes para assistirmos. Na época não havia essa facilidade de agora, onde as sinopses informam tudo. Tínhamos que interpretar o que as pequenas fotos nos cartazes queriam dizer sobre os filmes.
Nossa preferência versava sobre faroestes e filmes de Tarzan, passando pelos épicos. Infelizmente o leque de opções não era grande, mas nos deliciávamos com filmes como O Dólar Furado, Meu Nome é Pecos, Spartacus e outros mais do gênero. Aprendemos, porém, que se um filme era produzido pela MGM (a do leão rugindo), ou pela CONDOR FILMES (a do condor batendo asas), já era um indicativo de uma boa matinê.
Lembro que nos filmes da Condor, quando iniciava a apresentação da película, sempre algum gaiato de plantão começava a gritar Xô, Xô, Xô, e o condor (símbolo da produtora) batia as asas para alçar vôo, fazendo a platéia sorrir da gozação.
Muitas vezes só se dispunha de filmes ruins, como aqueles faroestes mexicanos com o Miguel Aceves Mejia, que invariavelmente terminava com este cantando a melosa “La Malagueña”. O mano Queço saía das sessões injuriado: “Como pode um faroeste terminar em música? A gente quer ver é muito tiro e perseguições!”. A verdade é que me deliciava com os falsetes da voz do inesquecível Miguel.
Mas tínhamos de assistir o que seu Afonso Mouta colocava nos domingos à tarde. Afinal, ir a uma matinê no Cine Lux era sempre mais prazeroso que o próprio filme em exibição. Hoje, em minhas constantes passagens por minha terra natal, olho o que restou do antigo cinema e minha alma é invadida por um misto de melancolia e saudosismo. Quem foi o responsável pela eliminação de um marco na infância de toda uma geração de pombalenses?
* Natural de Pombal, é professor da UFMA, Msc Eng Elétrica e Bel em Direito, residindo atualmente em São Luís-MA

RELATO DE PRÓCULA

Por Severino Coelho Viana*
O romancista autor, com sua narração especial do “Relato de Prócula”, emotivamente, deixa-nos extasiado pelas revelações, apesar de ser o estilo romanesco, expõe de forma teatralizada fatos reais e fictícios, verdades e imaginação, realidade e sonho, vivência e pensamento, religiosidade e descrença, fé e misticismo, seriedade e comicidade, com figuras reais e personagens recriadas, realidade cruel de ambiente com seu estilo intelectualizado dentro de um contexto vivenciado no mundo de uma pequena cidade sertaneja.
É o que sempre defendemos esta perspectiva de construção ante à arte de escrever com o seu poder de idealização, criatividade e transmissão de mensagem. A literatura traz um aspecto de notável importância para aqueles que lidam neste campo da arte, conduzindo como instrumento de uso a expressão de espontaneidade na divulgação de situações concretas e irreais ou somente do fruto de criação ou recriação puramente imaginativa. Esta é a arte dos sonhadores que não perdem a esperança de ver seus sonhos realizados, através da própria obra literária. Com a sua instrumentalidade de trabalho, o escritor W. J. Solha presenteia à comunidade paraibana sua mais recente obra literária intitulada de “Relato de Prócula”. As suas revelações são originárias no âmbito a que se propôs dissecá-las, diferentemente das omissões contidas nas obras de cunho religioso que fizeram de Cláudia Prócula, nos últimos momentos da vida de Jesus de Nazaré, relatando apenas um sonho a Pôncio Pilatos antes da cena do lava as mãos, como se fosse uma maneira de intercessão perante o império romano.
Justamente neste trabalho que o autor encampou os fatos realísticos e conseguiu edificar suas ideias imaginárias como se fossem possíveis torná-las palpáveis, numa obra literária, que a princípio, rebrilhou o sentimento de amor que tem a nossa Terra - Pombal. Palco de todos os acontecimentos relatados.
A inspiração do autor originou-se no sítio Mundo Novo, na cidade de Pombal, cuja viagem mental se completa na Praça da Independência, na cidade de João Pessoa, logo recebendo os fluidos magnéticos de sua capacidade intelectiva, com o drama do desenvolvimento unificado para enveredar sobre um tema universal. Como Dan Brown que emplacou “O Código da Vinci” na tentativa de desvendar o mistério da santo graal, mas com uma vantagem para o nosso autor que cuidou primeiro dos assuntos paroquiais de Pombal e elevou para dimensionamento teológico e teosófico na descrição dos fatos e das personagens do seu romance.
As pessoas nominadas no romance, são pessoas conhecidas da comunidade pombalense, que faziam e fazem parte do círculo de amizade do romancista, e este, com a habilidade de mestre na arte de escrever, transfigurou-as em personagens do “Relato de Prócula”. Apesar de ser um romance, concebe-se nas suas entrelinhas a narração e a descrição de fatos vividos e presenciados pelo próprio autor, sem a obrigatoriedade de comprovação.
A curiosidade que desperta os neurônios do leitor acopla-se na forma de externar o seu próprio sentimento, criando maravilhosamente um cenário de concretude, com diálogos vivos de encarnação das personagens quando a fantasia criadora do senso criador remete a um cenário de um palco de teatro ou uma tela gigante de uma filmagem cinematográfica. Se, realmente, não foi esta a intenção do autor, terminou deixando esta ilusão de ótica nas ondas cerebrais do leitor. Analisando por outro ângulo, a narração dos fatos no livro e a própria vida do autor se confundem, como se fossem as premissas de uma autobiografia. Neste contexto, detectam-se dois pontos de rutilância: 1) o amor a Pombal, uma paixão incontida pelo Banco do Brasil, valorização à conquista de amizade; 2) vivência com o mundo da leitura, apego à arte cinematográfica, desenvoltura para a pintura, a música, a poesia, enfim, a arte literária.
A passagem do autor pela cidade de Pombal impregnou-se no seu coração que ficou alocada na parte mais reservada de sua mente: Mundo Novo, Banco do Brasil, Cine Lux, Ginásio de Diocesano, Hospital e Maternidade “Sinhá Carneiro”, Praça Getúlio Vargas, Pombal Ideal Clube, Festa do Rosário, Bar Centenário, Rio Piancó, Feira-Livre, O salário da Morte, ruas e avenidas da cidade interiorana. Encontram-se nas suas próprias palavras a vivência com os costumes da terra pombalina: “Pela feira, em sábados de manhã, passando por aquele mundo de sacos de fumo de rolo, exposições de panelas, enxovais de batizados e casamentos, os olhos enchendo-se com a cor de ferrugem dos gibões de couro dos vaqueiros, com o banco dos porta-seios”... “Acordar com o cheiro gostoso do café sendo coado, ouvir os guizos das cabras, chocalhos das vacas, uma zoada de passarinhos em farra nas árvores”...
A leitura do livro “Relato de Prócula” mostra ao leitor, leva e propõe uma viagem cultural quase sem fim no terreno do conhecimento artístico, a nave tem embarcação na Bíblia Sagrada, apresenta aos seus passageiros filósofos e chega ao desembarque com um sorriso nos lábios com o show de chanchadas de Oscarito e Grande Otelo. A título de ilustração, que tal conhecer, “O Gustavo von Aschenbach, de Monte em Veneza; Don Fabrízio Salina, de O Leopardo; a Marquesa de Merteuil, de Ligações Perigosas; o Don Vito Corleone, de O Poderoso Chefão; o Salieri, de Amadeus; o Roger Verbal Kint, de Os Suspeitos; a Gelsomina, de La Strada; a Capitu, de Machado de Assis; a Diadorim, do Guimarães Rosa; o Zelig, de Wood Allen; o Hannibal Lecter, de O Silêncio dos Inocentes; o Neto, de Bicho de Sete Cabeças; o Pistoleiro, de o Invasor; o Randle, de Um Estranho no Ninho; o Ethan, de Rastro de Ódio”...
O “Relato de Prócula” é um livro que questiona os mistérios do universo, no aspecto religioso e da forma como eles foram traduzidos e repassados de geração a geração, em nome da fé, com o timbre especial para as questiúnculas de Pombal, que recomendamos ao bom leitor, desprovido do carimbo da censura, afastando do fanatismo religioso desenfreado, que compre a sua senha, logo ingresse no ônibus desta viagem espacial. João Pessoa, 01 de novembro de 2009.
*Pombalense e Promotor Público. scoelho@globo.com

