...A LER NO LIVRO DESSA SOLIDÃO...



Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*

A minha rotina diária começa com as leituras, hábito dos tempos de estudante, na adolescência e juventude, e o mantenho no mesmo ritmo e na mesma freqüência. Em decorrência da introdução da mídia eletrônica, há algum tempo mudei a prática da leitura, incluindo ao meu sistema a navegação pelos sites, blogs, jornais e tudo aquilo que hoje se faz necessário na atualização do nosso dia a dia, virtualmente.

Claro que mantenho meus autores preferidos, mas renovo sempre que posso quando me deparo com colunas inteligentes e que venham de encontro aos meus interesses.

Nessas idas e vindas deparei-me, um dia, não posso precisar a data, mas, por informação de um conterrâneo da existência do http://www.clemildo-brunet.blogspot.com/ Com a minha ida a pombal em 2007 retomei muitas amizades e criei uma necessidade de saber muito mais da minha terra. Procurei me inteirar dos meus amigos de infância, colegas de colégios, estudei em vários, seus formadores de opinião, seus escritores, enfim, o cotidiano e a evolução dos meus conterrâneos.

Foi aí que veio a leitura diária do http://www.clemildo-brunet.blogspot.com/ fui descobrindo aos poucos os valores da minha terra, retomei seus hábitos, costumes e uma maneira muito especial de viver que só existe na terra de Maringá, a ternura sertaneja de nossa gente, e em decorrência desse sentimento passei a ver Pombal como a “cidade ternura sertaneja” do sertão paraibano.

comecei a passear pelas ruas da cidade e suas praças na narrativa reprodutiva, precisa e fotogênica do competente cronista Jerdivan Nóbrega de Araujo; quantas vezes me emocionei com os causos e casos do ilustre escritor Ignácio Tavares; acompanhei as narrativas e a clareza dos fatos nas palavras do professor Francisco Vieira; aprendi muito com a objetividade e expressão clara nas colocações do Paulo Abrantes de Oliveira; observei os fatos com mais contundência nos relatos do Severino Coelho Viana; verifiquei a transparência e imparcialidade da justiça nas ponderações literárias do Onaldo Queiroga; analisei a coerência de quem tem muito a falar e ensinar com a marcante experiência de vida do Maciel Gonzaga; finalmente, e para o meu prazer literário, convivi com o sentimento da alma de tantos outros escritores, não menores, porém menos assíduos no http://www.clemildo-brunet.blogspot.com/

E concatenando essas cabeças pensantes, durantes os 5 anos de trabalho voltados para a comunidade, e seus problemas, a figura emblemática, verdadeira enciclopédia ambulante da radiofonia pombalense, o ilustre conterrâneo Clemildo Brunet de Sá .

É regozijante poder falar da caminhada em companhia de tão importantes figuras pombalenses, resta-me apenas dizer obrigado ao http://www.clemildo-brunet.blogspot.com/ e desejar muitos qüinqüênios pela frente, com todo o empreendedorismo de hoje, e poder continuar, como disse o poeta Luiz Vieira,

“a ler no livro dessa solidão”, mantendo a memória pura dessa gente livre e de bons costumes.

*Escritor e Poeta pombalense, é empresário em Navegantes - SC.

A CHAMINÉ DA BRASIL OITICICA E A ENQUETE DO PORTAL LIBERDADE

José Tavares de Araújo Neto
Jose Tavares de Araujo Neto*

Para respaldar sua indiscutível credibilidade e por respeito aos seus leitores, o Portal da Rádio Liberdade deveria ter avisado aos internautas que sua enquete sobre a permanência da chaminé da Brasil Oiticica teve um vício que inviabiliza qualquer análise séria.

Sabe-se que como instrumento de pesquisa, a enquete não tem nenhum valor científico. Por definição é uma mera abordagem quantitativa de determinado preferência. Por exemplo, em um site a enquete deve aferir uma única vez a opinião por computadores (Utilizando o IP) ou por internautas (utilizando-se de senha, CPF, etc), dependendo do programa disponibilizado.

Então, o que dizer de uma enquete que não prima por seu principio mais básico, que deve ser a obtenção de dados por individualização?

Foi o que ocorreu na enquete do Portal da Radio Liberdade. No caso, um único internauta, de um mesmo computador, podia votar infinitas vezes.

Ao perceber esta falha, imediatamente cientifiquei ao radialista Naldo Silva, que me disse já ter conhecimento do fato. Mesmo assim, o ilustre alimentador do portal, permaneceu com ela no ar, com o agravante de divulgar o resultado final, sem, no entanto, tornar pública a falha do programa.

Acho que esta informação seria muito relevante neste momento, já que toda a comunidade discute a questão e o Ministério Público mira em todas as direções, buscando subsídios para uma iminente tomada de decisão.

Entretanto, independente do programa ser falho, devo registrar que se caso o resultado favorável à derrubada da chaminé fosse baseado em uma pesquisa estatisticamente correta, eu confesso que não me surpreenderia com os números, pelos motivos que passo a elencar:

Em 2003, quando ficamos contra a decisão do pároco que a todo custo queria fazer uma cantina no interior da Igreja do Rosário, abrindo uma porta para atender a freguesia, a grande maioria da população ficou contra nossa luta. Formos acusados até de heresia, por nos metermos em coisas da Igreja.

Naquela ocasião, durante uma missa de dia de finados, o padre chegou a excomungar meu irmão, o ativista Jerdivan Nóbrega, citando seu nome e dizendo palavras grosseiras e deselegantes, colocando nossa mãe, que estava presente no evento, em situação bastante constrangedora perante os demais fiéis de sua igreja, que a dirigiram olhares e cochichos de reprovação, como se ela tivesse parido o diabo.

Praticando aquele crime contra o símbolo maior de nosso patrimônio histórico (fato registrado na tese de mestrado da pombalense Alba Cleide Calado Wanderley, defendida em 2009, sob o titulo “A construção da identidade afrobrasileira nos espaços das irmandades do Rosário do sertão paraibano”) , o padre sabia que ele podia contar com a conivência da maior parte da população, da mesma forma que hoje, nove anos depois, o empresário que pretende demolir a chaminé da Brasil Oiticica conta com esta mesma conivência de maior parte dos pombalenses.

Já no ano de 2005, a administração Municipal estava utilizando a cadeia Velha como depósito de entulhos e equipamentos emprestáveis.La fora, o nosso belo Centro Histórico estava tomado por quiosques, barracos de zinco, que mais lembravam uma favela.

Tudo isso ocorrendo e o poder público totalmente indiferente, e a população mais uma vez conivente, assistia a tudo como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.

Foi aí que mais uma vez entramos em ação e divulgamos para os quatro ventos o que se passava em Pombal.

Recebemos importantes apoios, a exemplo do mais ilustre pombalense, o economista Celso Furtado, do escritor Braulio Tavares, da Sociedade de Estudo sobre o Cangaço, do Jornal Correio da Paraíba, que dedicou ao movimento uma folha inteira no seu Caderno Cultural, do Portal Beabá do Sertão, e de alguns cidadãos e importantes autoridades de raízes pombalenses residentes ou não em nossa cidade.

Com tamanha repercussão, o Ministério Publico se acordou, e recomendou a administração municipal a retirada dos barracos do centro histórico, como também que a antiga cadeia voltasse a ser utilizada como Casa da Cultura. E tudo voltou ao normal.

Mas nos entrementes, foram muitos os conterrâneos que fizeram comentários maldosos pelas ruas e até ligaram às emissoras radiofônicas dizendo impropérios contra nossa causa e foram pouquíssimos os a nos defender.

Por trás de cada um de nós não existem motivos políticos ou econômicos. O que nos move é uma força chamada, amor e orgulho às nossas origens, vontade de preservar nossos valores históricos e culturais, com o objetivo de manter os ícones que deverão ilustrar a nossa gloriosa história. Queremos simplesmente deixar para os nossos filhos e netos a cidade tão bela e conservada como recebemos dos nossos pais e avós.

De acordo com a legislação brasileira, em defesa do nosso patrimônio cultural, qualquer cidadão é parte legitima.

