LEMBRANÇAS DE ROSIL CAVALCANTI, O CAPITÃO ZÉ LAGOA

Maciel (Foto)
MACIEL GONZAGA*
Neste dia 10 julho completam-se 41 anos da morte de Rosil Cavalcanti, um dos maiores compositores de seu tempo. Autor de sucessos como “Sebastiana”, “Na base da chinela” “Coco social”, “Coco do Norte”, todas gravadas por Jackson do Pandeiro, seu maior intérprete. Poucas pessoas sabem hoje que Rosil Cavalcanti residiu em Pombal por alguns anos e, em 1947, instalou em nossa cidade o Serviço de Alto-Faltantes Tupã, que durou três anos, até 1950. Ignácio Tavares, em artigo intitulado “No Tempo da Rádio Difusora Tupã”, publicado em 6 de junho de 2007, aqui mesmo neste Blog, faz referência a presença de Rosil Cavalcanti em Pombal.
Diz Inácio que “..em pouco tempo a Rádio Difusora Tupã, passou a ser o centro das atenções e logo conquistou corações e mentes do povo da terrinha..”. “...de forma engenhosa e inteligente, o jovem empresário implantou um tipo de jornalismo até então desconhecido pelo povo. As noticias, que eram garimpadas e catalogadas pela sua secretaria e esposa, abrangiam todos os recantos do Brasil, do Estado, afora o noticiário local. As informações eram repassadas através de auto-falantes localizados em pontos estratégicos da cidade...”. “...dessa forma, a questão do desrespeito a pessoa humana, passou a ser a âncora do jornal diário da Rádio Difusora Tupã. Centenas de pessoas acotovelavam-se em frente ao estúdio, para escutar os editoriais, que eram lidos antes do inicio do jornal de cada dia, escritos caprichosamente pelo editor do jornal. Rosil sabia muito bem o risco que estava correndo, diante das posições assumidas contra grupo em questão. Corajoso e destemido, em nenhum momento curvou-se à pressão da força repressora udenista, em assim sendo, continuou a deitar falação e denunciar firmemente os atos de barbárie cometidos contra as pessoas indefesos. O seu propósito era o de acabar, de uma vez por todas, com esse tipo de agressão perversa e gratuita. Não tardou, numa certa noite, quando encerrou a sua programação foi atacado por desconhecidos de forma brutal e humilhante. Diante do quadro de terror que se instalou na cidade, resolveu definitivamente sair de Pombal e decidiu fixar residência em Campina Grande”.
De família tradicional na política de Pernambuco, Rosil de Assis Cavalcanti, que nasceu no dia 20 de dezembro de 1915, em Macaparana-PE, trabalhou durante toda sua vida como funcionário público – era fiscal de renda. Seu primo de segundo grau, Joaquim Francisco chegou a ser governador do estado. Mas a paixão de Rosil era outra: compositor, ator, radialista. Ao deixar Pombal e se fixar em Campina Grande, em 1951 Rosil Cavalcanti entra definitivamente para o rádio como redator na Rádio Caturité, recém inaugurada por Drault Ernani, onde lançou o programa Rádio Atrações. Culto e talentoso, dono de uma forma poética típica da nossa “nordestinidade”, que se algum crítico, algum dia procurar caracterizar, rotular, necessariamente falará de um “realismo nordestino”, Rosil não conseguia conter o seu impulso artístico.
Dupla Café com Leite Jakson e Rosil (Foto)
Chegou a formar a dupla caipira “Café com Leite” com um rapaz conhecido como Jack, que mais tarde seria o famoso Jackson do Pandeiro. Logo depois foi trabalhar na Rádio Borborema, onde criou um programa de noticiário policial “Radar”, ancestral de qualidade desses folhetins que se tornaram os boletins policias das emissoras de rádio de hoje em dia.
Mas, o grande sucesso de Rosil foi o “Forró do Zé Lagoa”. Programa de forró que animava as noites da Rainha da Borborema, do Cariri ao Brejo, onde chegavam as ondas sonoras da emissora dos Diários Associados. As pessoas paravam para ouvir o Zé Lagoa. A Rádio Borborema tinha auditório e o programa era transmitido do auditório, ao vivo. Ali se fez concurso de sanfoneiro, de dançarino, de beleza, de teatro, etc. Na realidade era uma rádio-teatro. Rosil tinha um carisma impressionante e cativava todos e todas. Os artistas famosos da Rainha da Borborema e de todo o Nordeste tinham presença garantida nos finais de semana. Muitos cantores passaram por lá ainda como calouros, como Genival Lacerda, Zé Calixto, Marinês e Abdias. Como compositor Rosil Cavalcanti é inigualável. Teve dezenas músicas gravadas por Jackson do Pandeiro, como “Cabo Tenório”, “Lei da Compensação”, “Quadro Negro”, “Forró na Gafieira”, “Na Base da Chinela”, “Aquarela Nordestina”, o clássico “Sebastiana”, entre outros. A ainda teve canções gravadas pelo Trio Nordestino, Zé Calixto, Genival Lacerda, Anastácia, Ary Lobo, Luiz Gonzaga, entre muitos outros. O Capitão "Zé Lagoa" (Foto)
Tinha um grande defeito: era birrento, pegava ar por qualquer coisa. Em 1978, durante um almoço no Restaurante Manuel da Carne de Sol, em Campina Grande, o Rei do Baião – Luiz Gonzaga – me contou essa história: havia se desentendido com Rosil por conta da uma alteração que a gravadora RCA Victor exigiu que fosse feita em uma música de Rosil. Ele não gostou e deixou de falar com o “velho Lua”. Ficaram quase um ano sem se falar. Eis que Gonzagão vem a Campina e pede a Zé Bezerra para intermediar uma conversa com Rosil. Os dois se encontram, mas a conversa foi pouco produtiva. Luiz Gonzaga se encarregou de cumprimenta-lo, perguntar como estava a patroa, dizer que estava com saudades de notícias suas, etc. e tal. Rosil pouco falou, pediu licença, disse que ia ter que trabalhar e se retirou. Trancou-se em uma sala e poucos minutos depois entregou a Luiz Gonzaga um papel datilografado com esta, que considero uma das músicas mais bonitas de sua autoria (“Amigo Velho), gravada em 1963 por Gonzaga: “Ô amigo velho, como vai, como passou? / Pedi notícia sua, porém você não mandou / Me diga como vai sua distinta família / Como vai aquela jóia que é sua linda filha / Como vai seu filho, tipo do rapaz perfeito / E sua senhora, lhe transmito meu respeito / Amigo velho foi prazer ter lhe encontrado / Eis aqui um forte abraço desse seu menor criado / Você está mais forte, bem disposto e humorado / Parece vender saúde, deve andar bem sossegado / Logo que cheguei, pretendia lhe avistar / Porém lhe vendo agora, quero lhe cumprimentar / Amigo velho depois eu falo consigo / Dê licença a seu amigo, que vou ter que trabalhar. Esta letra retrata simplesmente o encontro dos dois, que fizeram as pazes, se abraçaram e choraram muito.
Rosil Cavacanti, no auge da Carreira 1955 (Foto)
No dia 10 de julho de 1968, no início da tarde, Rosil se sentiu mal quando descansava sob a sombra de uma Quixabeira em uma fazenda próxima a Campina Grande. Pediu um chá para “desempachar”, reclamou mais uma vez do mal-estar e anunciou: vou pra Campina, não estou bem. Na noite daquele dia, como em todos os outros, moradores, trabalhadores rurais, fazendeiros e a população daquela área em geral se aglutinava nas casas onde havia um Rádio, daqueles grandes, para ouvir o Forró de Zé Lagoa.
Em vez da música introdutória, se ouviu uma voz fúnebre anunciando o falecimento do poeta da caatinga, dos cariris, do Nordeste. Campina Grande assistiu a mais profunda comoção que a atingira. Desaparecera subitamente sua síntese poética, suas alegrias e suas tristezas. Nesse dia, macambiras e xiquexiques murcharam. Juritis, asas brancas, ribaçãs arribaram. O povo, a população simples e pobre das periferias de Campina e dos municípios vizinhos se encerrou em luto. Campina Grande não comportou a quantidade de pessoas para o último adeus ao poeta que a cidade adotou. Rosil Cavalcanti não pode ser esquecido.
*Pombalense, Jornalista, Advogado e Professor – Natal RN.

ANIVERSÁRIO EM DOSE DUPLA DE UM AMIGO DE INFÂNCIA!