JOSÉ BENIGNO DE SOUSA - SEU LELÉ.

Jerdivan N. Araújo (Foto)
Jerdivan Nóbrega de Araujo*
A nossa família, do ramo e da nossa avó paterna, como é comum em famílias judaicas, dispensava um respeito todo especial ao seu patriarca, que funcionava como uma espécie de líder conselheiro. Desta prática, a informação mais remota que tenho conhecimento, vem desde a chegada dos irmãos João Ignácio Cardoso D’Aarão e Francisco Ignácio à Cidade de Pombal, no começo do século XIX, originários do sítio Jacoca, hoje Conde, do engenho Forte Velho e do engenho Tibiri, localizado no município de Santa Rita.
Quando menino eu me acostumei a ouvir minha avó, e depois meu pai e meus tios, se referirem ao patriarca e líder “Pai D’ Airão”, e depois “Pai Benigno” que viveram no inicio e no final do XIX respectivamente. Acredito que eles, meus tios, não os tenham alcançados, mas de tanto ouvi-los falar, fortaleceu em mim a imagem homens rígidos que exerciam no seio familiar as suas devidas autoridades, de forma que não se tomavam decisões sem antes ouvi-los.
Outros patriarcas e líderes surgiram no seio da nossa família e, do último, eu me lembro muito bem. Ouvi dele conselhos no meu tempo de adolescente e também ouvi, por diversas vezes, o meu pai dizer coisas como: não tomo nenhuma decisão sem antes ouvir Lelé; Falei com Lelé e ele não concordou etc, etc...
Pois bem, foi Lelé ou José Benigno de Sousa o último dos lideres da nossa família, e o único com quem convivi e aprendi algumas lições de vida, que ainda hoje carrego comigo. Não era homem de chamar atenção em público, mas, era destes que com um olhar já sabíamos que havíamos nos metidos em encrencas.
Na minha adolescência muitas vezes “cortei o caminho” para não cruzar com Lelé, pois sabia que ele veria nos meus olhos que algo de errado eu havia feito. Quantas vezes eu ouvi a frase: “Amanhã quero falar com você ás 09 horas lá na alfaiataria” . Ai de mim se não estivesse na alfaiataria, em dia e hora marcada, para o costumeiro sermão.
Certa vez, na “Outra banda” terra dos nossos avôs, ele pediu que eu plantasse um pé de manga, e disse: “em dez anos ela já vai botar os primeiros frutos”. Respondi que era muito tempo e que não valia a pena. Lelé me levou até a parte alta do sitio mostrou uma frondosa mangueira, ali existente e perguntou se eu sabia por que aquela mangueira era conhecida por todos da família como o “pé de manga de Lelé”. Respondi que meu pai havia dito era por que ele, Lelé, quem a plantou. Ele insistiu: “você já me viu colhendo manga ai?” Respondi que não, ai ele disse: quando eu plantei esta mangueira eu também pensei que ia morrer e não a via botar, mas sabia que alguém um dia ia colher aquelas mangas. Era o espírito socialista, de um homem que se doava para atender as necessidades dos outros. Um líder!
Tenho muitas outras boas lembranças de José Benigno de Sousa ou Seu Lelé, mesmo por que eu tive a satisfação de conviver com ele durante boa parte da minha infância, naquela alfaiataria, onde ele ensinou esta arte ao meu pai, o que nos deu o sustento por muitos anos.
Nascido dia 22 de outubro de 1910, faleceu no dia 12 de janeiro de 1996 aos 86 anos. Era filho de Felemon Estevão de Sousa e Ana Benigno de Sousa, estes meus bisavós.
Lelé casou-se em 1948 com Elisa Abrantes de Sousa, nascendo da união: Eliezer Gandhi Abrantes de Sousa - Engenheiro civil (in memória), Elisane – Assistente Social, Verneck Abrantes de Sousa – Engenheiro Agrônomo, Eliene – Formada em Enfermagem, Maria do Socorro – Universitária em Psicóloga(in memória), José Filho - Economista, Francisco José – Ciências Contábeis, Economista e advogado, e Cândida Abrantes de Sousa.
Exerceu várias atividades: trabalhou na agricultura nas terras da sua mãe, foi “apontador de trabalhadores” na construção da linha do trem, manteve uma alfaiataria por muitos anos como profissão maior. Em 1955 foi eleito vereador e reeleito mais cinco vezes, vivendo a política pombalense por 29 anos de vereança, quando se deu a sua última legislatura, a de 1983 a 1988, já com a saúde precária.
Lelé não fazia campanha ostensiva, limitando-se a conversas nas ruas e visitas a casa dos seus eleitores amigos. Sequer fazia “santinhos” ou cartazes. A divulgação da sua imagem era feita pelos seus familiares e pelos que tinham por ele o respeito que se tem por um homem sério e pela própria história da família Benigno Cardoso.
Foi o vereador com mais tempo na Câmara Municipal de Pombal, o pombalense que por mais tempo presídio a S.A.O.B, Sociedade Artística e Operária Beneficente, mais conhecida como a SEDE a mais antiga sociedade beneficente do município, fundada no dia 8 de julho de 1934 pelo músico, Francisco Ribeiro. No final dos anos de 1940, José Benigno – Seu Lelé assumiu a Presidência da Sociedade e permaneceu na mesma por 43 anos.
Na década de 1950, com verbas do governo federal, intermediadas por Dr. Janduhy Carneiro, José Benigno construiu os dois prédios da sua sede própria, e que serviram por muitos anos como instituição de ensino fundamental. Ali funcionou o primeiro cinema da cidade, também, muito utilizada para reuniões da classe operária, encontros para as noites de mágicas do professor Guimarães, festas sociais, local da realização dos grandes carnavais de antigamente e primeira biblioteca pública da cidade de Pombal, com livros de autores brasileiros e da literatura universal. Além a Sede, Lelé construiu um patrimônio físico para Sociedade Artística e Operária Beneficente, a exemplo: - Construção de unidades residenciais para seus associados. - Criação e instalação a primeira Biblioteca Pública de Pombal. - Construção de túmulo no Cemitério N.S. do Carmo para os associados. - Construção da sede própria e anexo.
Desenvolveu programas assistências que, até hoje, são inovadores, como o apoio à melhoria de renda dos associados, oferecendo cursos de capacitação e concessão de máquinas de costuras, em sistema de rodízio. Mantinha um serviço assistencial médico e odontológico permanente aos seus associados, bem como ajuda emergencial.
Lelé foi um homem de procedimentos exemplares. Uma lembrança de integridade moral, honestidade e de grandes amizades. Era comum parar os filhos de seus amigos na rua para saber sobre a família ou com intuito de aconselha-los, a pedidos dos próprios pais desses adolescentes.
Cumprimentava todos que encontrava pelo seu caminho, independente da classe social ou idade. Tinha um grande amor pela política, à cidade e ao povo pombalense. Lembrar é homenagear as qualidades íntegras deixadas por ele; é ressaltar os valores humanos da nossa Pombal.
Lelé foi o ultimo líder dos Benignos e Cardosos, responsável pela agregação da família e que nos dias de hoje faz a devida falta, quando em certos momentos da nossa vida se procura a sabedoria de líder, de um guardiã para um bom conselho.
*Escritor Pombalense.