Resta aos que tem uma visão diferenciada e sensibilidade por esta causa, a incansável luta em busca de levar a conscientização àqueles que não tiveram oportunidade de se instruir.

O que não se pode admitir é a humanidade deixar que a sabedoria adquirida ao longo dos séculos seja vencida pela ignorância, simplesmente porque esta última representa o pensamento da grande maioria.

“O fato de uma opinião ser amplamente compartilhada não é nenhuma evidência de que não seja completamente absurda; de fato, tendo-se em vista a maioria da humanidade, é mais provável que uma opinião difundida seja tola do que sensata” (Bertrand Russell, premio Nobel de literatura de 1950);

*Engenheiro Agrônomo e articulista.

COMENTÁRIO


HOUVE INVERSÃO NO RESULTADO DA ENQUETE DO SITE DA LIBERDADE SOBRE A CHAMINÉ


Denilton Medeiros*

De início, realmente, fui favorável ou mesmo indiferente a demolição da chaminé. Neste momento, ainda penso que estar por provar-se o seu real valor histórico. Porque a rigor, do meu ponto de vista, a chaminé não representou o início de um ciclo da industrialização de Pombal, até porque efetivamente a cidade jamais foi uma cidade industrial, como de fato até hoje não é.

Tratou-se, na verdade, de uma indústria isolada para beneficiamento de uma amêndoa (fruta de oiticica) que funcionou por um certo período e depois fechou, talvez pelo equívoco dos empresários que não calcularam bem seu investimento.

Mas, por outro lado, tenho visto e lido muitos relatos de lembranças a respeito da falida indústria e de sua chaminé, e confesso que fiquei balançado e até simpático ao movimento dos que lutam pela preservação, que é legítimo, disso não tenho dúvidas.

Agora, o que eu concordo, em gênero, número e grau é sobre o equívoco da metodologia da enquete da Rádio Liberdade e sobre isso vou relatar o que eu mesmo fiz com aquela enquete.

No final da noite que a enquete foi lançada eu olhei o resultado e estava em torno de 80% pela preservação e menos de 20% pela demolição, então, como a enquete permitia, eu votei até inverter o resultado e de lá para cá o resultado se manteve, penso que votei mais de 200 vezes e foi tudo contabilizado.

Desta feita, concordo plenamente com Jose Tavares De Araujo Neto quando afirma que a forma como se fez e se divulgou o resultado dessa bendita enquete serve para manipular a opinião pública, porque se o resultado tivesse sido outro, a sociedade estaria defendendo a manutenção.

*Advogado

AINDA DA CHAMINÉ DA BRASIL OITICICA

Jerdivan. N. Araújo
Jerdivan Nóbrega de Araujo*

“Cada um de nós
compõe a sua história
Cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz”
E ser feliz “

Graças à astúcia, vontade de fazer e a persistência de uns poucos filhos de Pombal, voltando ou saindo da cidade os filhos da terra da Cabocla Maringá vão continuar a contemplar e serem contemplados pela Chaminé de tijolos de 35 metros de altura, que aponta aos céus em súplica pelos homens e mulheres que um dia deram seu sangue e sua juventude por aquela urbe.

Não conseguira Imaginar um filho da terra que um dia trabalhou na Brasil Oiticica, voltando à cidade e não mais encontrar vestígios daquela que foi a redenção de um povo em certo período da nossa história.

Aquela chaminé há 50 anos é um pedacinho da história da cidade, ali apontando para o infinito, lembrança para os que viveram ali entre as décadas de 1930 e 1970.

Nos anos 60 morávamos na Rua de Baixo, passagem obrigatória para quem ia em direção ao rio. Lembro que depois das 17h30minh, ao toque da sirene estridente da Brasil Oiticica que se rasgava em gritos, libertando seus trabalhadores da lida, em poucos minutos eles passavam de frente a minha casa em direção ao rio, com suas caras pretas de fuligem, para lavar cansaço da lida diária. Sinto saudades daquele tempo, de ouvir o apito e das conversas dos operários na entrada e saída daquela fabrica.

 “Como era verde o meu vale”

Muitos daqueles operários humildes eram da Rua de Baixo, mas só me recordo de Zé da Viúva, que era nosso vizinho, e hoje mora aqui em João Pessoa.

Eu também me lembro das nossas algazarras nos galhos das oiticiqueiras, enquanto que os catadores do fruto enchiam latas e mais latas, com as amêndoas. Lembro também dos carros chegando e fazendo filas na Rua João Pessoa, com suas cargas, para abastecer a fábrica. Teve um tempo que eles passaram a processar a castanha de caju. Aproveitávamos as que iam caindo pelo caminho para assar, no quintal de casa.

Não existia uma família que não dependesse, de certa forma, do dia do pagamento da Brasil Oiticica, que era quando a cidade via a “cor de dinheiro”.

Trabalhar na Brasil Oiticica era ter credito aberto no comércio.

Para nós moleques, ajudar a catar as amêndoas da oiticica em troca de uns centavos a fim de garantir o dinheiro da diversão no Parque Maia ou para as matinês no Cine Lux, era de lei.

O odor dos armazéns que “atravessavam” na compra das amêndoas entorpecia as ruas centrais de Pombal.
O cheiro forte da fumaça expelida pela majestosa chaminé inundava toda a cidade, mas, ao contrário do que acontece nos dias de hoje, não havia reclamações pela fuligem que devia fazer tanto mal: antes, festejava-se o emprego que, mesmo insalubre que era, colocava o pão na mesa do povo sofrido da minha terra.

Vejo em meus pensamentos a revoada das andorinhas na torre da Igreja Matriz, que se espantavam ao apito da Sirene, logo nas primeiras horas da manhã.

Nos últimos anos da década de 1960, nos mudamos da Rua de Baixo para a Rua da Estação, de onde eu passei contemplar outro cenário: O da saída do produto transformado, que era transportado nos grandes vagões tanques dos trens que entravam e saiam pelo portão lateral, tomando rumo ignorado por mim. Os vagões tanques se perdiam das nossas vistas, fazendo manobras na Rua do Guindaste para entrar na Brasil Oiticica. Eu sempre achava que ele não ia conseguir passar pelo estreito portão, e se colocar entre a Chaminé e a caldeira, para recolher o óleo quente que ali era fabricado pelos operários retintos da fuligem que era expelida por aquela chaminé de tijolos, que hoje aponta em súplicas para os céus de Pombal pedindo mas um tempo de vida.

Quando a Brasil Oiticica fechou, muitos filhos de Pombal foram embora da cidade, muitos para nunca mais voltar. São por estes que se pede a manutenção da velha Chaminé.

É este um resumo do que significou aquela fábrica para a cidade e quê, por isto, precisar que deixemos marcado no tempo um mínimo de vestígios do que foi a Brasil Oiticica para a nossa cidade, e que as gerações futura a tenha como um memorial, seja pela felicidade seja pela aflição do nosso povo.

Para conhecer e assimilar a história da construção da cultura de um povo deve-se primeiro conhecer a história da própria cultura, saber como se deu essa construção e como foi o processo de evolução e desenvolvimento da mesma. Só assim, pode-se conhecer e entender e querer preservar.

Conhecendo a história do que foi esta fábrica entenderemos a importância de mantê-la viva na memória, protegê-la e valoriza-la como forma de compreender nossas características, nossa identidade passada para construir a identidade futura.

Esta luta travada em um campo de batalha tão adverso e desigual, onde se contrapõe o Capital e a cultural, a memória da cidade acaba ganhando importância, não por este caso em si, mas, por ter despertado em nosso povo a importância histórica de uma cidade que, desde a chegada dos seus conquistadores ou invasores, como prefiro dizer, em 1696, já se vai 316 anos de suor e sangue derramado.

Já os que se opuseram ou, pior ainda, se calaram quanto ao seu tombamento, a história lhes cobrará o preço no momento oportuno.

*Advogado, escritor, é autor de vários livros e pesquisador da história de Pombal.

BLOG DE CLEMILDO: DE POMBAL PARA O OUTRO LADO DO MUNDO!

Diana Oliveira
Por Diana Oliveira*

Dileto amigo!