Clemildo (Foto)
CLEMILDO BRUNET*
O nascer neste mundo é na verdade uma ação espontânea, que por mais que o raciocínio humano se esforce não irá descobrir em profundidade o que seja isto. Poderá haver muitas perguntas, mais nunca teremos a resposta que satisfaça o nosso ego. Sabemos tão somente que nascer é dádiva divina, pois nem eu e nem você pedimos pra nascer. O salmista descreve esse acontecimento em uma oração dirigida ao Criador de todas as coisas:
“Pois tu formaste o meu interior tu me teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem. Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias cada um deles escrito e determinado, quando nenhum deles havia ainda”. Sl.139: 13-16.
Nossa vida está escondida em Deus mesmo antes de nossa formação no ventre materno e também depois de nascido. E os amigos? Estes sim vieram até nós de forma surpreendente. Existe até uma escala: Amigos de perto, amigos de longe, amigos do peito, amigos confidentes, amigos sinceros, amigos infiéis e até amigos mais chegados que um irmão. Não quero tratar de nenhum deles.
Lenice e Francisco (Foto)
Hoje me reservo para homenagear um amigo que conheci na infância e que neste mês de julho tem aniversário em dose dupla. Até hoje nossa amizade perdura e creio que será assim para sempre!
FRANCISCO DE ASSIS VIEIRA NUNES, mais conhecido por Professor Vieira, natural de Pombal-PB, nasceu no dia 08 de julho de 1950, filho de Antonio Vieira Filho e Galvani Vieira Nunes seus irmãos, Marcos Antonio Vieira e Galvani Viera Nunes. Casado com Rita Lenice Clementino Vieira, nascendo dessa união os filhos Fábio Rogério Clementino Vieira, atualmente supervisor de vendas Moto Sul Honda no Estado da Bahia e Fabíola Rejane Clementino Vieira, advogada e treener do SEBRAE na cidade de Patos-PB. Formado em Biologia pela UFPB e graduado em Metodologia do Ensino Superior, foi Professor no Colégio Josué Bezerra, Vice-Diretor da Escola Mons. Vicente Freitas (Polivalente), Diretor da Escola João da Mata e Secretário de Administração Municipal de Pombal 93/96.
Conheci Francisco Vieira quando seus pais vieram morar na rua Cel. José Fernandes – conhecida por rua do rio, ao lado de outros amigos como seu irmão pretinho, João Costa, Assis Caetano, Toinho Ugulino e muitos outros que moravam no mesmo logradouro. Tivemos uma infância cheia de peripécias (coisas de menino), até mesmo birra. Lembro-me certa ocasião em uma noite enluarada havia faltado energia e o clarão do luar era tão intenso que adentrava as frestas das janelas e portas abertas facilitando o nosso percurso por dentro de casa sem que houvesse necessidade de outra luz.
Pois bem, não sei explicar por qual motivo, estava brigado com os Vieira, Chico e Pretinho. Eu e Claudete minha irmã começamos a discutir com eles terminando por ir à via de fato. Eles foram chorando pra casa e contaram a seus pais. De repente, estávamos na calçada e vimos quando Antonio Vieira se aproximava da nossa morada, corremos e fomos nos esconder atrás do fogão de carvão feito de alvenaria que ficava no meio da cozinha. Não nos importamos em deixar a porta aberta e Antonio Vieira veio até a sala e como estava escuro, começou a chamar por Napolião, enquanto eu e Claudete rimos silenciosamente lembrando a presepada que havíamos feito. Não tendo obtido resposta, Antonio Vieira foi embora. Passado o episódio, voltamos às boas.
De outra feita, meu pai havia realizado uma limpeza geral na casa e construído um armazém no fundo do muro, tinha sido deixado resto de material como telhas, tijolos, ripas etc. em dado momento reunido com os meninos João Costa, Assis de Chico Caetano, os irmãos Vieira (Chico e Pretinho), todos tomando banho com uma mangueira, começamos a molhar uns aos outros, nisso a água começou atingir parte do serviço da limpeza. Minha mãe e Zefa já haviam reclamado da bagunça que estávamos fazendo. Chamaram meu pai pra acabar com aquela festança.
A correria foi grande, era salve-se quem puder. Os mais ativos se livraram, mas, dois deles se deram mal. Pretinho enquanto corria foi atingido e ferido no pé com um pedaço de pau que tinha um prego na ponta e João Costa que não teve como se livrar das mãos de seu Napolião levou umas lapadas de ripa. Seu Napolião não deixou por menos e foi à casa de cada um contar a seus pais a brincadeira de mau gosto que haviam feito. Disse-me Vieira que isso lhe custou uma grande pisa e castigo pra ele e seu irmão.
A dose dupla em aniversário neste mês de julho para este amigo de infância é o seu nascimento no dia 08 e aniversário de casamento no dia 11. São 38 anos de convivência somados aos cinco de namoro e noivado. O amor recíproco dos dois faz com que essa união seja solidificada cada vez mais no sentimento da indissolubilidade do matrimônio, o que é raro entre muitos casais nos dias de hoje.
O interessante é que o namoro começou em 11 de julho de 1971, vindo a coincidir depois com a data do casamento. Já haviam paquerado cerca de um ano, só então houve o encontro de ambos para o início do romance. Ela trabalhava no comercio na loja Bazar das Novidades, que ficava na mesma Rua da Mercearia do pai dele e todos os dias na ida e na volta seus olhares se cruzavam, pois Vieira ficava na espreita para vê-la passar. Pouco tempo depois, Lenice tornou-se funcionária das Casas Bandeira, e para continuar paquerando-a, Vieira escolheu outro local estratégico.
Casal Feliz Francisco e Lenice (Foto)
O local do encontro foi a Praça Getúlio Vargas próximo a Igreja Matriz do Bom Sucesso. Ele, Com uma desculpa esfarrapa a convidou para tomar água no Bar Centenário. Ainda hoje juntos estão a beber da mesma fonte. A fonte do amor que nasceu ali. Durante o namoro puderam viver a melhor época da nossa música os anos 60, participando de grandes festas com os águias de Pombal, Os Jovens de Patos, Uirapuru Zimbo de Sousa e outros. A música preferida do casal é Nosso Juramento.
O casamento Religioso e Civil ocorreu na Igreja Matriz do Bom Sucesso, sendo oficiantes o Pe. Solon Dantas de França e o Juiz da Comarca Dr. João Targino Filho, tendo como testemunhas: Marcos Antonio Vieira e Josenice Martins, Maurício Bandeira de Sousa, Mauricio Bandeira Neto e Francisco de Assis Freitas com suas respectivas esposas.
Professor Vieira aqui vai minha homenagem - felicito você e família por esta dupla comemoração. Agradeço a valiosa colaboração de parceiro e escritor que você é do nosso Portal Clemildo, Comunicação e Rádio, desejo-lhe muita saúde e sucesso na vida.
FELIZ É UM AMIGO DE INFÂNCIA COM ANIVERSÁRIO EM DOSE DUPLA.
MEUS PARABÉNS!
*RADIALISTA.

FESTAS DE SÃO PEDRO NA RUA DOS PEREIROS - POMBAL.