RUA DO COMÉRCIO.

POR ANTONIO DANTAS MANIÇOBA*
Nasci na Rua Nova, próximo à matriz, poucas casas adiante da dos líderes políticos Ruy e Janduhy Carneiro. Poucos anos após nos mudamos para a Rua do Comércio, onde desenvolvi a melhor fase de minha infância e ganhei a alcunha de Novo. Minha rua tinha o privilégio de começar com uma igreja e terminar com um colégio. Está aí um diferencial e tanto, sem contar que através dela é que se tinha acesso ao único estádio de futebol da cidade de Pombal.
A Rua do Comércio, nos anos sessenta, não tinha calçamento. Quando ocorriam chuvas torrenciais, a garotada se divertia tomando banho de “biqueira” ou soltando barquinhos de papel nos longos riachos que se formavam rua abaixo. Era diversão para os jovens e satisfação para os adultos, na esperança de que o inverno fosse promissor para uma economia com base na produção agrícola. “Se continuar chovendo assim, meu filho, em breve estaremos comendo pamonha e canjica à vontade” – dizia meu pai Deoclécio Maniçoba.
Mas o que encantava mesmo a Rua do Comércio de minha juventude era o burburinho das pessoas que necessariamente por ali passavam, quer para ir orar na Igreja do Rosário, quer – em sentido inverso – freqüentar aulas no Colégio das Freiras ou no Grupo Escolar João da Mata.
Era no Colégio das Freiras onde estudavam as moçoilas mais bonitas da cidade. Lembro que sempre ficava na janela de minha casa observando o passar das lindas normalistas, com seus uniformes de saias plissadas azul-marinho, blusas e meias brancas, e sapatos pretos de bicos ovalados. Quantas normalistas me enchiam os olhos de garoto, indo da beleza sutil de Rosarinha ao esplendor de Claubeth! Pensamentos povoavam minha mente: “Quando crescer, vou me casar com uma dessas!” Mas, minha rua também tinha outras características interessantes.
Com os poucos trocados que conseguia, dois destinos estes tomavam. Ou me deliciava com os Cavalinhos de Goma da mercearia de D. Joana, ou com o pão com manteiga da bodega do Toinho. Nada se comparava a essas iguarias. Pense num lanche em que oportunista nenhum se omitia em pedir um naco! Os moradores da rua eram figuras de reputação ilibada e de cordialidade a toda prova. Como esquecer do brincalhão Biró, D. Cora , Seu Cícero, Seu Lelé, D. Guiomar, Dr. Lourival, Seu Mizinho, Seu Álvaro, Dona Niní, Leó Fotógrafo e tantos outros, além de Marisa e Chiquita – que sutilmente me fizeram entender o significado da palavra amizade – pela convivência fraterna e duradoura que tiveram com minha única irmã Tota – de saudosa memória. Com tantas características positivas, minha rua já delineava bons frutos para as futuras gerações de moradores.
Não poderia ser de outra forma para um logradouro que começa com uma igreja e termina com um colégio. Dali surgiram grandes filhos de Pombal e até promissores escritores e historiadores, como despontam Romero Cardoso e Verneck Abrantes. Após tantos anos longe da minha cidade e da minha rua, saudosista que sou, quando por ali passo em trânsito para João Pessoa, quase sempre alta noite, ouço o som do silêncio madrugal e, às vezes, porque não, o burburinho suave das lindas normalistas do Colégio das Freiras.
* Filho de Pombal, MSc. Eng. Elétrica/UFCG, Professor da UFMA e acadêmico de Direito.
postado porJerdivan Nobrega de Araújo

31 DE OUTUBRO DE 1517 - DIA DA REFORMA PROTESTANTE! DIA 31 DE OUTUBRO DE 2009 - 492 ANOS DA REFORMA!

Pastor Claudio Alves da Silva (Foto)
O QUE FOI A CONTRA-REFORMA?
Preocupados com os avanços do protestantismo e com a perda de fiéis, bispos e papas reúnem-se na cidade italiana de Trento (Concílio de Trento) com o objetivo de traçar um plano de reação. No Concílio de Trento ficou definido: 1. Catequização dos habitantes de terras descobertas, através da ação dos jesuítas;2. Retomada do Tribunal do Santo Ofício - Inquisição: punir e condenar os acusados de heresias;3. Criação do Index Librorium Proibitorium (Índice de Livros Proibidos): evitar a propagação de idéias contrárias à Igreja Católica. “Sob a Lei do Santo Ofício, ou da Santa Inquisição, a Igreja Católica Romana ao longo da sua história matou milhares de crentes protestantes que tinham aceitado a Jesus como salvador”.
UM POUCO DA HISTÓRIA DE MARTINHO LUTERO
O monge alemão Martinho Lutero foi um dos primeiros a contestar fortemente os dogmas da Igreja Católica. Afixou na porta da Igreja de Wittenberg (Na Alemanha) as 95 teses que criticavam vários pontos da doutrina Católica Romana.
As 95 teses de Martinho Lutero condenava a venda de indulgências. De acordo com Lutero, a salvação do homem ocorria pelos atos praticados em vida e pela fé. Embora tenha sido contrário ao comércio, teve grande apoio dos reis e príncipes da época. Em suas teses, condenou o culto a imagens e revogou o celibato. Martinho Lutero antes de se tornar um crente na Pessoa do Senhor Jesus; o mesmo foi monge e teólogo Católico Romano.
31 DE OUTUBRO DE 1.517 – DIA DA REFORMA PROTESTANTE
Dia 31/10/2009 – Comemorou-se os 492 Anos da Reforma.
O processo de reformas religiosas teve início no século XVI. Podemos destacar como causas dessas reformas: abusos cometidos pela Igreja Católica e uma mudança na visão de mundo, fruto do pensamento renascentista.
A Igreja Católica vinha, desde o final da Idade Média, perdendo sua identidade. Gastos com luxo e preocupações materiais estavam tirando o objetivo católico dos trilhos. Muitos elementos do clero estavam desrespeitando as regras religiosas, principalmente o que diz respeito ao celibato. Padres que mal sabiam rezar uma missa e comandar os rituais deixavam a população insatisfeita.
A burguesia comercial, em plena expansão no século XVI, estava cada vez mais inconformada, pois os clérigos católicos estavam condenando seu trabalho. O lucro e os juros, típicos de um capitalismo emergente, eram vistos como práticas condenáveis pelos religiosos.
Por outro lado, o papa arrecadava dinheiro para a construção da basílica de São Pedro em Roma, com a venda das “INDULGÊNCIAS” (venda do perdão divino, venda da salvação, tipo uma cobrança de pedágio eclesiástico, para a alma do pecador entrar no céu). No campo político, os reis estavam descontentes com o papa, pois este interferia muito nos comandos que eram próprios da realeza.
O novo pensamento renascentista também fazia oposição aos preceitos da Igreja. O homem renascentista começava a ler mais e formar uma opinião cada vez mais crítica. Trabalhadores urbanos, com mais acesso a livros, começaram a discutir e a pensar sobre as coisas do mundo. Um pensamento baseado na ciência e na busca da verdade através de experiências e da razão. No contexto sócio-político e religioso acima descrito, Deus levantou Martinho Lutero.
"E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos". Atos 4:12.
"SÓ O SENHOR JESUS SALVA"!
Pr. Cláudio Alves da Silva – Pesquisa.
Fonte: Boletim 92 da Igreja Evangélica Congregacional de Pombal-PB.