O aniversário é do Blog! A festa é dos pombalenses. É festa da cultura, do crescimento; é a terra de Maringá, através de sua criação, chegando ao outro lado do mundo através da mídia.

Você conquistou este marco é mérito seu! É presente a Pombal...

Quero me apropriar das palavras do grande Educador Paulo Freire, que diz:

ora, é lógico que numa escola assim vai ser fácil estudar, trabalhar, crescer, fazer amigos, educar-se, SER FELIZ!

Parabéns mestre!

Obrigada!

Sua criação foi presente de Deus!

Com toda carga de carinho!

Diana.

*Professora e madrinha dos comunicadores de Pombal

BRASIL OITICICA: O SILÊNCIO DA FÁBRICA

Francisco Vieira
Por: Francisco Vieira*

Logo ao amanhecer a sirene da Brasil Oiticica ecoava nos céus de Pombal despertando a população. O silvo também à tarde, tão pontual quanto no período matinal, anunciava o início e fim do expediente. A princípio, significava um chamamento convocando seus operários para a labuta diária, que com o tempo tornou-se uma rotina na vida dos moradores. Assim, comunicava aos quatro ventos, que ali, num recanto do sertão, onde o progresso caminha em marcha lenta, havia uma grande indústria de beneficiamento de oiticica – parece até incrível – que funcionando em pleno vapor contribuiu durante décadas com o desenvolvimento do município e do país.

Não obstante a finalidade para o qual o apito fora instalado, seu eco passou a integrar a vida dos pombalenses, tornando-se uma referência. O som que ultrapassava os limites urbanos despertava a todos. A propósito, era mais que isso, funcionava como uma bússola, orientando com precisão: estudantes, funcionários, comerciantes, trabalhadores, enfim, todos que dependiam de horário. De fato, todos se beneficiavam de sua ação sonora. Até os desocupados interessavam saber o tempo que dispunham para jogar conversa fora ou mesmo para não fazer nada. Tamanha era sua influência que mesmo depois do seu fechamento o apito da Indústria de Doces de Cícero Cesário era comparado ao da Brasil Oiticica, chegando os menos informados a denominá-la de “Brasil Doceira”. Por analogia todo apito de fábrica seria uma “Brasil” qualquer. Imagine como seria em São Paulo com tantas “Brasis”.

A natureza, mãe por excelência, foi generosa com Pombal, fazendo-lhe rica em belezas naturais. Como se não bastasse os Rios Piancó, Piranhas, a Pedra do Sino, Serra do Comissário, fez-lhe privilegiada na produção de oiticica, cabendo-lhe o posto de maior produtor no sertão. Tamanha era a produção que na safra se observava imensas filas – diria até quilométricas – de transportes motorizados e de tração animal conduzindo o produto, vindo de todos os recantos da região. Certamente, esse foi o motivo principal para que em 1932, fosse instalada em Pombal, a primeira indústria do ramo no estado.

Coincidência ou não, esse marco veio acompanhado de outros de igual importância, tais como: construção do Grupo Escolar “João da Mata”, primeiro estabelecimento de ensino do município, conclusão da estrada de ferro e chegada do primeiro trem e a gravação da música Maringá na voz de Gastão Formenti, composição de Joubert de Carvalho, hoje a maior referência do lugar.

Infelizmente, após cinquenta anos, numa ação contrária ao desenvolvimento suas atividades chegaram ao fim. Num certo dia – melhor que não tivesse acontecido – o apito da Brasil Oiticica tocou pela última vez. Sem ter ideia das consequências, anunciava o início de sua eterna inatividade, causa de prejuízo à economia local, cujas razões desconheço. Contudo, creio ter sido vítima da crise financeira do país, a consequente falta de incentivo à exploração e desvalorização monetária do produto.

Depois de quase três décadas de inatividade e abandono, o prédio em ruínas foi vendido e demolido. Assisti constrangido a sua demolição sem sequer saber seu novo destino. Vi com tristeza e revolta parte da nossa história reduzir-se a pó que jamais se aglutinará. Quiçás tenha sido por uma boa causa. Presenciei máquinas destruírem impiedosamente toda estrutura de alvenaria que armazenou anos a fio milhares de toneladas de tão valiosa fruta.

Hoje, além de pálidas recordações das pessoas que ali trabalharam – aí me vêm na lembrança às figuras de Seu Inácio, Zé Leite, Lessa, Zé Assis, Dr. Abdon, Zé de Bú, Titico do Beco da Cadeia, João Rapadura, Seu Alegria e outros mais – resta somente a chaminé, essa mesma com os dias contados e que, mesmo fria e inerte continua imponente – não sei até quando. Lá do alto de sua Majestade, ora ameaçada, contempla em silêncio o crescimento da cidade enquanto aguarda uma explicação convincente para o seu abandono.
Parte da população aglomerada esperava ansiosa, porém em vão, a queda da chaminé que não aconteceu. Os recursos empregados não surtiram efeito. A coluna fez valer sua imponência mantendo-se inabalada. Em sua firmeza, por mais que tentassem, não cedeu aos caprichos dos insensatos que desvalorizam a história em favor dos interesses econômicos. A sua permanência está a mercê da população dividida: de um lado, os que defendem com ardor e coragem sua transformação em patrimônio histórico, opinião que se contrasta com outros, que por insensatez se manifestam indiferentes e não reconhecem seu imensurável valor. Não sabem eles que quem não valoriza seu passado não tem história, portanto não reconhece a si mesmo. Fale de si e estarás contando sua história. Quem preserva o passado no presente será história no futuro.

É preferível lembrar a Brasil Oiticica em pleno funcionamento com sua chaminé ardente, sinal de sua ação progressiva; rever trens adentrando seus portões gigantes para colher o óleo produzido e transportá-lo até Fortaleza; relembrar saudoso o apito da sirene com hora marcada e pontual como relógio britânico; ver o avião da fábrica sobrevoar os ares de Pombal; recordar grandes festas dançantes ali realizadas a exemplo da instalação da Boite “ELE E ELA”, vinda de Patos, quando da inauguração da Br. 230, e relembrar o time de futsal – na época futebol de salão – prova de que a indústria estava também envolvida com a vida social da cidade. Na verdade, é preferível tudo isso que vê-la sucumbir, sem deixar um sinal sequer que faça lembrar sua importância para o lugar. Destruí-la seria registrar mais um marco de nossa história no rol do esquecimento e que certamente se juntaria ao Cine Lux, Casa do Altinho, Ginásio Diocesano de Pombal, DNER, Grupo Escolar José Avelino e outros, também inexplicavelmente destruídos. Seria mais uma página da nossa história que jogada ao vento se esvai sem rumo. Prefiro antes ser rotulado de conservador que ver Pombal sem história.

Diante desse estado de ignorância e insensibilidade, na qualidade de pombalense, me apresento como um paladino, disposto a defender com ardor os interesses da terra que me acolheu como filho. Revestido de amor filial me associo à campanha em prol da conservação da chaminé, bem como, de todo e qualquer movimento em benefício da preservação da história de minha terra.

Ante os motivos expostos, coclamo os poderes constituídos, clubes de serviços, a imprensa, e a sociedade, composta de homens de bom senso, para se unirem pelo tombamento de tão significante marco histórico. Maravilhado, exalto e endosso a ideia encabeçada pelo conterrâneo Dr. Cesário de Almeida – mentor do movimento – no sentido de mantê-la na pujante posição de terceira maior do mundo em tijolos, construindo um memorial que se chamaria Praça da Chaminé ou algo parecido e erigir um marco ostentando as informações possíveis sobre a inesquecível Brasil Oiticica, hoje, uma fábrica em silêncio.

 Pombal, 30 de maio de 2012.


*Professor, ex Diretor da Escola Estadual João da Mata e ex Secretário de Administração do Município de Pombal-PB 

PROGRAMA "REVIVENDO" DA RÁDIO PARANÁ AM 630 PARABENIZA BLOG DE CLEMILDO

Ubiratan Lustosa
Amigo Clemildo:

Na última quarta-feira gravei o programa "Revivendo" que a Rádio É PARANÁ - AM630 apresentará sábado, ao meio-dia, com reprise domingo às 7 da manhã.