Jerdivan (Foto)
Jerdivan Nóbrega de Araújo*
A Janela da nossa casa nos oferecia uma visão privilegiada de todo pátio da estação de trem, torrefação de café do seu Antônio Rocha, Cemitério Nossa Senhora do Carmo e o portão da Brasil Oiticica, por onde entrava o trem tanque que recolhia o óleo extraído das amêndoas da oiticica. Sendo assim, nenhum dia da minha vida poderia ser igual ao outro, com tão privilegiada e movimentada vista. Era 1971 e eu viva meus verdes 10 anos de idade.
À noite o trem Asa Branca, de passageiros com seus encontros e desencontros, e durante o dia os diversos trens de cargas que a cada minuto passavam rasgando o silêncio, fazendo tremer todas os cristais e biscuís da nossa cristaleira.
Nas ultimas sexta feira do mês era bonito de se vê a fila de caçapos da REFFESA, com seus macacões azulados, caminhando para o lado da Estação Ferroviária a espera da chegada do tão e aguardado trem pagador. Lembro-me que era um vagão avermelhado e, diferentemente dos demais que eram em aço, este era em madeira. Lembrava-me as locomotivas que eu via nos “wests” ali na tela do Cine Lux. Da minha janela, eu esperava a chegada dos bandidos em seus cavalos, para o grande assalto ao trem pagador o que, para minha decepção nunca acontecia. Recebidos seus proventos, os caçapos saiam em disparadas para as bodegas de seu Otacílio ou Terezina de seu Natan, para quitar as dividas do mês anterior. Era também nestas datas que mais e se viam bêbados caídos na “pedra” da Estação.
A Rua dos Roques era o meio caminho entre a Rua do Guidaste, Cruz da Menina e a Rua dos Pereiros, único bairro de Pombal a ter uma Igreja católica. As outras duas ficam no centro da cidade. Era este fato que diferenciava aquele povo que se sentia privilegiado por tal acontecimento. Trata-se da Igreja de São Pedro, uma edificação imponente e muito bem cuidada pelos moradores da Rua dos Pereiros.
Toda a rua era, e certamente ainda é, centralizada por uma linda praça, de canteiros muito bem cuidados. As algarobas da Praça eram podados de forma a sua copa tomarem a foma de cones e seus canteiros eram muito floridos. As casas que formavam a rua, apesar de humildes, eram todas muito bem cuidadas. Não lembro de um dia ter visto o “meio fio” das calçadas da Rua dos Perreiros que não estivessem calhados, muito bem branquinhos. A tarde a artéria era movimentada, apesar de não se ter um único comércio na imediações. Era uma localidade calma onde se viam velhos aposentados nas sombras das algarobas, mulheres cozendo ou tricotando, vendedores de quebra queixo, carroça de Pipoca e “ taboletas” de bombons.
Vários eram os motivos de orgulho do povo dos Pereiros, porém, dois se destacavam: a visita de Frei Damião igreja de São Pedro quando das suas missões, foi primeira comunidade no Nordeste a erguer uma estátua do velho “Santo” nordestino, isso ainda nos anos setenta. Outro orgulho do povo dos Pereiros era a realização da Festa de São Pedro. Este evento acontecia durante todo o mês de julho. Não era festinha de Bairro: Era comparável a Festa de Nossa Senhora do Rosário. Neta data todas as casas, já muito bem cuidadas, eram pintadas, preferencialmente em azul, as árvores e a praça recebiam um tratamento especial.
Missas na Igreja de São Pedro todas as tardes, parques de diversões, jogatinas, comércio de bugigangas e comidas tipicas, difusoras para oferecimento de músicas e as barracas do Cordão Azul e do Cordão Encarnado, que competiam nos leilões de assados. A barraca vencedora era a que mais dinheiro arrecadasse para a Casa Paroquial. As barracas eram muito bem arrumadas, com arcos em papel seda coloridos para receber os visitantes, banderolas tremulavam ao alto de um a outro canto da rua e muitas toalhas coloridas nas janelas das casas, e todo mundo com sua roupa de festa. A festa de são Pedro era um acontecimento na cidade de Pombal.
Toda a Pombal se encontrava nas Ruas do Pereiros para a Festa de São Pedro. Até meus pais que não eram muito de festas marcavam sua presença. Ali não havia divisão de classe. O Juiz, o Prefeito, o ainda deputado Ruy Carneiro, Janduy Carneiro, Dr. Avelino Queiroga e muitas outras figuras importantes disputavam ao grito o leilão de frangos e outros assados que passavam nas mãos do leiloeiro, naquele “quem dá mais?” frenético, que contagiava e empolgava a todos.
Políticos adversário não queriam deixar que o seu desafeto arrematasse uma prendar por um valor inferior, e sempre gritavam um preço bem mais alto, até que um deles desistia, para a alegria do outro, que, sob aplausos, apontava em que mesa deveria ser entregue a prenda arrematada.
A Festa de São Pedro, que naquela época era organizada pelo rígido Padre Levi, não mais é realizada pelos moradores da Rua dos Pereiro, o que é uma pena. Uma tradição do povo acabou por sucumbir ao tempo e a modernidade.
*Escritor pombalense.

CASAL PARAIBANO É DESTAQUE E RECEBE PRÊMIO NA BAHIA!

Casal Homenageado na Bahia (Foto)
Por Clemildo Brunet.
Fábio Rogério Clementino Vieira e sua esposa advogada Katherine Abrantes Queiroga, participaram no dia 30 de abril deste ano de uma Festa Social no Centro de Convenções Cenarium Eventos no município de Teixeira dos Freitas no extremo sul da Bahia, ocasião em que o casal recebeu o Prêmio Destaque Empresarial.
Recebendo o Prêmio Destaque Empresarial (Foto)
Ele como Supervisor de Vendas, e ela como Gerente Geral da Moto Sul – Honda, empresa conceituada no ramo de motos e similares. O evento contou com mais de mil convidados e foram homenageadas as 126 melhores empresas da cidade nos diversos ramos. Indústria, Comércio e Serviços que foram escolhidas no critério de pesquisa popular.

Fábio é natural de Pombal filho de Francisco Vieira e Rita Lenice C. Vieira, ambos professores, enquanto Katherine nasceu em Sousa, filha de José Abrantes (Zé Neco) e Aldaly Queiroga.

O prêmio em sua 17ª versão é uma promoção conjunta do SEBRAE, CDL, ACE – Associação Comercial e Empresarial e SINCOMÉRCIO do município de Teixeira dos Freitas- Bahia.

Nossos parabéns ao brilhante casal paraibano que hoje é destaque na Bahia.

EDNÔR VARELA: AMIGO POR EXCELÊNCIA.