A LUA E HOMEM.

Severino Coelho Viana (Foto)
Por Severino Coelho Viana*
A lua geofisicamente é o satélite natural do planeta Terra, mas poético e liricamente é o mundo dos poetas e dos sonhadores onde encontram inspiração e dos enamorados da noite que procuram um ponto de referência para a evasão dos sonhos irrealizáveis e das esperanças do porvir. Dimensiona-se como um vasto campo para o mundo supersticioso que alimenta as satisfações oníricas e descreve as linhas imaginárias do agouro e do insucesso no caminho insondável do mundo místico. É o luar encantador das caatingas no sertão nordestino e um quadro desenhado pelo pintor da natureza quando visto da orla marítima que embeleza o marejar das ondas do mar.
E a confusão continua e continuará por muito tempo ainda no âmbito das duas alas que acreditam ou não na aterrissagem do homem no solo lunar depois de quarenta anos que se passaram, ocorrido no dia 20 de julho de 1969. A polêmica é salutar, faz parte do jogo democrático, e cada ala tem fortíssimos argumentos na defesa de suas proposições. Os realistas afirmam que sim, os oponentes asseguram que o fato não passou de uma tremenda conspiração planejada pela NASA.
Antes, porém, de adentrar no âmago da discussão, o homem de cultura mediana cada um tem as reservas para os aspectos lunares de acordo com o seu próprio sistema interior de observação da vida e dos fatos. A lua é muitas vezes encarada de forma negativa - O que talvez se deva ao fato de, ao contrário do Sol, não ter nem gerar luz própria. A variação aparente de sua forma permaneceu durante muito tempo misteriosa. Também se especulou muito sobre a influência indecifrável que este satélite da Terra exercia sobre as mulheres, o humor dos indivíduos (até provocar a loucura, pretende a lenda), o movimento das marés e as ondas do mar. A selenologia, ou estudo da Lua, afirma que a fase quarto crescente favorece tudo o que cresce, quer se fale de empreendimentos, da cultura da terra, da felicidade ou de infelicidade (até à lua cheia, incluindo essa data); a quarto minguante é 'favorável' a tudo o que declina e se fortalece do interior (as colheitas...). Cortar o cabelo ou as unhas, praticar uma sangria ou um purgante: todas estas operações estavam outrora sujeitas às datas das fases da Lua. Influência sobre os animais - Em Espanha, outrora, evitavam-se cuidadosamente os períodos de lua cheia para matar um porco; na verdade, temia-se que a carne se deteriorasse rapidamente e que se tornasse impossível conservá-la. Além disso, consta que os bezerros e os cordeiros concebidos durante esta fase não sobrevivem ou dão origem a partos difíceis. A linha da Lua - de noite, quando a Lua está visível, o seu reflexo desenha no mar uma linha que os pescadores irlandeses evitam passar por cima. O halo da Lua - este halo, quando aparece, anuncia chuva.
O nome do módulo, Apolo XI, chamava-se de Águia, e a águia é uma ave de rapina, quando Neil Armstrong pisou no solo lunar falou: “este é um pequeno passo para o homem, mas um gigante salto para a humanidade”.
Uma análise interessante, que combina com as linhas misteriosas do aspecto lunar, depois de decorridos 40 anos, dos três astronautas que compunham a cápsula , somente Neil Armstrong e Buzz Aldrin pisaram o solo lunar, enquanto Michael Collins ficou dentro do módulo espacial. Todos os três têm a mesma idade, nasceram no ano de 1930. A vida dos dois que pisaram no solo lunar, parece que se conjugam com o sentido supersticioso da lua e não enveredaram muito para o lirismo poético. Por exemplo, Neil Armstrong se recusa a falar categoricamente sobre a viagem lunar e não dar autógrafo. Não gosta quando divulga comercial usando o nome dele. Em 1994, ele processou Hellmar Cards porque usou a sua imagem sem permissão. Em 2005, processou o barbeiro porque vendeu um molho de cabelo sem sua autorização. Por ocasião do divórcio, com sua primeira esposa, ela alegou que foram “anos de distância emocional”. Todavia, ele vive com a segunda esposa, Carol.
Buzz Aldrin, que pisou com Armstrong o terreno lunar, no retorno a Terra, caiu em depressão, leva uma vida de alcoólatra e permanece com colapso de nervo. Divorciou da primeira esposa e já se casou três vezes, sendo totalmente desligado com os assuntos familiares. Enquanto isso, Michael Collins, o único que não pisou o solo lunar, pois ficou no recinto do módulo espacial, por incrível que pareça, por ter ficado o menos famoso dos três astronautas, é o único que vive uma vida tranquila ao lado de sua primeira esposa, Pat.
Por outra banda, a teoria da conspiração à aterrissagem lunar, com os seus fortes indícios de convencimento, dentre tantos defensores, podemos citar, Marcus Allen, um famoso fotógrafo inglês, de carreira profissional, distribuidor da magazine Nexus, afirmou que a aterrissagem do homem na lua, não passou de uma tremenda fraude. Á época do fato, foram notícias omitidas, houve conspiração e assuntos inexplicados, alegando que o noticiário está completo de dúvidas, indicando que os trajes espaciais são inadequados, ineficácia da câmera de filmagem, não tinha visor nem focalizador e não tinha fotômetro de câmera uma vez que os pilotos não dispunham de lentes sofisticadas. A velocidade e o obturador eram manuais e precisavam ser recarregados. Para isso, eles teriam que fazer um trabalho muito resistente para suportar a pressão interna, levantando as seguintes questões: 1) as estrelas não aparecem na fotografia: 2) a bandeira flutuava quando na lua não tem vento; 3) a cápsula ficou plana na superfície lunar; 4) Neil Armstrong se recusa terminantemente a falar sobre a aterrissagem lunar; 5) a tecnologia da época era primitiva e incompatível com a nossa realidade. Isto é, se fosse hoje era possível fazer toda aquela filmagem divulgada pela NASA.
Esclarecendo resumidamente o projeto Apolo: Em 25 de maio de 1961, o presidente John F. Kennedy estabeleceu para os Estados Unidos a meta de, antes do final daquela década, colocar um homem na Lua e trazê-lo de volta com segurança a Terra.
Em 27 de janeiro de 1967, um incêndio a bordo da Apolo I matou três astronautas norte-americanos. Um curto-circuito pôs fogo na atmosfera de oxigênio puro da cápsula espacial, produzindo em segundos, muitíssimo calor. A mistura atmosférica depois foi alterada, tornando-se mais segura. Melhorias nas cápsulas Apolo, bem como em várias missões orbitais lunares Apolo, resultaram na aterrissagem triunfal da Apolo XI na Lua, no dia 20 de julho de 1969. A inscrição na placa do módulo de alunagem dizia: "Neste local homem do planeta Terra pela primeira vez pisou na Lua, julho de 1969 d.C. Viemos em paz em nome de toda a humanidade." Por ocasião do encerramento do programa Apolo, os astronautas norte-americanos tinham passado cerca de 160 homens-hora explorando a Lua, a pé e utilizando exploradores movidos à eletricidade. Os astronautas conduziram muitas experiências de vários tipos e trouxeram, ao todo, aproximadamente 360 quilos de rochas e solo lunar de suas missões.
AS PRINCIPAIS MISSÕES APOLO FORAM AS SEGUINTES
Apolo VIII: 21 a 27 de dezembro de 1968, fotografou a Lua enquanto estava em órbita. Os astronautas dessas missões foram Borman, Lovell e Anders. A Apolo VIII trouxe uma série notável de fotografias coloridas do lado escondido da Lua.
Apolo X: 18 a 26 de maio de 1969, foi um vôo orbital lunar tripulado pelos astronautas Stafford, Young e Cernan.
Apolo XI: 16 a 24 de julho de 1969, a primeira alunagem tripulada realizada pelos astronautas Armstrong e Aldrin. O astronauta Collins comandou a nave-mãe que permaneceu na órbita lunar, esperando o retorno dos primeiros homens a andar no solo Lua.
Apolo XII: 14 a 24 de novembro de 1969, outra alunagem lunar bem-sucedida, os astronautas Conrad e Bean caminharam na Lua e o astronauta Gordon ficou em órbita lunar aguardando seu retorno.
Apolo XIII: 11 a 17 de abril de 1970, astronautas Lovell, Swigert e Haise a bordo. A Apolo XIII foi o malfadado vôo, não foi tentada a aterrissagem na Lua por causa de uma misteriosa explosão ocorrida anteriormente num dos tanques de oxigênio. Porém, os astronautas da Apolo XIII cumpriram suas missões fotográficas a partir da órbita lunar.
Apolo XIV: 31 de janeiro a 9 de fevereiro de 1971, chegou à Lua sem dificuldades e aterrissou com segurança. Os astronautas Shepard e Mitchell caminharam na Lua enquanto o astronauta Rossa pilotava a nave-mãe na órbita lunar.
Apolo XV: 26 de julho a 7 de agosto de 1971, outra missão de aterrissagem bem-sucedida, os astronautas Scott e Irwin realizavam experiências na Lua, enquanto o astronauta Worden esperava seu retorno na nave-mãe. Deve-se dizer que todos os astronautas que pilotavam a nave-mãe tinham sua parte de experiências a realizar, bem como numerosas missões fotográficas. Além disso, as mensagens de rádio enviadas pelos astronautas que estavam na Lua eram transmitidas a Terra pela nave-mãe. O público deve entender que os astronautas que não puderam andar na Lua merecem tanto respeito e crédito quanto os que andaram.
Apolo XVI: 16 a 27 de abril de 1972, aterrissou na Lua, e os astronautas Young e Duke realizaram experimentos na superfície. O astronauta Mattingly ficou orbitando a Lua, esperando o regresso de seus companheiros exploradores lunares.
Apolo XVII: 7 a 19 de dezembro de 1972. Foi a última missão Apolo de alunagem, o local de alunagem ficava no vale Taurus-Littrow. A tripulação da Apolo XVII era composta pelo astronauta Cernan, cientista astronauta Schmitt, e o astronauta Evans, que ficou circulando na órbita lunar.
João Pessoa, 29 de outubro de 2009.
*Pombalense e Promotor Público em João Pessoa - PB. scoelho@globo.com