Mencionei seu nome conforme o texto abaixo.

Abraços.

Ubiratan.

No dia 1° (Primeiro) de Junho meu amigo Clemildo Brunet, filho ilustre de Pombal, na Paraíba, festejou com seus amigos e admiradores o V ANIVERSÁRIO DO PORTAL CLEMILDO,COMUNICAÇÂO & RÁDIO – o excelente Blog http://www.clemildo-brunet.blogspot.com/ Cinco anos de dedicado trabalho divulgando a sua amada cidade de Pombal, onde se contam muitas histórias sobre a linda Maria do Ingá, que Joubert de Carvalho abreviou para Maringá ao compor a sua música que anos depois deu origem ao nome da bela cidade paranaense - Maringá.

O Clemildo é um batalhador que merece o nosso respeito e admiração e nesse quinto aniversário e seu blog que tem sido tão útil, presto a minha homenagem e a ele desejo sempre sucesso e muitas bênçãos de Deus.

Um grande abraço, meu amigo Clemildo Brunet.

Ubiratan Lustosa é Radialista, Advogado, Teatrólogo, Poeta, Compositor e Publicitário em Curitiba - PR.

CINCO ANOS DE INFORMAÇÂO

Maciel Gonzaga
Maciel Gonzaga*

O Portal Clemildo, Comunicação & Rádio com certeza é um elo de ligação de Pombal com o resto do mundo, com informações valiosíssimas. Encabeçado pela competência já descrita aqui pelo trabalho brilhante de Clemildo Brunet de Sá, só podemos afirmar que é a democracia na informação. Ao completar cinco anos de atividades, o Portal é uma semente do conhecimento, plantada por Clemildo e regada pelos leitores e colaboradores – onde me incluo como um dos primeiros - sempre gerando frutos.

Um veículo muito importante para os pombalenses ausentes que emitem suas opiniões ao mesmo tempo em que se informam sobre tudo de nossa terra. Um exemplo disso foi o recente caso da demolição da chaminé da Brasil Oiticica, onde as vozes distantes ecoaram de forma uníssona. Espaço democrático e interativo, onde leitores, comentaristas a articulistas emitem conceitos de forma livre e independente.

Temos certeza que esse espaço tem dado sua contribuição à democratização da comunicação e da informação, ao debate de opiniões e ao registro de uma época. Nada mais justo do que parabenizar Clemildo Brunet por contribuir com a informação.

Um grande abraço velho amigo. Estamos juntos na caminhada... E, em breve, estaremos bem mais próximos. Desejo-lhe saúde e paz, o resto a gente corre atrás.

*Pombalense, é Jornalista, Advogado e Professor. Natal RN.

TRANSCURSO DO V ANO DO BLOG CLEMILDO,COMUNICAÇÃO & RÁDIO É MENCIONADO POR VEREADOR

VEREADOR GILBERTO ESMAEL LACERDA DA TRIBUNA, PARABENIZA DIA DA IMPRENSA E O QUINTO ANIVERSÁRIO DO BLOG DE CLEMILDO.




Gilberto Esmael
Ao usar a tribuna da Câmara Municipal de Pombal, Casa Avelino de Queiroga Cavalcanti, na Sessão da última terça feira (29) de maio, o vereador Gilberto Esmael Lacerda, da bancada do PMDB, fez menção ao Dia Nacional da Imprensa – 1° de junho, parabenizando este blog pelo transcurso dos 05 (cinco) anos de atividades no sistema online da rede mundial de computadores (Internet).

Em sua fala Beto Xau parabenizou a Imprensa pelo seu dia ao mesmo tempo em que também prestou uma homenagem ao nosso portal enaltecendo a sua linha editorial.

“É Um blog que não tem envolvimento político, mas que é um espaço pra todos de Pombal que gosta de escrever, as cabeças pensantes colocam lá os seus textos, tem defendido com unhas e dentes a cultura e o patrimônio de Pombal. Então, meus Parabéns a Clemildo pelos cinco anos que está completando o seu blog também” disse o parlamentar mirim.

Da Redação.

CINCO ANOS DO PORTAL CLEMILDO BRUNET

Severino Coelho
No princípio não havia imagem nem som, a cidade era deserta de informações. Na nossa época, surge o primeiro eco que deu movimento de crescimento, era o eco do Lord Amplificador de Pombal, formado por vários desbravadores da comunicação pombalense sob a liderança de Clemildo Brunet de Sá.

Chegou a primeira rádio de Pombal, a presença de Clemildo era marcante como radialista ou diretor da emissora.

Da Rádio Maringá carreou-se para a Rádio Liberdade FM de Pombal e Bom Sucesso AM, com a inatividade no trabalho radiofônico, a comunicação que foi uma espécie de sombra no seu viver atiçou o raciocínio, que acompanhando o processo evolutivo nos meios de comunicação, instalou o Portal Clemildo, Comunicação & Rádio, que hoje comemora cinco anos de existência, que, assim, chamamos clube dos praticantes das letras de Pombal.

E quem é Clemildo, apenas.

CLEMILDO BRUNET DE SÁ – Iniciou sua carreira radiofônica em 1961 nas antigas difusoras de Pombal. Em 1966 montou sua própria emissora “A VOZ DA CIDADE”, que teve o seu destaque na formação de muitos profissionais que atuam hoje nos veículos de comunicações como: Rádios, Jornais, TVs e Portais da Web. Em 1968 instalou o serviço de Alto Falantes “LORD AMPLIFICADOR”. Atuou no sistema radiodifusão como: locutor, redator, comentarista, repórter e noticiarista. Foi correspondente durante dez anos do Jornal Estadual da Rádio Tabajara da Paraíba entre 1980/1990. Ex-diretor comercial das Rádios Maringá AM e Liberdade 96 FM de Pombal. Passando ainda pela Opção 104 FM de Pombal e Rádio Alto Piranhas de Cajazeiras exercendo nesta última, suas atividades jornalísticas nos Programas, Rádio Vivo e Trem das Onze. Foi agraciado com a mais alta honraria da Assembleia Legislativa da Paraíba “A Medalha Epitácio Pessoa”, no dia 10 de junho de 2010. Aposentado, atualmente vem divulgando temáticas sobre o rádio, a cultura e a história de Pombal, em seu Portal CLEMILDO, COMUNICAÇÃO & RÁDIO.

Já dissemos a algum tempo que Clemildo Brunet é um ícone da informação de Pombal, pelo seu passado de lutas, pela luta renhida dando o pontapé inicial para o poder de comunicação de Pombal, pelo poder de comunicação pessoal que acompanha a sua história e pela sua trajetória de vida linear que conta a sua própria história.

Qualquer palavra que se tente dizer, por maior e mais eloquente que seja, torna-se mínima pelo tamanho de sua grandeza. A grandeza de um homem se estabelece pelo espírito humanitário, e este espírito humanitário é quem conduz a carruagem alegórica de sua própria dignidade como pessoa e como ser humano.

Basicamente todo ser vivente deve saber se comunicar, mas nem todos sabem e podem fazê-lo como deve e pode ser usado, então, aquele que recebeu o dom da comunicação, que consegue escrever o que lhe vai n'alma, tem quase que a obrigação de dividir seu talento, seja poeta ou prosador, pois é algo impossível de segurar em seu interior.

Escrever é como que uma necessidade vital para um escritor com talento inato. Ao invés de se exaurir, parece que ganha mais vitalidade à medida que escreve, à medida que deixa seu talento fluir

E, claro, escrever é para divulgar, é para espalhar aquilo que o talento que recebeu gratuitamente, e assim, por menor que seja seu lugar ao sol, sempre haverá alguém que seja atingido pelo seu texto. Sempre haverá quem o leia. E se beneficiará com o que ele escreveu.

Parabéns! Com muita saúde!

Um abraço fraternal!

SEVERINO COELHO VIANA

PARABÉNS MESTRE CLEMILDO

Ignacio Tavares
È o Blog de Clemildo! Esta é a marca que nos faz conhecer um dos “softwares Social” mais importante do sertão paraibano. Bendita hora em que o nosso amigo pôs no ar essa importante ferramenta de comunicação através da qual foi possível inserir Pombal à mídia estadual, regional, porque não, nacional.