Prof. Vieira (Foto 01)
POR FRANCISCO VIEIRA*
Creio que as pessoas devem ser homenageadas em vida. Com algumas ressalvas, a homenagem póstuma é cabível, entretanto, mesmo bem vinda, não caracteriza nem configura o direcionamento voltado para quem merecidamente a recebe. Afinal, de que vale sermos reverenciados após a morte se nos tornamos apenas saudades. Dessa forma, a maioria dos grandes gênios da humanidade partiu todos carregando o peso da frustração de não verem suas obras reconhecidas. Lamentavelmente não souberam e jamais saberão o quanto foram importantes.
Partindo, pois dessa premissa, é meu intuito homenagear de público, neste dia 05 de julho, oportunidade em que completa mais uma data natalícia, meu irmão, meu compadre e amigo por excelência: EDNÔR VARELA. E, para justificar minha atitude descrevo em síntese sua história, sua vida, cuja narrativa a faço com a mais absoluta propriedade. Sinto-me, pois à vontade para tanto.
JOSÉ EDNÔR VARELA DE ARAÚJO, é o seu nome de batismo. Nasceu em Açu – RN no dia 05 de julho de 1948. Filho do casal João Lobato de Araújo e Francisca Varela de Araújo. Membro de uma família simples e humilde, porém digna e composta de cinco irmãos: Jaime, Manguinha, Joãozinho e Neuza, além do homenageado. Como numa confirmação do adágio popular: “o espinho pra furar de pequeno traz a ponta”, Ednôr, já na adolescência, demonstrava responsabilidade e determinação dedicando-se muito cedo ao trabalho. Assim, foi que aos quatorze anos deixou o convívio familiar na busca pela sua independência. Graças ao talento para a arte musical tornou-se exímio trompetista, profissão que lhe assegurou o sustento durante muitos anos e lhe proporcionou o raro prazer de acompanhar renomados artistas da época, tais como: Nelson Gonçalves, Altemar Dutra, Adilson Ramos, Nelson Ned e outros.
Tempos depois se mudou para Mossoró-RN onde serviu ao Tiro-de-Guerra chegando a conciliar os dois ofícios. E, como se tivesse criado vínculo com o Exército Brasileiro, transferiu-se para Caicó-RN, em 1968, trabalhando inicialmente no SAS – Serviço de Assistência Social junto ao I BEC – Batalhão de Engenharia e Construção, tendo se desligado voluntariamente em 1974, para iniciar atividade comercial no ramo de panificação, profissão na qual tornou-se uma referência. Ainda em Caicó, contraiu matrimônio com a jovem Suelena Costa Varela de cuja união nasceram os filhos: Suednôr, Sandro, Sanderson e Suedja que lhe deram três netos.
Ednor e Suelena (Foto 2)
Numa incontida persistência e inabalada fé, Ednôr Varela seguiu a vida numa luta constante. Com esta visão mudou-se para São João de Sabugi-RN onde viveu cerca de seis anos. Enfim, como numa peregrinação, transferiu-se para o vizinho Estado da Paraíba, estabelecendo-se em Pombal, lugar onde ainda permanece desde 1983, gozando de grandes amizades, respeito e prestígio. Foi justamente nessa época que nos conhecemos e firmamos esta amizade que ainda hoje desfrutamos extensiva inclusiva a toda família e que seguramente há de perdurar para sempre.
Motivado pelo acentuado sentimento de solidariedade humana, virtude demonstrada pelas suas ações, Ednôr Varela, sempre se mostrou sensível ao próximo. Preocupado com os problemas sociais manifestou-se amante da sabedoria, da virtude, da justiça e, sobretudo da humanidade, princípios defendidos pela Maçonaria, tendo por isso ingressado nos seus sagrados mistérios tornando-se maçom dedicado. Fez da Maçonaria mais uma opção de vida para dar vasão ao seu espírito de bem servir. Enfim, não é maçom quem quer, mas que merece e tem qualidades.
Iniciou na Ordem em 06/05/78, na Loja “Regeneração do Seridó”, tendo sido elevado e exaltado aos graus de companheiro e mestre respectivamente em 1978 e 1979, atingindo a plenitude da maçonaria simbólica. Em 04/05/1985, fundou a Loja “Raimilson Felinto” nº 8, em Pombal-PB, tornando-se seu primeiro venerável pela vontade unânime dos irmãos, cargo que ocupou por diversas vezes, tornando-se uma grande liderança. Anos depois, objetivando oferecer aos irmãos oportunidade de aprofundamento nos estudos maçônicos, fundou a Loja de Perfeição “Antonio Olímpio Sobrinho”, da qual foi também seu primeiro presidente, cujo corpo ainda encontra-se em pleno funcionamento, ministrando desde o grau 4º ao 14º. E, como se não bastasse, em 21/07/1990, colou o grau 33º, denominado Grande Inspetor Geral da Ordem, sendo inclusive o primeiro maçom de Pombal a galgar a plenitude maçônica. Ocupou ainda os cargos de Conselheiro Consultivo do Capítulo DeMolay e Guardião Associado do Bethel nº 004, ambos de Pombal, este último ao lado de sua filha Suedja. Sem ostentação de orgulho ou vaidade apresenta larga folha de serviços prestados à instituição e a humanidade nas diversas áreas, cujo trabalho lhe fez merecer inúmeras honrarias, senão vejamos: Colaborador Emérito do Exército Brasileiro – 1974 – Comando do Nordeste, Cidadão Sabugiense – São João do Sabugi-RN, Cidadão Pombalense – 1993 - Pombal – PB, Amigos da Escola – Escolas Estaduais João da Mata, Arruda Câmara e Mons. Vicente Freitas – Pombal - PB, Consagração Pública – 2007 – CDL – Pombal - PB, Prêmio Top of Mind Brazil – IMBRAP, Prêmio de Qualidade e Melhor Panificação – 2006 – INTERVOX, Troféu Imprensa 2001 –Transcurso do Primeiro Aniversário do Programa “Saudade Não Tem Idade” Rádio Liberdade 96 FM– Certificado Parceiro Amigo da Imprensa 2007 Pombal - PB, Grande Benemérito da Ordem – Grande Loja Maçônica da Paraíba, Membro Benemérito – 2002 – Loja Maçônica “Manoel Abgail – São João do Sabugi-RN, Certificado de Gratidão e Reconhecimento – Capítulo DeMolay “Cavaleiros Templários”- Pombal - PB e Certificado de Reconhecimento – Loja “Raimilson Felinto”-Pombal-PB.
Ednôr Varela reúne uma série de virtudes que dignificam sua personalidade, honram a família e orgulham seus amigos. Acreditando na educação e nos princípios morais valorizou entre outras as seguintes qualidades: honestidade, integridade, moralidade, honradez e justiça. E, como se tanto não lhe bastasse, destaca-se pela lealdade as pessoas. Seu espírito solícito lhe dispondo sempre para o ato de bem servir nos dá a certeza absoluta de um verdadeiro amigo. Daí, a afirmação: tê-lo como amigo é um porto seguro. É aquele que transmite segurança; que diz a palavra que conforta nos momentos difíceis. É de todas as horas: nas vitórias e, principalmente nas derrotas. É jóia rara de valor imensurável. É o amigo de sempre, mesmo sabendo que o sempre inexiste, pois somos mortais. Amigos são raros, por isso se consagram em nossos corações e se eternizam em nossos pensamentos. Como amigo você é aquele que alimenta a amizade pura e desinteressada, por isso, aceita as pessoas como elas são, tolera o intolerável, apóia sempre, mas repreende quando necessário.
Privar de sua amizade é sentir-se forte como um gigante; ser brilhante como uma estrela reluzente. É a ausência da ignónita, pois você é a solução sempre disposta. Você é a certeza da amizade certa; a esperança que se faz realidade. Segundo Confúcio, é pelo sucesso e pela desgraça que se conhece o verdadeiro amigo; no sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade. Muitos passam em nossas vidas, mas somente os amigos deixam pegadas.
A força da amizade é dimensional, ela nos permite viver bem com as diferenças. A amizade nos faz compreender, perdoar, guardar a sete chaves e respeitar as divergências. Une-nos nas horas incertas, protege, acolhe e ampara. Amigo é algo inestimável. Amigo não se doa, porque doar é ceder gratuitamente; não se compra nem se vende porque não é mercadoria em liquidação. Na verdade amigo a gente sente e sentir é ter consciência do próprio estado de sentimento.
Nada é comparável a uma grande amizade. Sem esse vínculo não há harmonia nem paz. Descrevê-la a altura é impossível, pois existem coisas que são lindas demais para serem descritas por palavras. É preciso contemplá-las em silêncio. Somente aos poetas é possível, pois são divinos na arte de expressar sentimentos. Assim, nada do que eu diga pode ser tão importante quanto esta amizade. Portanto, prefiro me calar, ser comedido para não confundir, pois aquele que muito fala nunca tem sucesso.
Tudo a seu respeito se resume no pensamento a seguir, cujo autor desconheço: “Fazer um amigo é um dom/Ter um amigo é uma graça/Conservar um amigo é uma virtude/Mas, ter você como amigo é uma honra.”
Nossa amizade é mais que um discurso - é uma verdade, um presente de Deus.
Desta forma fica patente a nossa homenagem – minha e da família.
É o apreço que devotamos a EDNÔR VARELA – AMIGO POR EXCELÊNCIA.
Pombal, 05 de julho de 2009.
*Professor, Ex-Secretário de Administração e Ex-Diretor da Escola Estadual João da Mata.

POMBAL: ANTES E DEPOIS.