CUIDADO! FRÁGIL...

Clemildo Brunet (Foto)
CLEMILDO BRUNET*
As palavras acima servem de alerta e são encontradas em caixas ou caixotes de embalagens de produtos que são transportados de um lugar para outro; algumas delas acrescidas das recomendações: “Este Lado Para Cima ou Se Estiver Violado Não Receba”. Chama-nos atenção para o fato de termos cuidado não somente com a embalagem, mais o conteúdo dentro dela. Infelizmente nós seres humanos não damos conta da nossa fragilidade no nosso relacionamento com o próximo. Bom seria se cada um levasse na sua embalagem de modo bem visível para que os outros vissem - o indicativo: Cuidado! Frágil...
O conteúdo vale mais que a embalagem, se não fora assim, não estaria rodeado de tantas advertências; no entanto, fica claro que a embalagem é quem chama atenção, pois nela consta o que o produto oferece ao usuário, o que na maioria das vezes torna-se uma propaganda enganosa. É o exterior aparentando aquilo que não é no interior. Nós seres humanos somos tão frágeis, “permita-me a comparação”, que não nos apercebemos disso, uma lástima! O apóstolo São Tiago nos adverte como deve ser nossa ação no relacionamento com os nossos semelhantes.
“Pois toda espécie de feras, de aves, de répteis e de seres marinhos se doma e tem sido domada pelo gênero humano; a língua, porém, nenhum dos homens é capaz de domar; é mal incontido, carregado de veneno mortífero. Com ela bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma só boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não é conveniente que estas coisas sejam assim”Tg.3:7-10.
No final o apóstolo faz uma analogia que uma fonte que jorra água doce não pode dar o que é amargoso, nem a figueira produzir azeitonas ou a videira figos, e ainda é taxativo: “Fonte de água salgada não pode dar água doce”.
Desconhecemos a realidade das coisas quando lidamos com a nossa sensibilidade ou a sensibilidade do nosso próximo. Não sabemos o que o magoou ou quando ficamos magoados, deste modo o conteúdo (produto) que está no nosso âmago se manifesta, sem nenhuma percepção que no invólucro, mesmo escondido, está advertência: Cuidado! Frágil...
Somos frágeis no conteúdo; carne e osso, porém não queremos jamais admitir que a embalagem “nosso exterior”, mostre aos outros a nossa fragilidade; aí, atritamos nossa consciência com ressentimentos, mágoas, desgostos etc. O perigo é reciclar a embalagem e não fazer o mesmo com o produto. Jesus Disse: “Ninguém põe remendo de pano novo em veste velha; porque o remendo tira parte da veste, e fica maior a rotura. Nem se põe vinho novo em odres velhos; do contrário, rompem-se os odres, derrama-se o vinho e os odres se perdem. Mas põe-se vinho novo em odres novos, e ambos se conservam”. Mt.9:16,17.
Enganamos a nós mesmos quando nos apresentamos de um modo e não somos aquilo que aparentemente a nossa embalagem apresenta; bonita, bela, etc. Jesus, onisciente e conhecedor da natureza dos homens, disse para os seus patrícios, o que eles eram na realidade por trás da aparência de suas embalagens. “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia”. Mt.23:27.
Cuidemos, pois não só da embalagem, mas do conteúdo que está dentro!
*RADIALISTA