São cinco anos a divulgar a legitima cultura pombalense para todos os recantos do Brasil. São setenta mil acessos por milhares internautas a se deleitar da nossa cultura associada a informações outras de natureza diversas. Isso representa mais do que duas vezes a população do nosso município.

Assim sendo é bastante gratificante saber dessa freqüência de acesso o que muito nos engrandece como colaboradores. Com certeza, também engrandecem todos os pombalenses onde quer que estejam. Onde existir um pombalense por esse Brasil afora tenho certeza que se liga a nossa terra através desse mais importante blog do sertão paraibano.

O ingresso de Pombal na era dos blogs aconteceu no momento oportuno. São cinco anos de estrada no exato momento que essa ferramenta se dissemina por todos os lugares do mundo. Segundo a literatura webiana, os primeiros blogs surgiram lá pelos idos de 1997. Inicialmente funcionavam como uma espécie de “diário” onde as pessoas trocavam informações sobre os acontecimentos do cotidiano.

É lógico que os “sites” antecederam aos blogs. Estes surgiram com finalidade militar, pois, nos Estados Unidos os comandos trocavam informações via rede, com a finalidade de economizar tempo, bem como reduzir os custos de postagens que, com certeza teriam, quando remetidas pelo sistema tradicional de correios. Havia também a questão “segurança” posto que os sistemas via “sites” eram restritos apenas aos gabinetes dos comandos militares.

Com o passar do tempo os “sites” foram transformados em verdadeiros jornais virtuais, com finalidade comercial, porque não também política. Da mesma forma os “blogs”, deixaram de ser canais de diversão pessoais, para se transformar num “site aprimorado” com a abrangência maior, por contar com um grande numero de colaboradores qualificados a escreverem sobre diversos assuntos de natureza popular ou mesmo acadêmica.

Clemildo, com o seu faro fino de radialista e jornalista tarimbado percebeu que Pombal precisava de se engajar a rede nacional de blogs, que cresce a cada dia a ponto de se transformar na mais importante fonte de informações, em tempo hábil. Esta agilidade na divulgação das informações não acontece com os tradicionais jornais escritos, que, ainda hoje dominam um forte segmento do mercado editorial.

Parabéns Clemildo. Continue a realizar o seu trabalho com firmeza e dedicação, posto que ao fazê-lo, você está elevando a nossa Pombal a categoria de importante fonte de informação ao lado de outras cidades que disputam os mesmos espaços.

De minha parte afirmo-lhe que continuarei a dar a minha modesta contribuição até quando os meus saudáveis neurônios permitirem, pois, espero que a força impiedosa do tempo preserve-me de forma mais generosa. Abraços fraternais do amigo de sempre.

João Pessoa, 27 de Maio de 2012

Ignácio Tavares

CLEMILDO BRUNET, Gigante do Rádio e Comunicação


Paulo Abrantes
Paulo Abrantes de Oliveira*

È o aniversário do blog de Clemildo, alguém me avisou! Pensei logo, parabéns por demais profundo, a este blog, com preito de gratidão, pois sua existência é estado de espírito, convívio intenso e constante com as fontes vivas, que preenchem cada momento do ser e estar de nossa terra Pombal e para quem se entrega com talento e garra à aventura simples e grandiosa da alma.

Clemildo mantêm uma relação com seu blog, mais ativas que contemplativas nas suas palavras. Na ousadia de um artesão, molda cada palavra, sem pressa, preocupado apenas em expor com a perfeição a que se propôs a fazer.

No seu blog – Clemildo-Brunet, Comunicação e Rádio, ele conceitualiza, escreve, compôe, aborda assuntos do passado, presente e futuro em constante contextualização com outros escritores, poetas, pastores, repentistas e contadores de histórias de diversas gerações.

Clemildo toma Pombal como o seu forte maior, no tema e nas abordagens intelectuais de seus filhos. Dono de extrema versatilidade faz experiências até com o concretismo, interligando imagens aos textos de forma surpreendentemente bela. Assim digo, sem pestanejar, o aniversário desse precioso blog é convite a partir um belo bolo neste dia, confeitado, porque se esconde na essência desse maravilhoso sabor cotidiano, pronto para ser deliciado por quem tem os sentimentos telúricos aguçados da alma, a sentir á beleza de Pombal.

Foi aqui, que surgiram os textos escritos e inspirados de meu livro, “Riacho de Prata”. De sucesso, à bem da verdade, pois ganhou o Prêmio Literário Jucá Santos, outubro de 2011, a Medalha de Cavaleiro Grã- Cruz,- outorga da Real Academia de Letras de Porto Alegre RS e o XI Prêmio Cultura Nacional, com os dizeres: Confere este Diploma e a Medalha Master Litery pelo valor de sua obra literária, por ocasião do décimo primeiro Pêmio de Cultura Nacional, em 2011, e por sua dedicação às causas da Cultura, e da divulgação das Artes no Brasil e exterior, contribuindo para harmonia, fraternidade e liberdade entre os povos.

A este blog, repito, o meu preito de gratidão. Reconhecer sentimentos é quem consegue, como afirma Guimarães Rosa, amolecer as raízes da alma até fazer o leitor transcender a banalidade do dia a dia para o encontro com o mistério invisível que estremece o coração de quem sabe apreender os secretos mistérios, que se esconde no interior da gente, e você Clemildo, consegue neste precioso blog.

Parabéns, blog amigo, Feliz Aniversário!

Parabéns Clemildo, Gigante do Rádio e Comunicação!

*Paulo Abrantes é escritor pombalense e membro da Academia Maceioense de Letras e da Real Academia de Letras do RS.

QUINTO ANIVERSÁRIO DO PORTAL CLEMILDO, COMUNICAÇÃO & RÁDIO!

V ANIVERSÁRIO DO PORTAL CLEMILDO,COMUNICAÇÂO & RÁDIO, um MARCO conquistado por você, CLEMILDO BRUNET nestes CINCO ANOS. Parabéns !!!

Através deste PORTAL aproximou gente e divulgou nossa HISTORIA. CLEMILDO, você merece todo sucesso, pelo que você é e faz. Com grande ESTIMA e APREÇO,

Marcos Lacerda

Caro amigo Clemildo:

Ao comemorar o quinto aniversário de profícua atividade do seu blog www.clemildo-brunet.blogspot.com , desejo cumprimentá-lo efusivamente pelo brilhante trabalho realizado na divulgação de Pombal, sua gente e sua cultura. Ao longo dos anos tenho acompanhado o seu trabalho que respeito e admiro. Estou certo de que, assim como eu, muitos passaram a dedicar aos pombalenses e sua história mais interesse e um carinho especial.
Um grande abraço amigo, permanente sucesso e sempre as bênçãos de Deus.

Ubiratan Lustosa

FELIZ ANIVERSÁRIO


Neste dia 1º de junho de 2012, quando se comemora oficialmente no Brasil o Dia Nacional da Imprensa, este blog completa seu 5º aniversário de fundação e de intensa atividade cultural. Coincidência ou não se constitui felicidade em dupla dose.

Como agente de comunicação, tem, sobretudo exaltado nossa terra, nossa história, revelando novos talentos literários e reaproximado seus filhos dispersos por esse país continental.

Na qualidade de simples colaborador, congratulo-me com a efeméride e exalto a pessoa de Clemildo Brunet, seu grande mentor, responsável pela sua criação e manutenção.

Falar da comunicação é referir-se a Clemildo Brunet como o paladino da radiofonia. Há intensa ligação entre ambos. Tendo despertado talento ainda cedo, dedicou-se a profissão com ardor e coragem tornando-se o precursor da comunicação e hoje uma referência, admirado por todos e respeitado pelos seus discípulos. Pelo brilhante trabalho desenvolvido com ética ao longo da vida foi com justiça merecedor de grandes comendas e homenagens.

Considerando, finalmente, a importância e a seriedade do seu trabalho, almejo que continue ostentando todas as pompas merecidas. Tens, portanto como tributo o meu reconhecimento.

PARABÉNS COM LOUVOR.