Por Severino Coelho Viana
A literatura traz um aspecto de notável importância para aqueles que lidam neste campo da arte, deixando como instrumento de uso a expressão de espontaneidade na divulgação de situações concretas ou do fruto de criação ou recriação puramente imaginativa. Esta é a arte dos sonhadores que não perdem a esperança de ver seus sonhos realizados.
Neste nosso trabalho encampamos os fatos realísticos e tentamos edificar as nossas ideias imaginárias como se fossem possíveis torná-las palpáveis num futuro bem próximo, rebrilhado pelo sentimento de amor que temos pela nossa Terra. Este é o objetivo maior desta nossa investida literária na perspectiva de crescimento do nosso querido Pombal, tornando-o mais grandioso e altaneiro em todos os setores da comunidade. Então, vamos em frente e mãos à obra!
Concretamente, ninguém sabe a fonte originária do primeiro habitante de uma localidade, de onde ele veio e aonde ia. Desconhecemos completamente o local da primeira oca, a disseminação da primeira taba ou a construção do primeiro casebre ou da primeira casa, apenas identificamos a raça primitiva. Esta identificação se deu com a colonização, cuja raiz genealógica aflorou dos índios Cariris, com suas ramificações das tribos: Ariús, Pegas, Paiacus, Tapuias, Jaduis, Sucuriús, Canidés, Coremas, Panatis etc. que nas suas peripécias pelo areal do Rio Piancó, caçando e pescando, faziam estripulias por cima das canafístulas, ingazeiras e oiticicas, juntamente no meio das feras bravias e a suavidade das aves silvestres, neste ambiente ecologicamente equilibrado, da fauna e da flora, ao longo das ribanceiras.
Esta paz ecológica seria por pouco tempo, o desbravador feroz e impiedoso estava por chegar! Como se caracteriza o desenvolvimento de uma localidade? Tradicionalmente, com apoio nos usos e costumes de um povo, a voz corrente percebe que a Vila cresceu, logo começa a chamar de Rua Velha e Rua Nova, daí, então, o passo seguinte é deixar de ser Vila, isto é, pequeno povoado num misto de transformação à alçada de cidade. A cultura popular também acompanha o desenvolvimento da cidade, onde existe uma maior aglomeração humana, e renomeia o antigo e o novo, chamando de Cidade Velha e Cidade Nova. O nosso sonho de futuro será a chegada a uma metrópole. Quando? Isto depende da ação administrativa dos gestores públicos.
Os colonizadores foram impiedosos com os nossos primitivos, usaram de violência, trucidamento, ações sanguinolentas e matanças desmedidas, ocasião que, no dia 27/07/1698, fundaram no Arraial das Piranhas, o conglomerado de Arraial de Nossa Senhora do Bonsucesso, cujo comando coube a Teodósio de Oliveira Ledo, artífice da família Oliveira Ledo.
Do Arraial nasceu a Vila de Pombal, no dia 04/05/1774, autorização advinda por Carta-Régia, assim o fez. Uma curiosidade na instalação da Vila de Pombal, que efetivamente ainda não era cidade ou município, se bem que vila na linguagem de Portugal era equiparada a município, mas no Brasil, Vila é sucedâneo de aldeia, se ocorreu forçosamente ou por um equívoco de interpretação legal ou mesmo um lapso na lavratura do termo de criação da Vila, uma vez que não havia disposição legal neste sentido, qual seja de instauração de município ou cidade, porém, e na verdade, ao mesmo tempo em que instalaram a Vila, nesta data, criaram e instalaram também, o Conselho Municipal, correspondente à Câmara Municipal, cujo primeiro administrador municipal foi o Capitão-mor, Francisco de Arruda Câmara. Por este deslize ou desvio de propósito de boa vontade, não se instalou uma Vila propriamente dita, mas sim, a formação de um município, assim compreendido no vernáculo brasileiro, com a sua própria sede, justamente pela existência de um Conselho Municipal. Tirou em linha direta, de Arraial passou à Cidade. A Vila de Pombal figurou, no aspecto legal, de acordo com o conteúdo da Carta-Régia. E para confirmar que não foi um simples equívoco, a presidência de instalação da Vila de Pombal coube ao desembargador, José Januário de Carvalho. Portanto, com o simples ato de composição do Conselho Municipal e administrador Municipal não se poderia imaginar na instalação de uma Vila, mas de um município legalmente constituído.
Decorridos 88 anos deste ato presidido pelo desembargador, José Januário de Carvalho, um outro ato normativo provindo do Presidente da Província da Paraíba do Norte, de 21/07/1862, do status de Vila foi dimensionada ao nível de Cidade. Ora, cidade ou município já era desde 04/05/1774. Esta lei promanada do Presidente da Província apenas normalizou o ato presidido pelo desembargador, José Januário de Carvalho, pois, na prática o status de cidade já existia, deixando uma confusão de interpretação para ser desvendada pelos pesquisadores da história.
Se complexo é o deslinde da história de fundação da cidade de Pombal muito mais dinâmica e divertida será a nossa cidade futurista, ou seja, a Nova Cidade de Pombal. Se, atualmente, existem três datas comemorativas: de fundação, de instalação da vila e elevação à cidade, imagine uma quarta data de recriação de uma cidade: chamada de Nova Pombal, que comunga os ideais de hoje com os dos nossos antepassados, ressaltando-se, que somente no aspecto de temperança, de pujança, de rebeldia e daquilo que é socialmente útil ao seu progresso.
Os administradores públicos que tiveram o comando no itinerário de sua longa história, de Francisco de Arruda Câmara a Poliana Feitosa, cada um ao seu modo, seu tempo e estilo deixou um pouco de contributo para o crescimento do município. Uns fizeram mais; outros menos. Convém salientar que nenhum nasceu com o espírito de destruição como fez Nero, na Roma antiga.
Há um elo de união entre o novo e o velho. A diferença das duas cidades que estão unidas por um laço de fraternidade será uma divisão que forma um todo. E como uma divisão poderá formar um todo? Simplesmente, poético! Não há divisão, somente união em nome do bem comum. Uma união em nome da paz. Uma bandeira branca erguida como símbolo de conciliação entre os irmãos, originários da mesma raça humana.
A atual Igreja do Rosário, que inicialmente fora Igreja de Nossa Senhora do Bonsucesso, em 1721, com o seu rosário de fé, simbolizará as autoridades e a comunidade em geral, e num apelo veemente em nome do Deus verdadeiro, por favor, não deixem cair a atual Igreja do Bonsucesso, além da repercussão negativa de âmbito nacional, muitas vidas inocentes poderão pagar o preço altíssimo pelo pecado dos ímpios.
E nossa cidade nova imaginária terá uma padroeira? Nossa Senhora do Rosário ou Nossa Senhora do Bonsucesso? Se houver muita resistência, que seja realizado um plebiscito! E assim prevalece a vontade da maioria, não a vontade unilateral. A cidade nova não precisa de padroeira. Sabe por quê? Porque a nova cidade de Pombal não terá igreja, porém a diocese que nunca chegou, apesar da luta incansável empenhada pelo Padre Sólon Dantas de França. Esta diocese congregará as igrejas do Rosário, Bonsucesso, São Pedro, São Judas Tadeu, Nossa Senhora de Fátima, a capelinha de São José, que o velho Inácio dos Fogos construiu com esmolas do povo, além das freguesias paroquiais dos distritos e demais municípios que compõem a diocese.
O percurso da cidade velha poderá ser feito de trem, partindo da pedra da estação ferroviária, no Bairro dos Pereiros, local que já fora ponto de diversão e atração turística da cidade, ou de bicicleta, motocicleta, de burro, jegue ou cavalo, que obrigatoriamente terá uma parada de frente a Brasil Oiticica, em pleno funcionamento, ativada pela sirene que atiça os nossos tímpanos, quando uma fileira imensa de trabalhadores, pais e mães de família que estão iniciando uma jornada de trabalho, alegres e satisfeitos. A alegria será redobrada quando receberem a notícia que várias indústrias irão ser abertas na Nova Pombal, de vários ramos, de café, de macarrão, de óleo, de sandálias, de doce, de papel, de plástico etc. onde os trabalhadores serão remunerados dignamente e serão transportados por ônibus de uma rede coletiva municipal.
As pequenas padarias continuam na cidade velha, com o seu fornecimento diário de pães nas bodegas, mercearias, deixado nas janelas das casas, barracos e botequins, entretanto, como não atendem à demanda, pedirão suporte às grandes panificadoras da Cidade Nova.
Quando passar pela Brasil Oiticica, o pedestre olha em direção ao antigo cemitério Nossa Senhora do Carmo, que pelo menos, deverá ter sido restaurado, uma vez que o São Francisco carece de ampliação e o cemitério novo, que já está velhinho, terá sido inaugurado? Ou o riacho das cavalhadas o levou à ruína? Mas, de qualquer modo, haverá uma forma de reverenciar os entes queridos do passado. Enquanto isso, na Cidade Nova tem um cemitério planejado e estruturado nos padrões da arquitetura moderna, e no dia de finados, serão realizadas missas nos três expedientes, onde os ônibus coletivos farão o transporte dos visitantes entre a Cidade Nova e Cidade Velha, todos irmanados no mesmo sentimento de solidariedade humana.