"DOUTOR, TENHO O CORAÇÃO CRESCIDO"

Mª do Bom Sucesso L. Fernandes Neta*
Muitas vezes, nós, profissionais da saúde, nos deparamos com essa afirmação. Dentro desse contexto, será abordada a Doença de Chagas, a qual comemora, em 2009, seu centenário. A patologia a ser descrita foi descoberta em abril de 1909, por Carlos Chagas, pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz, representando um marco na história da medicina.
No tocante à epidemiologia, atualmente, há cerca de 12 milhões de portadores da doença na América Latina e aproximadamente 2,5 milhões de pessoas infectadas no Brasil, existindo áreas endêmicas em quase todo o país. Além disso, em 1990, a mortalidade pela doença de Chagas foi estimada em 3,9/100.000 habitantes no Brasil.
A doença de Chagas ou Tripanossomíase Americana é uma patologia infecciosa, de curso crônico, e que tem como agente etiológico um protozoário parasita, chamado Trypanosoma cruzi. A transmissão pode ser: vetorial, transfusional, vertical (durante a gravidez) ou por via oral (caso de contaminação por ingestão de caldo-de-cana contaminado com fezes do “barbeiro”, em Santa Catarina), sendo mais comum a primeira forma.
O vetor (agente que transmite a doença) é um inseto, o triatomíneo, conhecido popularmente como “barbeiro” ou “chupão”, o qual possui hábitos noturnos, vive em frestas de casas de pau-a-pique, tocas de animais, casca de troncos de árvores, dentre outros.
Tal inseto, ao se alimentar do sangue de animais (cão, tatu, gambá, rato, entre outros) e/ou outros humanos contaminados, se infecta e, ao picar um indivíduo saudável, deposita suas fezes (contaminadas com o parasita). O indivíduo coça o local da picada, espalhando as fezes do inseto, que entram em contato com solução de continuidade da pele/mucosas e, dessa forma, há contaminação com o T. cruzi.
As manifestações clínicas da doença são várias, apresentando alterações peculiares nas respectivas fases: aguda, indeterminada e crônica. A fase aguda dura cerca de dois a quatro meses e é caracterizada por parasitemia alta (grande quantidade de parasitas na circulação sanguínea). Algumas vezes, pode ser sintomática ou oligossintomática.
No local da picada pelo vetor, observa-se o chamado chagoma de inoculação (área vermelha e endurecida); quando essa lesão é próxima aos olhos, é conhecida como sinal de Romaña. Além disso, o paciente apresenta adenomegalia em linfonodos próximos à lesão.
Após um período de incubação (5-14 dias), o paciente apresenta febre (prolongada e recorrente), linfoadenomegalia generalizada, rash cutâneo (vermelhão generalizado). Pode haver alterações cardíacas, hepatomegalia, esplenomegalia. Em casos graves, o indivíduo pode apresentar quadro de meningite ou encefalite.
Com o término da fase aguda (aparente ou inaparente), caso não seja feito tratamento específico, o paciente evolui para a fase crônica.
A fase indeterminada é uma forma crônica, na qual o paciente apresenta exame sorológico positivo para a doença, no entanto não tem alterações identificáveis por exames específicos. Esta fase pode durar toda a vida ou, após cerca de 10 anos, pode evoluir para outras formas. Na fase crônica, o indivíduo pode apresentar alterações cardíacas e/ou digestivas ou ainda em outros órgãos, sendo estas menos comuns.
Acerca das alterações cardíacas, constata-se que entre os indivíduos infectados, aproximadamente 25-35% apresentam comprometimento cardíaco. Outro dado pertinente: dos casos que evoluem mal, 91% apresentam insuficiência cardíaca. Causam importante limitação no chagásico crônico e provocam alto percentual de mortes.
O paciente pode ser assintomático (com alterações no eletrocardiograma) ou apresentar desde arritmias, acidentes tromboembólicos, insuficiência cardíaca até morte súbita. Vale ressaltar ainda que, uma das principais características do paciente chagásico de longa data é a presença de cardiomegalia (observada na radiografia de tórax), o famoso “coração crescido”, referido no título do artigo.
Sobre os danos ao trato digestivo, há principalmente complicações relacionadas aos plexos nervosos, envolvendo alterações na motilidade e morfologia, resultando em megaesôfago ou megacólon, esôfago e intestino grosso dilatados, respectivamente. Tais alterações podem ser observadas através de exames radiológicos contrastados.
Para se fazer o diagnóstico, deve-se suspeitar da patologia (paciente oriundo de áreas endêmicas, contato prévio com “barbeiro”), avaliar sintomatologia do indivíduo e recorrer a exames laboratoriais, os quais compreendem: métodos parasitológicos, para identificação do parasita e/ou métodos sorológicos, para detecção da resposta imunológica do hospedeiro.
O tratamento vai depender da fase da doença. Sob supervisão médica, existe terapêutica satisfatória usada na fase aguda, a qual deve ser instituída precocemente. Já na fase crônica, são utilizados recursos diversos a depender das complicações existentes.
No caso da doença de Chagas, a prevenção é a melhor medida. Deve-se evitar contato com o “barbeiro”, visto que não se sabe qual deles pode estar contaminado com o T. cruzi e portadores do parasita, mesmo que assintomáticos, não podem doar sangue.
Portanto, para erradicar a doença de Chagas, como medida de vigilâncias sanitária e epidemiológica, devem ser realizadas: eliminação do inseto transmissor ou manutenção do mesmo afastado do convívio humano.
Como diria o dr. Fernando Lianza Dias (cardiologista e cordelista): “Só se conhece a vitória/se todo mundo ajudar/ Aí chegará o dia/ Dessa doença acabar”.
*Mais conhecida por Cessinha, 20 anos, natural de Patos, acadêmica do 7° período de medicina da Faculdade de Ciências Médicas de Campina Grande, filha de Francisco F. da Silva Júnior e Zeneida Furtado L. Fernandes, titulares da Hiperfarmacia Bom Sucesso em Patos-PB.

XV FESERP - FESTIVAL SERTANEJO DE POESIA - PRÊMIO AUGUSTO DOS ANJOS 2009.