Pombal, 1º de junho de 2012.

Prof. Francisco vieira.

A CHAMINÉ DA BRASIL OITICICA

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

Fundada em 1934, a Brasil Oiticica, indústria oriunda do Ceará, em pouco mais de 50 anos de existência conseguiu exportar mais de U$ 22 milhões de dólares, até que, no ano de 1987, teve decretada sua falência.

Não sei precisamente a data da sua instalação em Pombal. Só me recordo que era a sua chaminé, com seu inconfundível apito, que, ainda quando eu era criança pontuava o cronograma diário da minha vida. Eu acordava sob o som daquele apito, levantava-me e abraçava mais um dia feliz. Às 11 horas, novamente, seu som anunciava a parada laboral para o almoço. Ao bater das 13 horas, mais uma vez apitava, sinalizando o início do turno da tarde. Com o crepúsculo, a velha chaminé deitava o dia e nos entregava aos encantos da noite sertaneja.

Após a sua falência, o acervo situado em Pombal foi se tornando escombro. A chaminé silenciou, não mais acordou, nem deitou seus filhos. Mas, sua presença exuberante constitui um marco histórico a ser preservado, como incentivo à cultura. Lembremos de que a Europa ainda hoje mantém intactos os seus monumentos históricos, que são os principais mobilizadores do turismo, alavancadores de divisas, fortalecendo, firmemente, a estrutura sócio-econômica desse importante continente.
Não podemos continuar com mediocridade. Um povo sem história é um povo sem futuro. Se continuarmos a derrubar a história de Pombal, então, como construir um futuro promissor para as próximas gerações, as quais já não mais terão visualmente condições de conhecer a história da Casa do Altinho, do Sobrado de Joaquim Assis, entre outros imóveis que já foram demolidos pela falta de compromisso daqueles que acreditam que o dinheiro está acima de tudo.

É inadmissível que em pleno Século XXI ainda existam pessoas com mentalidade tão pobre. É possível o antigo conviver com o novo. Se acessarmos o google, visualizaremos exemplos dessa digna convivência. Recentemente, no Rio de Janeiro, foi inaugurado o Bangu Shopping, edificado numa indústria abandonada, onde também havia uma chaminé, que foi preservada e hoje se tornou a principal atração visual daquele empreendimento. Em João Pessoa, o mesmo exemplo, o Shopping Tambiá foi também inaugurado tendo sido preservado o antigo casarão que ali existia.

Não vamos demolir. Lutemos para a preservação da chaminé. Um dia, quem sabe, eu volte a Pombal e a encontre ainda de pé, exuberante, apitando me convidando para viver mais uma manhã, tarde e noite de sonhos.

*Pombalense, é Juiz de Direito da 5ª Vara Cível em João Pessoa - PB.

EXCLUSIVO: DIRETOR DO IPHAEP EM LAUDO TÉCNICO VAI PROPOR A PERMANÊNCIA DA CHAMINÉ DA BRASIL OITICICA!

Marco Coutinho
“Se ninguém mexer com essa chaminé nada vai acontecer com ela”. A afirmação é do Diretor do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba –(IPHAEP) arquiteto e professor da UFPB, Dr. Marco Antonio Farias Coutinho, que veio a nossa cidade na tarde desta quarta feira (30), atendendo solicitação do promotor de Justiça Leonardo Furtado, para fazer uma vistoria na Chaminé da Brasil Oiticica e emitir um laudo técnico das condições em que a mesma se encontra.

No momento da vistoria da torre uma comissão formada pelo Presidente da Câmara Municipal de Pombal, Vereador Jose William de Queiroga Gomes, dos Vereadores Paulo Gomes Vieira e Marcos Bandeira, engenheiro agrônomo José Tavares Neto, radialista Clemildo Brunet, empresários e alguns populares, acompanhou toda inspeção feita pelo Dr. Marco Coutinho.

A cada passo em torno da chaminé, Dr. Marco Coutinho fez anotações, tirou fotos, para fundamentar seu parecer e laudo técnico que será apresentado ao Promotor de Justiça Leonardo Furtado. Em sua opinião a Chaminé está íntegra apresentando apenas algumas fissuras na parte superior da torre que podem ser recuperadas, em sua visão a base está sólida não oferecendo risco de cair.
Vai propor que seja preservada a torre da Chaminé para um Monumento histórico que beneficiará os moradores da localidade com a construção de uma praça. Ele considerou que a chaminé é um ícone para a cidade de Pombal.

REPORTAGEM DE CLEMILDO BRUNET.

Promotor de Justiça instaura Inquérito e recomenda a não demolição da Chaminé da Brasil Oiticica de Pombal

O Promotor de Justiça da Comarca de Pombal, Leonardo Fernandes Furtado, após a realização de audiência com o Professor José Cezário de Almeida e o oficial de Justiça, Zildo de Souza, nos autos do Inquérito Civil Público, após apontar indícios do valor histórico-cultural da edificação da chaminé da Brasil Oiticica, emitiu recomendação aos responsáveis pela demolição daquela torre no sentido de que sejam imediatamente suspensas todas e quaisquer ações que culminem na derrubada daquela chaminé.

Na ocasião, o Promotor de Justiça requisitou a Universidade Federal de Campina Grande que proceda, no prazo de 10 dias, com a realização de estudo sobre o caso, com posterior e consequente envio de relatório circunstanciado a despeito da matéria ora em questão.

Ainda por ocasião da audiência do último dia 23 de maio, foram requisitados todos os documentos e fotografias da velha torre, bem como a indicação de nomes de historiadores para futuras e novas inquirições junto a Promotoria de Justiça da Comarca de Pombal.

Por fim, ficou ainda determinada a realização de nova audiência, a ser aprazada, com as pessoas já ouvidas e com os responsáveis pela demolição da chaminé da Brasil Oiticica.

Teófilo Júnior – Blog o mundo como ele é

A SECA chegou torrando muitos anos de FARTURA

Poeta José Dantas de Sousa
A prolongada estiagem
no NORDESTE brasileiro
causa dano e desespero,
seca a planta e a paisagem,
açude, rio e barragem,
afeta a agricultura,
a pesca e apicultura...
as fontes d’água secando.
A SECA chegou torrando
muitos anos de FARTURA.

Não choveu vinte por cento
dos anos anteriores,
deixando os agricultores
sem meios para o sustento,
sem água, sem alimento,
os leitos com rachadura,
abrindo brecha e fissura,
com o chão se esturricando.
A SECA chegou torrando
muitos anos de FARTURA.

Revisitei o sertão,
não vi pasto para o gado,
nem plantio no roçado
de milho, arroz e feijão...
nem área com irrigação,
nenhuma semeadura,
que plantio em terra dura
ninguém faz se arriscando.
A SECA chegou torrando
muitos anos de FARTURA

A ASA BRANCA voou
para outra região,
e o PÁSSARO CARÃO
na região não cantou,
só a CIGARRA ficou
no mormaço da quentura
sibilando a toda altura
como quem está clamando.
A SECA chegou torrando
muitos anos de FARTURA.

Se vê em televisão
caveiras de animais,
e outros magros demais,
de cortar o coração,
um ar de desolação,
pela SECA que perdura,
com carcaça e ossadura
no chão se amontoando.
A SECA chegou torrando
muitos anos de FARTURA.

Por falta de prevenção
contra a SECA no nordeste,
do cariri ao agreste,
é triste a situação,
ficando a população
num clima de amargura,
de incerteza e tortura,
angustiada e penando.
A SECA chegou torrando
muitos anos de FARTURA.

É grande a BUROCRACIA
para avaliação,
análise e aprovação
de uma certa quantia,
que cai numa letargia
até a assinatura
de repasse a prefeitura,
que ainda fica atrasando.
A SECA chegou torrando
muitos anos de FARTURA.

Não adianta culpar
o CLIMA da região,
pois à sua condição,
deve-se adaptar;
o homem deve encontrar
uma solução segura,
com adequada estrutura,
sem ficar se lastimando.
A SECA chegou torrando
muitos anos de FARTURA.