A Cruz da Menina, localizada no Bairro do Guindaste, muito mais antiga do que a Cruz da Menina de Patos, pois o fato ocorreu em virtude da seca causticante e uma mulher assassinou uma criança, que salgou a carne e comeu para saciar a fome, no dia 27 de março de 1877, basta conferir o processo de Donária dos Anjos, confirmará esta veracidade, agora tem como atração a religiosidade, que foi transformada num ponto turístico, erigindo um crescimento assustador pelo intercâmbio cultural, envolvendo as cidades nordestinas e de outras regiões da territorialidade brasileira.
A Nova Cidade tomará dimensão desproporcional ao seu crescimento. Num alto mastro iça uma bandeira azul e branca, dando sinal aos turistas que estão chegando de aeroplanos, mas que trazem na curiosidade a informação de que os hábitos dos moradores da Cidade Velha continuam os mesmos: dormir e acordar cedo, bater papo nas calçadas, ir à missa aos domingos, fazer serenata, tomar pinga com buchada e miúdo de galinha, torresmo, tripa assada, e socialmente bebem no final de semana. As festas que participam são: o Carnaval, São João, São Pedro, (com sua quermesse, com leilões de galinha, bilhetes de namoro, rainha da festa e oferecimento de música pela difusora instalada no poste), Festa do Rosário, Natal e Ano Novo, além da tradicional Vaquejada. A única coisa que extirparam do costume antigo foi o voto de cabresto. O coronelismo desenfreado ficou somente na lembrança, de triste memória, este foi completamente execrado do ideário político.
No aspecto humano, como dito anteriormente, a única repugnância que foi extirpada do costume antigo foi o voto de cabresto e o coronelismo foi execrado do ideário político, mas este vez enquanto tenta voltar, de forma camuflada, com artifícios e práticas engenhosas, logo solapadas pela rebeldia da juventude da Cidade Nova. Os moradores da Cidade Velha mantêm os valores que construíram e são orgulhosos destas virtudes: religiosidade, honestidade, hospitalidade, solidariedade, caridade e respeitabilidade à dignidade da pessoa humana, salvo poucas exceções que se mantêm relutantes aos códigos da civilidade. Cada um trabalha com sacrifício para conquistar os bens materiais que alicerçam a sobrevivência humana, enquanto que do seu pensamento amordaçaram qualquer ideia de usurpação indevida ao patrimônio alheio. Este é o exemplo, o roteiro, a direção que orientarão os inquilinos da Cidade Nova.
Os moradores da Nova Pombal não esquecem as reservas morais do passado e sempre visitam o centro histórico, que será preservado na sua integralidade, quando IPHAEP - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico da Paraíba – que será mais cioso no seu dever para com o patrimônio histórico e a sociedade será menos omissa na sua missão de zelo para com os seus próprios bens e valores artísticos, estéticos, históricos, turísticos e paisagísticos. Na caminhada desta visita, eles não encontrarão mais a antiga Praça do Pirarucu. Ostentarão a Igreja Matriz do Bonsucesso, inaugurada no dia 08 de setembro de 1897, que com certeza terá sido restaurada e continua dando assistência religiosa aos paroquianos. A Praça Getúlio Vargas estará bem mais arborizada e rodeada de árvores frondosas, amenizando o nosso clima seco. O velho costume será mantido em vigor quando os moradores sentarão, cercando o banco principal da praça, achincalhando a vida alheia, até altas horas da madrugada, uma vez que o Cine Lux não está mais na sua atividade rotineira. O relógio da Coluna da Hora, que foi consertado e realmente está funcionando, desperta os recalcitrantes e os alerta de que está na hora de ir para casa.
No largo do centenário que ainda será possível fotografar o seu cartão-postal, na Praça José Ferreira de Queiroga, contrapõem-se à religiosidade da Igreja do Rosário e o divertimento social do Bar Centenário juntando-se ao profano do Pombal Ideal Club e Associação Universitária, sentindo um profundo lamento pela falta do Jovem Club de Pombal. Mas, antes que me esqueça, chegarão à antiga Cadeia Velha, que se relembrarão os seus hóspedes famosos: Rio Preto, Chico Pereira e Leonildo, isto ficou apenas no seu passado histórico. Realmente, hoje, na condição de Casa da Cultura, que foi inaugurada no dia 21 de julho de 1989, com uma magnífica festa cultural, quando lançamos o livro de nossa autoria – A VIDA DO CEL ARRUDA – Cangaceirismo e Coluna Prestes, estará funcionando em horário corrido, com um museu contendo as relíquias dos nossos ancestrais e havendo uma efetiva participação da juventude estudiosa de Pombal.
A Nova Pombal, realmente, não terá o Cine Lux, mas um Cine Box, com várias opções de exibições diárias. Uma pena que os meninos não viverão mais as peripécias das matinês e não assistirão aos filmes de Tarzan, ou ao faroeste quente de Giuliano Gemma; não poderão dar as gargalhadas excitantes com as chanchadas de Mazzaropi, Oscarito e Grande Otelo, além do inesquecível estilo romântico de Dio Come Te Amo, com Gigliola Cinqueti, pois na tela panorâmica do Cine Lux, não assistirão mais o Ébrio nem verão a Aparição de Fátima etc.
No largo do centenário, não encontraremos os velhos seresteiros, mas, também, não ouviremos as músicas sem gosto e sem sentido da juventude tresloucada, com seus carros de som ligados acima dos decibéis permitidos. Ouviremos, sim, a música saudável e aprazível aos nossos tímpanos, com uma mistura de saudosismo e melancolia.
A juventude que mora e freqüenta a Nova Pombal terá o seu lugar de divertimento, certamente, uma praça bem mais ampla, inclusive, a Praça do Povo será o local apropriado para a realização do Pombal-Fest, com organização, higiene, limpeza e segurança pública, sem a rivalidade dos blocos, por uma apaixonite partidária, pois o maior e o melhor enredo serão do “Bloco da Alegria”.
O nosso velho Rio Piancó, na mansidão de suas águas límpidas, estará menos poluído, mais prazeroso e dará maior deleite aos visitantes e turistas, com seus atrativos de final de semana, além do aproveitamento das propriedades rurais localizadas às suas margens quando o resultado de sua safra não terá dificuldade no escoamento dos produtos agrícolas e será facilitado o intercâmbio nacional e internacional.
O rio será o ponto de desfrute com a natureza de todos os filhos de Pombal – Do Novo e Do Velho, pela forma de purificação do corpo e da alma, com a esperança de melhores dias, como nos antigos carnavais que havia a união dos foliões da Sede Operária e os do Pombal Ideal Club com o saudável banho da ressaca.
Nesta gangorra de vai e vem da Cidade Nova à Cidade Velha, a juventude, cansada e azucrinada com o som eletrônico e barulhento da Cidade Nova, resolve voltear a Cidade Velha, e, numa dessas comemorações de rotina, ouve-se o som melodioso vindo das bandas do coreto do Bar Centenário entoado pela banda de música, “João Alfredo”, que avistando do adro da Igreja do Rosário o acompanhamento da Irmandade do Rosário, com toda a sua corte paramentada e enaltecida pelo toque do batuque dos Congos, Pontões e Reisado, grupos ornamentais do nosso folclore.
De repente, aquele cenário causa uma impressão maviosa na mente dos jovens, que retornando à Cidade Nova, num rompante do idealismo, eles se reúnem no auditório da escola profissionalizante e assumem um compromisso de honra para a criação de uma escola de manutenção dos valores culturais pelo pleno exercício dos direitos culturais e a difusão das manifestações culturais, as formas de expressão, os modos de criar, fazer e viver no âmbito do espaço artístico-cultural.
Os grupos folclóricos não perderão o seu sentido cultural e seu objetivo histórico, pois serão preservados, com a instalação de uma escola para adolescentes de renovação ao aprendizado dos nossos costumes que se perpetuarão no tempo e no espaço.
Em decorrência da expansão do Campus Universitário de Pombal, que será orgulho da Velha Pombal e esperança da Nova Pombal, com abrangência em todas as áreas do ensino superior, além de absorver e exportar mão de obra qualificada, será uma referência não somente na Paraíba e no Nordeste, mas em nível nacional.
Tudo isso que acabamos de expor não significa um ato de fantasia nem a criação de um mundo de utopia, pois tudo que imaginamos transfere para o subconsciente, e, um dia será realizável. É o desejo imenso de ver a nossa Terra maior e seus filhos mais valorosos. Não é um sonho irrealizável, mas uma proposta razoável dentro dos limites de nossas possibilidades. O sonho seria impossível se quiséssemos transformar a nossa cidade num novo planeta do sistema heliocêntrico, aí, sim, seria navegar contra as próprias forças da natureza. Para isto acontecer basta um coisa: QUERER! A propósito, quando falamos em utopia, relembramos um poema do escritor uruguaio, Eduardo Galeano, que assim exortou: A utopia está lá no horizonte Me aproximo dois passos, Ela se afasta dois passos. Caminho dez passos E o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe Jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: Para que eu não deixe de caminhar. João Pessoa, 02 julho de 2009.
SEVERINO COELHO VIANA scoelho@globo.com