REGULAMENTO
I – DO EVENTO E SEUS OBJETIVOS: Art. 1º O XV FESERP Festival Sertanejo de Poesia, é uma realização da APC - Acauã Produções Culturais e do Ponto de Cultura Casa da Cultura Antonio Nóbrega e será realizado na cidade de Aparecida PB, no período de setembro a dezembro de 2009. Art. 2º Poderão inscrever-se no XV FESERP todos os poetas, de todas as regiões de qualquer país, independentes de estilo, gênero ou nacionalidade, que concorrerão em absoluta igualdade. Art. 3º As obras devem ser exclusivas no idioma português, sendo inéditas e originais. Art. 4º O XV FESERP tem como objetivos: a) A promoção dos poetas, favorecendo o intercâmbio de idéias na busca de espaços para divulgação dos mesmos; b) Fomentar a discussão entre artistas e população, criando espaços para manifestações entre educadores e educandos, para um maior crescimento cultural; c) Homenagear o mais expressivo poeta paraibano Augusto dos Anjos (Paraibano do Século XX) concedendo aos vencedores um troféu que traz seu nome; d) Descobrir novos talentos da poesia nacional.
II - DAS INSCRIÇÕES: Art. 5º As inscrições deverão ser feitas no Ponto de Cultura Casa da Cultura Antonio Nóbrega, Rua Cecílio Abrantes, s/n, CEP 58823-000, Fones: 0xx-83. 9112.2515 Aparecida /PB. E-mail: feserp@ig.com.br e apcfeserp@bol.com.br. Maiores informações no blog: http://www.apcfeserp.zip.net/. § 1º - Só serão aceitas inscrições pessoalmente ou via correio. § 2º - O período de inscrição será de 15 de setembro a 15 de novembro de 2009. Art. 6º A formalização das inscrições se processará mediante a entrega das poesias datilografadas em espaço dois ou digitadas em espaço simples (Word), em quatro vias acompanhadas da identificação do autor (Nome, endereço completo e um breve currículo). § 1º Nas cópias da poesia não deverão constar os nomes dos autores, apenas o nome da obra, a identificação deverá ser feita em folha, à parte e anexada a obra. § 2º Cada poeta poderá inscrever apenas uma poesia e a mesma não poderá conter mais que duas laudas (páginas). Art. 7º Os promotores do evento não se obrigam a devolver o material utilizado para as inscrições, ficando os mesmos na guarda da Comissão Permanente do FESERP para posterior reprodução em livro. Art. 8º O ato da inscrição implica automaticamente na aceitação integral por parte dos concorrentes dos termos deste Regulamento. Art. 9º As poesias que chegarem após o encerramento das inscrições ficará automaticamente inscritas para a próxima edição.
III - DO JULGAMENTO: Art. 10 O Julgamento das obras será feita por uma comissão formada por três jurados de reconhecida experiência comprovada na cultura nacional, que atribuirão notas de 0 a 10 ao material inscrito, no prazo de 15 dias após o término das inscrições, sendo sua decisão soberana, não cabendo qualquer manifestação contrária. PARÁGRAFO ÚNICO – Em caso de empates entre os três primeiros colocados o desempate se dará pela nota do 1º jurado, persistindo o empate os jurados serão contactados para atribuírem novas notas aos referidos trabalhos.
IV - DA PRÊMIAÇÃO: Art. 11 A premiação do XV FESERP acontecerá nos dias 17, 18 e 19 de dezembro de 2009, a partir das 20:00h, no Espaço da Cultura à Rua Cecílio Abrantes, S/N – Aparecida/PB, dentro de uma intensa programação cultural. Neste evento será lançada a Antologia Poética do FESERP volume V com as poesias classificadas na XII, XIII e XIV edição do festival. Art. 12 Os três primeiros colocados no XV FESERP, receberão o troféu AUGUSTO DOS ANJOS, confeccionado pelo artista plástico Berg Almeida, um livro ANTOLOGIA POÉTICA DO FESERP volume IV e Certificado de participação. Art. 13 As poesias melhores colocadas farão parte do livro ANTOLOGIA POÉTICA do FESERP volume VI, que será lançado posteriormente pela APC. Art. 14 Todos os participantes receberão certificado de participação independente da Classificação. Art. 15 Os casos omissos a este regulamento serão resolvidos pela Comissão Permanente do FESERP – COPERF.
Aparecida – PB, setembro de 2009
Laercio Ferreira de Oliveira Filho Coordenador da COPERF

EU SOU DOIDO E GOSTO DE DOIDOS...