Cadê a TRANSPOSIÇÃO
que o nordeste tanto espera,
que depende da esfera
superior da nação,
para continuação
da obra que se afigura
de tamanha envergadura,
que termina, NÃO SEI QUANDO !
A SECA chegou torrando
muitos anos de FARTURA.

Versos de José de Sousa Dantas, mote de José Farias Filho
Transcrito do Portal Usina de Letras

DEFENESTRAÇÂO E CRIMES INACREDITÁVEIS

Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*


Ao longo da história muitos foram os crimes em nome das religiões, etnias, políticas, preconceitos, racismos, e tantas outras causas que enojam a humanidade.

A defenestração de Praga, entre 1618/1648, na Boêmia, atual República Checa, por disputada de sucessão de trono, foi uma das mais conhecidas. Entretanto, várias foram as defenestrações, em tempos diferentes e motivos vários, cada qual com sua importância histórica.

Vivemos um momento de turbulência no cenário nacional, a credibilidade nas instituições e poderes constituídos atravessa uma fase negativa junto à opinião pública.

Após a implantação, em 1994, do Plano Real, idealizado pelo economista Edmar Bacha, ainda no governo Itamar Franco, gestão do então ministro da fazenda Fernando Henrique Cardoso, o Brasil vem crescendo no cenário econômico internacional, se firmando como a 6° potencial mundial e se projetando à 5° potencia.

Esse fato de relevância política não foi suficiente para crescemos em todos os sentidos, formamos um contingente de pessoas inescrupulosas, voltadas ao apego e a prática do ganho fácil, aumentando substancialmente os desvios de recursos públicos, tanto nas esferas federal, estaduais e municipais, independente de partido ou cargos exercidos.

Com a aproximação do julgamento do mensalão, processo que rola no STF (Supremo Tribunal Federal), muita coisa foi dita a respeito, teses levantadas, dúvidas geradas, e a opinião pública atenta ao que possa acontecer com os acusados.

Nesse final de semana somos surpreendidos com a reportagem da Revista Veja, destacando um encontro casual do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no escritório do ex-ministro da Defesa, Nelson Jobim, em Brasília, com o ministro do STF, Gilmar Mendes, e desse encontro ocorreu uma conversar entre os dois e o ex-presidente teria tentado negociar o adiamento do mensalão para 2013, usando como argumento o julgamento este ano, 2012, não seria conveniente, e como moeda de troca o ministro teria proteção na CPI do Cachoeira, Carlos Augusto Ramos, simplesmente Carlinhos Cachoeira, de maioria governista, citando a relação estreita do ministro Gilmar com o acusado de participação na quadrilha do Carlinhos Cachoeira, senador Demóstenes Torres.

O ex-ministro, Nelson Jobim, negou a conversa do Lula com o ministro Gilmar nesses termos, mas confirmou o encontro dos dois sem conversa reservado.

Há ainda uma citação, dessa conversa, fazendo referência ao julgamento do referido mensalão, onde outras pessoas são citadas, como o presidente da Comissão de Ética Pública da Presidência, Sepúlveda Pertence, ligado a ministra do STF, Carmem Lúcia, para que ela apoiasse a estratégia de adiamento do julgamento. Assunto esse negado pelo presidente da Comissão de Ética Pública da Presidência.

Essas denuncias mais a inoperância da CPI do Cachoeira nos deixa perplexo, até o momento os integrantes da citada CPI não justificaram ainda sua criação, total desinteresse de convocar pessoas, efetivamente citados pelos marginais envolvidos no processo, principalmente os atuais governadores do DF, GO e RJ, cuja atitude, do presidente e relator da CPI, gera uma sensação de acordo entre os partidos dos acusado em questão, PT, PSDB e PMDB, respectivamente.

Isso posto nos vem as dúvidas, se a defenestração dos patrocinadores dos atos de corrupção da nossa sociedade política virá ou se teremos um grande acerto de bastidores, quando alguns bois de piranhas serão escolhidos e condenados, apenas para satisfação da sociedade descrédita e tensa, pela impunidade que toma conta de uma nação que ver seu esforço em vão, onde poucos, e corruptos, ficam com tanto, e muitos com tão pouco, para a dura sobrevivência com a dignidade dos justos e a serenidade dos praticantes da retidão.

*Escritor e Poeta

AINDA HÁ TEMPO

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

Após uma longa noite de sono, o dia mais uma vez amanheceu, trazendo consigo a luz do Sol e a renovação da vida. Mas, ao acordar, senti-me mais cansado do que quando me deitei na noite anterior. O veloz e estressante mundo moderno deixa-nos assim, com essa indisposição, essa fadiga que não vai embora, que insiste em nos maltratar, impondo-nos uma enorme sensação de cansaço, resultado do excesso de atividades e de preocupações que nos circundam no dia-a-dia.

Ainda deitado, ouvi sons que vinham da parte externa da janela do meu quarto. Era o canto da passarada, os murmúrios do mar. De lá também vinham o calor do Sol e o mormaço da vida, vida da luz dourada daquele astro rei que, lentamente, erguia-se por trás da Ponta do Cabo Branco. Sentei-me na cama, rezei meu terço, coloquei-me em meditação, buscando um diálogo com Deus.

Nesse momento, percebi que não adiantava correr tanto, estender a mão para o estresse por tudo e por nada, martirizar-se tendo em vistas as coisas que não foram possíveis realizar no dia anterior e, quem sabe, também não poderiam ser concretizadas durante o dia que ora amanhecia. Veio o pensamento de que é preferível seguir a poesia que diz: “...deixa a vida me levar, vida leva eu..”. Mas nem sempre podemos agir como na poesia, tudo tem seu tempo. Evidentemente que temos que cumprir nossas obrigações, no entanto, é preciso a consciência de que as coisas têm que ser feitas com equilíbrio, com parcimônia e ponderação, pois, no final, tudo se resolverá, afinal, se a noite chega, inevitavelmente, logo em seguida, o sol voltará e amanhecerá um novo dia. Assim é o ciclo do Planeta Terra.

Senti que o tempo é sábio, sempre menino. Por isso, devemos aliviar a nossa mente, diminuindo o nosso ritmo de vida, ou mesmo deixar que as coisas possam se realizar com normalidade. Em instantes de turbulência, de contrariedade e decepções, o recomendável é contar até dez e permitir, por exemplo, que a tranquilidade de uma boa música penetre em nosso âmago, pinçando de nós todas as coisas ruins. A música realmente tem esse condão,, quando tocada em tom suave, harmonizando-se com a natureza, consegue acalmar nosso espírito e nos leva a um estado de tranquilidade que se assemelha ao silêncio das montanhas.

A sensação de fadiga foi sendo expurgada do meu corpo, do meu âmago. Fui criando alma nova e logo eu já estava novamente no trânsito, no já caótico tráfego da nossa capital, indo em direção ao Fórum, para mais um dia de trabalho. No CD do meu carro, um som do piano do campinense Sibelius Donato. Tranquilamente, sem pressa, guiei o carro, não me incomodando com as buzinas e com a marcha lenta do trânsito. Tive um ótimo dia, apesar do trabalho intenso.

Devemos repensar nosso cotidiano.

*Escritor e Juiz da 5ª Vara Cível de João Pessoa.

BRASIL OITICICA: UM PEDAÇO DA NOSSA HISTÓRIA

Maciel Gonzaga
Maciel Gonzaga*

Talvez ela tenha sido a mais antiga empresa organizada do Sertão paraibano. Com capital norte-americano, a Brasil Oiticica S/A foi pioneira no ramo de exportação no comércio de oleaginosas tendo chegado ao nosso país, inicialmente, em 1934, em Fortaleza. Em pouco mais de 50 anos de existência, exportou milhões de dólares para atender aos mercados da Inglaterra e dos Estados Unidos. A unidade de Pombal, que era subordinada a Fortaleza e acabou fechando em 1987 após decretar falência (situação em que, por força de decisão judicial, uma empresa é declarada insolvente, ou seja, incapaz de saldar seus débitos nos prazos contratuais estabelecidos).