SÍNTESE HISTÓRICA DAS TRÊS DATAS DE POMBAL

Verneck (Foto)
Verneck Abrantes*
Fundação
Em 1695 o capitão-mor Teodósio de Oliveira Ledo se encontrava no sertão das Piranhas, no lugar conhecido como Arraial do Pinhancó, na tentativa de fundar uma povoação. O grande impedimento eram os índios tapuias, tribos Tarairiús - Curemas e Panatis, que habitavam a região. Em 1697 Teodósio viajou a capital da Província e solicitou ao governador, Manoel Soares de Albergaria soldados, mantimentos, armas e munições, para expulsar os índios do lugar. Atendido, Oliveira Ledo retornou e consegue “bom sucesso” frente aos indígenas e funda, em 27 de julho de 1698, a Povoação de Nossa Senhora do Bom Sucesso do Pinhancó (Pombal); Pombal: Nome em homenagem a uma cidade de Portugal
A Vila Nova de Pombal recebeu essa denominação em homenagem à antiga cidade de Pombal de Portugal, localizada no centro do litoral Português, a cerca de 150 km de Lisboa. Como muito se pensou, não foi em homenagem a Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, primeiro ministro de Dom José I, Rei de Portugal, por dois motivos a considerar, simples, mas de fundamental importância histórica.
1º - No século XVIII ainda não estava em moda esse tipo de homenagem aos governantes.
2º - A Carta Régia de 22 de julho de 1766, que mandava erigir novas vilas na Capitania de Pernambuco e Paraíba, orientava os administradores de vilas a denominá-las com nome de localidades e cidades de Portugal.
Considerando esses fatos, a verdade é que, se nossa cidade fosse uma homenagem ao Maquês, com certeza seria denominada de: Vila do Marquês de Pombal, como isso não procede, é improvável, recebeu o nome de Vila Nova de Pombal, em homenagem a cidade de Portugal de mesmo nome. Ressaltamos que em diferentes regiões do Brasil, outras vilas também receberam denominação de localidades de Portugal, a exemplo de: Amarante-MA, Aveiro-PA, Barcelos-AM, Bragança-PA, Guimarães-MA, Obidos-PA Montemor-o-Novo (antiga Mamanguapé-PB), Oeiras-PA, Estremoz-RN, Santarém-AM, Vila do Conde-PB, Trancoso-BA etc., etc. Devemos lembrar que o Marquês de Pombal foi quem sugeriu ao rei criar novas vilas na Capitania de Pernambuco e Paraíba, e denominá-las com nomes de aldeias e cidades de Portugal, isso com certeza teve influência na denominação da vila com o nome de Pombal, cidade portuguesa na qual viveu o Marquês de 1777 a 1782, quando veio a falecer. No entanto, devemos ressaltar que a homenagem foi à cidade de Pombal de Portugal e não ao Ministro do Rei, considerando os motivos acima. A versão do nome como sendo uma homenagem ao Marquês de Pombal, foi tomada por Irineu Joffily, quando escreveu “Notas Sobre a Paraíba”, e acatada sem maiores averiguações por todos os autores que lhe seguiram, daí o equivoco.
Cronologia da Elevação da Vila de Pombal.
Em 29 de dezembro de 1755, por resolução do Conselho Ultramarino de Lisboa, foi homologada por Carta Régia, anexação da Capitania da Parahyba à de Pernambuco. Tal subordinação perduraria até 1799.
Em 1766, o futuro Marquês de Pombal (que recebeu o título em setembro de 1769), orientou o Rei D. José I, assinar a Carta Régia de 22 de julho de 1766, autorizando o governador de Pernambuco, Conde de Vila Flor (Manoel da Cunha Meneses), a erigir novas vilas na área da sua jurisdição, que incluía também a Capitania da Parahyba.
Em 03 de março de 1772, o Ouvidor Geral da Parahyba, José Januário de Carvalho, encaminhou, em nome da povoação de Nossa Senhora do Bom Sucesso do Pinhancó, propondo a instalação de uma vila no sertão da Parahyba, nos termos da Carta Régia de 22 de julho de 1766. Não demorou o sim do governador, datado de 11 de março de 1772. Logo depois, em 04 de maio de 1772, foi instalada a Vila Nova de Pombal. De imediato, fizeram-se eleições para o preenchimento dos cargos Oficias da Câmara e elegeu-se o primeiro Presidente e Juiz Ordinário da Câmara, cabendo a honraria ao Capitão-Mor Francisco de Arruda Câmara. Foi nesta data que Pombal foi elevada à categoria de Vila e Emancipada politicamente, sendo também, a primeira vila instalada no sertão da Paraíba.
A Cidade
Em 21 de julho de 1862 a vila foi elevada à categoria de cidade, com a denominação de Cidade de Pombal, por sugestão do Dr. Augusto Carlos de Almeida e Albuquerque, a redação e leitura final na Assembléia Legislativa, foi apresentada por Dr. Manuel Tertuliano Thomas Henriques. O projeto de lei foi sancionado pelo Presidente da Paraíba, Francisco de Araújo Lima. Na época, as edificações residências não passavam de cem casas, formando três ruas: a do Comercio (hoje Cel. João Leite), a Rua do Rio (hoje Cel. José Fernandes) e a de São Benedito, situada ao sul, dando formação ao antigo largo do Bom Sucesso. Pombal tinha, ainda: a Igreja de Nossa Senhora do Bom Sucesso, depois denominada Nossa Senhora do Rosário, Casa do Mercado, um Cemitério, a Casa da Câmara e a Cadeia.
Portanto, em 2009 Pombal comemora
311 anos de Fundação
237 anos de Vila e Emancipação Política
147 anos do seu aniversário como Cidade
*Escritor e Historiador Pombalense.

MEU TIO FLÁVIO BRUNET...