Maciel Gonzaga (Foto)
MACIEL GONZAGA*
Existem muitas definições para a loucura. Uma delas seria: enfermidade mental que faz com que o homem pense e aja de forma desconexa e sem sentido. Se um filósofo tende a dar pontos de vista novos a temas do cotidiano, ele será a princípio rejeitado e tachado como louco, pelo que chamo de sistema de autodefesa contra o novo, que a maior parte das pessoas possui. Essa seria a única explicação plausível que a lógica permite dar para algo que está fora de seu domínio racional. Neste contexto, o filósofo pode dar uma nova definição, para o adjetivo que lhe é atribuído: agir de uma forma que a maior parte dos espectadores não compreende ou discorda. Se por ventura seu pensamento venha a ser finalmente diluído, ele pode vir a ser chamado de gênio. Sendo assim estamos sempre numa linha tênue entre insanidade e genialidade, e o lado em que estamos pisando dependente de quem o está observando.
De vez em quando me pego refletindo sobre doidice. A doidice da gente, essa que todos temos, em maior ou menor grau. O doido fala o que pensa e externa o que sente, sem lisuras. Nada mais é do que uma pessoa visionária, entusiasmada com a vida e uma mente incomum. Por isso, confesso: Eu sou doido e gosto de doidos. E não é de hoje. Fui casado algumas vezes, cada uma delas mais doidas. Tanto é que alguns desses casamentos não deram certo. Só não consigo ficar muito tempo com um doido ou uma doida porque, isso sim, seria uma loucura. E não sou louco. Sou doido. Uma coisa não tem absolutamente nada a ver com a outra. Quero dizer que todo o meu universo é de gente doida. Trabalho com assessoria política. Gosto dos doidos alegres, que fazem a vida da gente mais divertida com suas tiradas espirituosas.
Jerdivan Nóbrega já escreveu sobre os doidos das ruas de Pombal nos anos 60. Falou de Luzia Carne Assada, a síntese da deselegância; Bisel, o famoso “Casco de Burro”; Mané Doido, Clóvis – que sabia o bicho do dia; “Nina Pata Choca”; “Barrão 70” - entre todos, o mais violento; Expedito Doido e Gerinha - os mais pacientes; Zé Capitula; Maria Quexim, Xica Pavi; Nonato; Bode Veio e tantos outros...
Aproveito o ensejo para contar estória de um desses personagens pombalenses dos anos 60 não citado por Jerdivan: “Cachorro Barbudo” ou “Pão de Milho”. Era um pescador que morava na Rua Nova Vida (depois Vicente de Paula Leite) em frente a nossa casa, que era a de número 570. Tinha vários filhos e o mais novo chamava-se Manuelzinho ou como nós o chamava carinhosamente “Manuel de Pão de Milho”. Não admitia por nenhuma hipótese que alguém o chamasse de doido ou de um dos dois apelidos que, confesso, foram dados por mim.
Quando um moleque do nosso convívio – Valdir Mendonça, Aleijado Bernardo, Geraldo Bucho Verde, Dedé Pé de Bola, Chaguinha, Paulo Cubal, o Gordo e o Magro, Zé Coelho, João Fon-Hon-Hon – o mais velho de todos – uma turma do Cassete Armado, gritava “Pão de Milho” a rua virava um verdadeiro pandemônio. Saiam de dentro de casa o próprio, com uma faca de 12 polegadas na mão e uma foice na outra, sua mulher Maria e a filha Chica, todas armadas de cacete, falando ao mesmo tempo e “espraguejando” a molecada.
Na nossa casa, a minha mãe Roza Gonzaga vendia frutas que vinham do Sítio Roncador, de propriedade do Sr. Miguel da Silva. O meu irmão Massilon Gonzaga, que era conhecido por “Nego Quinha” – que até hoje gosta de doido igual a mim – oferecia uma manga a Manuelzinho para ele chamar o próprio pai de “Pão de Milho”. O menino, que na época deveria ter em torno de 8 a 10 anos, recusava e ainda condicionava: “Só faço por três mangas”. Começavam as tratativas (negociações). Massilon oferecia duas mangas ou três para que o apelido fosse chamado por dois dias seguidos. Tudo acordado entre as partes.
Manuelzinho chamava o pai de “Pão de Milho”, a rua virava um verdadeiro inferno, enquanto a galera toda estava em uma verdadeira arquibancada de risos e delírios. Ao final de tudo, o tal “Cachorro Barbudo” ou “Pão de Milho” não reconhecia que o grito fora dado por seu próprio filho e dizia: “Eu sei que quem está à frente de toda essa safadeza é esse filho de Roza, o tal do Maciel. Ele é o mais safado de todos e ainda diz que quer estudar para ser padre. Quando Roza chegar eu vou contar pra ela”. Eu pagava o pato pela safadeza de Massilon. O "Manuelzinho de Pão de Milho" gostava tanto da safadeza e já estava tão mal costumado que, quando dava por volta de 16 horas, ficava a certa distância da nossa casa a todo instante gritando: "Nego Quinha! Vamos lá...Tá na hora". Isso, na espera de ganhar mais uma manga ou de cumprir o acordo do dia anterior .....
Felizmente, quando nossa mãe chegava do trabalho na Maternidade Sinhá Carneiro e era informada de todo ocorrido do dia fazia a minha defesa e sempre dizia: “Meu filho Maciel não é menino para fazer isso. Isso é coisa do safado do Massilon e ameaçava dar-lhe uma surra”. Hoje, cerca de quase 50 anos depois, assumo o meu papel de réu confesso: eu também tinha participação na brincadeira. Afinal, naquela época, eu já gostava de doidos...
*Jornalista, Advogado e Professor. Natal-RN.

O MALFADADO HORÁRIO DE VERÃO!

CLEMILDO BRUNET*
“Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias” Ec. 7:29.
Você já parou alguma vez para perguntar pra que serve o horário de verão? Sabemos nós que quando o sol está no maior pico é meio dia. O horário de verão foi criado partindo do pressuposto que parte do ano, nos meses de verão, o sol nascia antes que a maioria das pessoas se levantasse. Benjamim Flankin, um dos homens mais influentes da história política e científica dos Estados Unidos, cogitou a idéia do horário de verão pela primeira vez em 1784, concluindo que se os relógios fossem adiantados, a luz do dia poderia ser mais bem aproveitada.
A ideia não foi aceita, porém, em 1907, na Inglaterra, um membro da Sociedade Astronômica Real, chamado William Willet, começou um movimento propondo alterar o relógio no verão para reduzir o que classificava de “desperdício de luz diurna”. Willet morreu em 1915, um ano antes de a Alemanha aceitar a tese que ele defendia, tornando-se o primeiro país no mundo a adotar o horário de verão.
Aqui no nosso país, a história do horário de verão teve início na década de 30, veio pelas mãos do então Presidente Getúlio Vargas. A estréia teve a duração de quase meio ano, de 3 de outubro de 1931 até 31 de março de 1932. Passados 18 anos sem a sua instituição, o horário de verão veio a ser novamente adotado em razão da queda do nível dos reservatórios de água das hidrelétricas, por volta de 1985/1986. Depois desse período, o horário de verão vem ocorrendo todos os anos.
Por Decreto do Presidente da República fundamentado em informações fornecidas pelo Ministério das Minas e Energia, desde 1985 o horário de verão é implantado na segunda quinzena do mês de outubro. Excetuando-se em 2006, que foi adiado por três semanas em virtude do segundo turno das eleições, teve início em 5 de novembro. O medo era que o horário de verão pudesse provocar problemas no sistema de funcionamento das urnas eletrônicas.
O objetivo principal do horário de verão é promover a economia de energia elétrica, com aproveitamento da luz natural dos dias mais extensos dessa época do ano. Embora para alguns a economia não seja significativa, pois na prática em média gera apenas 1%, e na demanda, no horário de pico, 3,5 a 5%. Mesmo assim, na temporada de verão de 2006/2007 houve uma economia de cerca de 50 milhões de reais, com 4% na demanda de energia nos horários de pico, e 0,5 % durante todas às 24 horas dos dias.
Por outro lado, o horário de verão é prejudicial, pois muda a agenda das pessoas, começando pelas mudanças no funcionamento do organismo da espécie humana; o hábito de dormir em determinada hora, a hora certa de se alimentar e outros fatores que envolvem as condições fisiológicas do individuo. Ocorrem também mutações nas nossas atividades normais, repartições que abrem mais cedo, fazendo com que muitos sofram vexames e apressem seus passos na caminhada para o labor.
Imagine um funcionário que tenha de chegar ao seu trabalho às 6 horas da manhã, ele terá de acordar no mínimo duas horas antes. No horário de verão, acorda às 4 sendo ainda escuro, pois no horário natural são 3 horas da manhã. E para os que trabalham em centros elevados que devido à distância do local de trabalho, tem que acordar horas antes, preparar a marmita, seguir viagem em plena madrugada, sujeito a assaltos, a sanha da violência de bandidos que varam a madrugada, sem ao menos se importar com a situação dos que trabalham para o sustento da família.
A despeito do Nordeste não acompanhar o horário de verão, essa mudança que ocorre nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal, tem influenciado em certo aspecto mudanças aqui, os adaptando ao horário de verão. As casas bancárias obedecem ao horário oficial de Brasília e as TVs modificam o horário da programação atingindo até os chamados programas locais. No início causa uma verdadeira confusão na mente do cidadão nordestino que estava acostumado a sua rotina.
Chegou o malfadado horário de verão que teve início este ano à zero hora do dia 18 de outubro e seu término se dará à zero hora do dia 21 de fevereiro de 2010. Durma-se com um barulho desses!
*RADIALISTA.