Pessoalmente, por me encontrar fora de Pombal há mais de 43 anos, não sei precisamente porque os empreendedores da Brasil Oiticica escolheram a nossa cidade. Apenas, quando menino, ouvi muitas vezes o meu pai – José Firmino de Luna, conhecido como “Alegria da Brasil Oiticica – dizer que Pombal era a maior produtora de oiticica da Paraíba”. Talvez tenha sido esta a razão da implantação da fábrica em nossa cidade. O professor e historiador Inácio Tavares – mais idoso do que eu – dá uma explicação condizente:
Pé de Oiticica
“A segunda Guerra Mundial acelerou a procura por óleo vegetal, em particular, do fruto da oiticica, posto que, naquele momento de sufoco, a indústria siderúrgica dos países envolvidos no conflito, precisava urgentemente, aumentar a produção de ferro e aço, para abastecer as linhas de montagens da indústria bélica. Nesse processo, o óleo entra como um composto químico que dá consistência ao produto, o que facilita a etapa final de laminação. O aço é matéria básica para produção de navios, aviões, tanques, canhões, fuzis, metralhadoras, entre outros artefatos indispensáveis à selvajaria da guerra. O óleo de oiticica, para a indústria siderúrgica, não era um produto de boa qualidade. Desse modo, na ausência, em quantidade, de um bom sucedâneo, não houve outra saída, a não ser ele mesmo”.

No período da colheita da amêndoa da oiticica, uma espécie nativa da região, a economia da cidade de Pombal era acelerada com a circulação de dinheiro, emprego e renda para a população. Na pequena casa onde nasci, na Rua do Cachimbo Eterno, tinha dois pés de oiticica. E, assim, milhares de pequenos proprietários de terra não só de Pombal, mas de vários municípios do Alto Sertão plantavam oiticica, como fonte de renda. Do fruto, além da fabricação do óleo, a palha servia de ração para o gado.

"Sr.Alegria à esquerda, com a mão no bolso"
O meu pai trabalhou pela primeira vez na Brasil Oiticica em 1955, entrando na empresa pelas mãos de um compadre dele – Sr. Lessa – um cearense que se casou com uma pombalense (Dona Cleuzite). E lá, meu pai recebeu o apelido de “Alegria” porque trabalhava no setor denominado “Palha”, que fazia o transporte do fruto da oiticica em um carrinho sob trilhos, trabalhando sempre alegre e sorridente, sob a supervisão de Zé de Bú. Trabalhou até 1959, quando resolveu ir para Brasília.

Confesso que, diariamente, ao ir deixar o almoço do meu pai, ficava deslumbrando observando no pátio da indústria os frutos da oiticica exposto ao sol. Vislumbrava a chaminé. A indústria gerava centenas de empregos diretos e indiretos. Muitos pais de família tiravam o sustento de seus filhos com o suor do seu trabalho despejado na Brasil Oiticica. Tinha uma escola – eu estudei lá, com direito a fardamento, livros e merenda gratuitos - para os filhos dos operários, que funcionava nas dependências da antiga SANBRA, que foi alugada pela Brasil Oiticica

No campo esportivo, a indústria fundou um time de futebol com o propósito de atrair os operários e jovens da sociedade, para a prática desse esporte. Se não me engano era o BOSA Futebol Clube, a sigla da Brasil Oiticica Sociedade Anônima.
A sirene da Brasil Oiticica acordava toda a cidade. Era o nosso relógio londrino. Qual não foi a minha surpresa há alguns dias atrás, ao ouvir pela internet o programa de Genival Severo (Rádio Liberdade-FM), que estavam derrubando a chaminé da Brasil Oiticica. Fiquei pasmo! Comuniquei-me imediatamente com o amigo-irmão Clemildo Brunet de Sá e sugeri a ele um movimento na cidade, com direito a ir ao Ministério Público e à Justiça pedir a paralisação imediata do feito. Felizmente, isso aconteceu pela iniciativa de outro amigo-irmão o professor José Cezário de Almeida e do advogado Zildo de Souza, com o pedido de embargo junto ao MP, em razão do valor histórico daquele patrimônio, que faz parte da história de Pombal. O poder público municipal não pode silenciar diante dessa drástica atitude. A sociedade tem que se mobilizar em defesa desse nosso patrimônio, pois o sinal sonoro emitido da sirene localizada no alto da chaminé deve ficar para sempre na memória do povo da cidade de Pombal.

*Pombalense, Jornalista, Advogado e Professor. Natal RN.

LEMBRANÇAS E ESPERANÇAS

Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*


Confesso que 1962 foi ano um que marcou profundamente minha infância, era o centenário da minha cidade natal, no dia 21 de julho daquele ano, no sertão paraibano, Pombal. A cidade tomou um aspecto de festa, uma semana de desfiles, comemorações, a comunidade participou ativamente das festividades, foi preparado um documentário apresentado aos munícipes, após os eventos, na tela panorâmica e som estereofônico, equipamentos na época de última geração, do cinema local, Cine Lux. Tudo modesto, mas tinha o cunho da cultura de um povo encravado no semi-árido nordestino, com suas tradições e sofreguidão, resultante das constantes secas da região.

Decorridos 50 anos, a cidade que já a conheci no auge dos seus 100 anos agora se prepara para seu Sesquicentenário. Novos cenários, cultura modificada, a globalização fazendo parte do contexto de uma gente que continua sofrendo as conseqüências das secas e suas seqüelas. Mesmo distante, continuo me informando da atividade cultural da cidade pequena a quem devo o inicio da minha formação. Para a minha tristeza não sinto nas palavras dos meus interlocutores e conterrâneos, que moram por lá, qualquer intenção de manifestação no sentido de festejarem essa data tão representativa para um município, mesmo sendo este ano, 2012, um ano que vem castigando duramente, todo nordeste, com o prolongamento da estiagem que persiste em minar a resistência da nossa gente, não vejo motivos para que se esqueça tão importante fato.
A tristeza aumenta quando sou sabedor que a memória cultural está para perder um dos seus monumentos, o chaminé da Brasil Oiticica, marco de uma época de desenvolvimento da industria de transformação, para o município, que será tombado, não pela cultura e pela preservação da historia da cidade, mas pelas mãos assassinas de quem não tem qualquer compromisso com a história das civilizações.

Hoje, residindo na região sul, cidade de Navegantes, onde em 26 de agosto próximo será comemorado o qüinquagésimo aniversário do município. Para meu desencanto, verifico que, aqui também, nenhuma manifestação maior está se formando para a comemoração da data do seu cinqüentenário. Navegantes, cidade fundada à foz do rio Itajaí-Açú, próspero município, com pujante desenvolvimento, principalmente após a implantação do sistema portuário com grande movimento de carga, no atendimento de importação e exportação, prospera e crescendo num ritmo acelerado, alcançando um dos maiores índices do Estado de Santa Catarina. Apesar dos problemas recentes com o nivelamento do ICMS, percentual único, para importações, imposição do governo federal, ocorrido recentemente, fato esse, resultando prejuízo para o município, e, todas as cidades portuárias do Estado. Vejo que, o município merece uma comemoração tão importante quanto a sua importância econômica, histórica e cultural para a economia do Vale do Itajaí.

Navegantes podia aproveitar essa data tão representativa para sua gente e lançar um programa para o desenvolvimento turístico da região, fundamentado nas suas riquezas naturais, proporcionadas por suas praias e contorno litorâneo. A cidade tem um aeroporto de porte internacional, atendendo grande área turística, passando por aqui pessoas vindas de diferentes regiões, inclusive exterior. Tendo como um dos municípios limítrofe a cidade de Penha, onde está localizado o maior parque temático da América Latina. Portanto, o fluxo turístico é muito grande e importante para quem quer desenvolver o turismo como uma fonte de renda, principal ou alternativo, mas que busque nesse segmento uma forma de sedimentar a economia local para blindagem de problemas futuros que possam ocorrer caso advenha alguma crise nos setores de transporte marítimo e industrial, naval e pesqueiro, fontes da economia local.

Duas cidades tão distantes de histórias tão diferentes, com lutas distintas para o seu povo, mas com uma memória, ambas, próxima da indiferença para suas raízes históricas e culturais, ainda há tempo para que possamos mudar o curso da história.

Escritor e Poeta pombalense