Clemildo Brunet (foto 1)
CLEMILDO BRUNET*
Flávio Brunet de Sá, cidadão nascido em 20 de julho de 1911, faleceu em 19 de novembro de 1980 aos 69 anos de idade. Eram seus irmãos Napolião Brunet de Sá e Alaíde Ramalho Brunet, filhos de D. Olindina Ramalho de Sá Brunet e Júlio Rabelo de Sá.
Flávio Brunet (Foto 2)
Um pouco da história da famíla BRUNET aqui no Nordeste. Por volta do ano de 1853, chega à Paraíba, o médico e naturalista francês Louis Jacques Brunet nascido em 1811. Chegando ao Brasil em estado de viuvez, casou-se na cidade de Sousa PB, a 04 novembro de 1854 com Custódia Francisca de Sá Brunet. De sua primeira núpcias na França, apenas um filho, Charles Gilbert Theobald Brunet que também veio para o Brasil e casou com Francisca Gertrudes de Sá Barreto, a irmã de sua madrasta.
O médico naturalista não teve filhos no segundo casamento, porém o seu filho teve muitos descendentes e faleceu em 16 de fevereiro de 1898 no sítio Flexa Município de Sousa. Do casal os filhos: Luiz Theobald de Sá Brunet e Napoleão Theobald de Sá Brunet, casado com Maria Belmira Ramalho Brunet. De Napoleão Theobald de Sá Brunet, brasileiro nascido em 1860, nasceu Olindina Ramalho de Sá Brunet. Portanto Flávio Brunet de Sá, descendente de francês, é a terceira geração de sertanejos paraibanos e pombalense.
Flávio Brunet estudou interno com os demais irmãos no Colégio Americano 15 de novembro, em Garanhuns-PE. Tendo seu pai falecido, deixou os estudos e por ser o filho mais velho coube a ele a responsabilidade e o dever de cuidar das terras deixadas por seu pai. Segundo informação que obtive de sua filha a Dra. Mary Loide Ramalho Brunet, advogada que reside em Recife Pernambuco, Flávio Brunet era conhecido por três coisas que se pode notar em um bom marido, bom pai e um digno cidadão de Pombal. O trabalho, a honestidade, o silêncio.
Em destaque Mary Loide no dia da formatura sentada ao lado seu pai Flávio Brunet. (Foto 3)
Pautado nesses itens, a vida de seu Flávio como costumavam chamar os seus amigos e parentes, deixava transparecer essas virtudes que está escassa nos nossos dias. Seu Flávio era um homem por demais ligado ao trabalho. Seus empregados diziam que ele (Flávio), trabalhava mais do que eles. Fazendo um cercado, tangendo uma boiada ou procurando um boi, salvando um açude, em tudo ele estava na frente. Os que trabalhavam com ele reconheciam o valor que Flávio Brunet dava ao trabalho. Eles tinham por costume dizer assim: “Seu Frazo num dá tempo nem da gente tirar água do juelho”. Era um homem que mantinha em suas terras 40 famílias, seu trabalho era mais do que suficientemente admirável para quem tinha tantos empregados.
Um dia Mary Loide lhe perguntou, porque ele não demorava mais em sua casa de praia para aproveitar à temporada do veraneio, se deitando em uma rede naquele terraço gostoso, sentindo a fresca que vinha do mar... Disse que ele a olhou saindo daquele silêncio como de costume, quando tudo ouvia e nada falava. Ele disse: “A chuva vai chegar. E quem somente observa o vento nunca semeará, e o que olha para as nuvens nunca segará”. Ele sorriu diante do espanto dela, e disse “não fui eu que inventei, foi Salomão”.
Nesse momento ela viu o quanto seu pai era sábio, pois Salomão fala isso no livro de Eclesiastes capitulo 11:4, quando se referia ao procedimento do sábio. Segundo Mary Loide, procurando essa referência encontrou outra no mesmo capítulo: “Semeia pela manhã a tua semente e à tarde não repouses a mão, porque não sabes qual prosperará; se esta, se aquela ou se ambas igualmente serão boas”. Então ela deduziu: “É isso que forma o caráter de meu pai”.
Havia na fazendo uma pequena Igreja Presbiteriana e quando faltava o dirigente em determinados dias de culto, Flávio Brunet pegava a bíblia e lia para os presentes o texto da segunda carta de Paulo aos Tessalonicenses capítulo 3 versículo 10 que diz: “Porque, quando ainda convosco, vos ordenamos isto: Se alguém não quer trabalhar, também não coma”. E pregava para seus ouvintes sobre a importância do trabalho na vida do homem.
Inúmeras vezes vi meu tio após o almoço na casa de meus pais, sair da mesa e sentar-se em uma cadeira de balanço para sua sesta que só tinha a duração de quinze minutos. Levantava-se e saía para cumprir suas obrigações.
Várias ocasiões em que estive na fazenda do meu tio, pude presenciar e admirar a disposição que ele tinha para o trabalho. Costumava dormi cedo, porem às 3 horas da manhã já estava acordado e chamando seus moradores. No tempo da moagem da cana de açúcar para produzir o mel de que era feita a rapadura, acordava mais cedo ainda para a execução da obra.
Aqui em Pombal até hoje, os mais antigos rasgam elogios ao mel, as rapaduras do engenho de seu Flávio, e ao pão da Padaria Vitória de seu Napolião. Era costume alguns moradores da cidade conduzirem vasilhas para que meu tio trouxesse mel de engenho para eles.
Durante muitos anos a fazenda “Cajazeiras” de seu Flávio, acolheu os membros da Igreja Presbiteriana de Pombal e Sousa, na realização dos Retiros Espirituais durante o período do Carnaval. Lá o queijo, o leite e acoalhada eram de graça; além dos cômodos da casa invadidos como ponto de apoio para dormir.
Eunice, Flávio, Miriam e Júlio Marcos (Foto 4)
Outra virtude de meu tio Flávio Brunet – A honestidade acompanhada da sinceridade no falar. Conta Mary Loide, que certo dia, o Deputado Antonio Mariz ainda no início de sua carreira política chegou lá pela fazenda, queria contar com o apoio de seu pai nas eleições, mas o velho foi enfático: “Infelizmente já estou comprometido”. Disse ela que sua mãe, filha de político, tinha no sangue a política, ficou vexada diante de tanta sinceridade e com diplomacia contornou a situação, tirando o ilustre visitante do constrangimento. Tia Eunice era assim: A rainha da diplomacia e ajudou muito ao meu tio.
O testemunho que Mary Loide dar a respeito de seu pai é este: “Meu pai era um homem calado. Sim, sim, não, não. Muitas vezes chegava a ser rude, mas nunca grosseiro, sempre educado, humilde e quieto”.
O hobby de Flávio Brunet de Sá era a Vaquejada, uma de suas paixões e seu esporte predileto. Seu rosto brilhava quando se falava na festa de apartação como é chamada pela vaqueirama. A despeito do prejuízo que isso lhe causava, pois havia baixa no gado que ele levava para a festa, gostava de cumprir essa tarefa e o fazia com satisfação. Lá iam os seus vaqueiros, Chico Félix, Deca e outros tangendo o gado para vaquejada de Pombal. Era o seu momento de lazer!
Talvez alguém não saiba, mas a pista de corrida do Parque “Manoel Arnaud” tem o nome “Flávio Brunet de Sá”, uma justa homenagem a quem, não somente participou da derrubada do gado, como contribuiu em muito para esta festa tão popular em nossa região.
No momento em que Pombal comemora o seu Centésimo Quadragésimo Sétimo Aniversário de elevação a categoria de cidade, presto minha singela homenagem ao meu tio Flávio Brunet de Sá, um homem do trabalho que muito honrou a sua terra natal. Um pombalense de bem a toda prova e querido por todos.
“Vai Boiadeiro que a noite já vem/Pegue o seu gado e vai pra junto de seu bem...”
*RADIALISTA.

ESTÁ DEMORANDO? SEJA PACIENTE!

Para Refletir...(30/06/09)
"Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu" (Eclesiastes 3:1). Que bem faria, ao fazendeiro, ficar zangado com sua plantação por demorar mais a produzir as frutas do que ele imaginava que demoraria? Sua raiva de nada adiantaria. Não produziria nenhuma modificação em sua plantação. Ele não tem poder para apressar o amadurecimento das frutas. Da mesma forma que o fazendeiro põe em prática a sua paciência e longanimidade esperando pelo tempo certo da terra produzir o seu fruto, devemos nós esperar pela presença do Senhor.
Nós, seres humanos, somos muito apressados. Não sabemos esperar por nada. Qualquer atraso, seja do que for, nos irrita e tira a nossa paz. Queremos tudo na hora, ou até"para ontem" como muitos dizem. Esquecemos que a paciência é uma virtude, um dom divino, uma maneira de viver muito mais abundantemente. Quando temos um sonho a realizar, queremos que aconteça na hora por nós determinada. Quando enfrentamos uma dificuldade qualquer, queremos que seja solucionada imediatamente. Não aceitamos nem alguns minutos a mais. Quando oramos pedindo uma bênção, cremos que ela virá no mesmo instante e, caso isso não aconteça, começamos a murmurar pelo descaso e indiferença de Deus.
Mas não deve ser desta forma. Assim como os frutos têm um tempo próprio para crescer e madurar, todas as demais coisas têm seu tempo determinado para acontecer. O nosso Deus é soberano. Ele sabe o tempo certo. Ele tem coisas maravilhosas para nós mas, não é dirigido por nossa vontade. Se você está esperando com ansiedade uma bênção do Senhor, não desanime. Seja paciente que ela logo chegará.
PAULO ROBERTO BARBOSA – Um Cego na Internet .
MINISTÉRIO PARA REFLETIR.

POMBAL DE ANTIGAMENTE: DE "GATO PRETO" E "ESPERANÇA"...

Maciel (Foto)
Maciel Gonzaga*
A tradição cultural é algo que jamais pode ficar para trás e não deve ser reverenciada apenas por respeito e memória. O passado é imprescindível na criação do novo. É de onde se tira inspiração de muitos elementos para se moldar o novo. Na Academia, tem sido árdua a luta de educadores para fomentar a elaboração de estratégias que possam trabalhar arte e cultura junto às crianças e adolescentes, cujas “mentes e corações” estão ocupadas com ritmos, sons e costumes que estão na moda. Não se trata de forçar os adolescentes a abandonar os gostos próprios ou “impostos” pelos meios de comunicação de massa mas, de conhecer e valorizar a história da sua terra, da sua gente.
É isto que me estimula a participar de iniciativas que buscam resgatar o passado e tudo aquilo que possa oferecer ao presente um mundo de justiça e felicidade. Penso que seja um bom papel que todos devemos desempenhar em um país que consegue, sabe Deus como, conviver lado a lado com tanta beleza e com tanta feiúra. Ajudar a olhar o que das tradições que herdamos merece ser preservado, o que deve ser jogado fora. Ajudar a olhar o que alimenta as nossas esperanças e os nossos sonhos, e o que nos faz deixar de acreditar e de lutar por eles. Ajudar a olhar o que nos torna diferentes e originais, ao contrário daquilo que nos confunde e que nos deixa bastante parecidos com os demais.
Importante seria que nossas crianças soubessem valorizar a nossa história, que elas tivessem historia para contar, para que também não fossem futuramente jovens desregrados, e para que esses jovens não se tornassem adultos sem criatividade e fossem vozes de protesto contra o que a mídia joga aos seus filhos. Tudo isso, para que não se construam pessoas sem objetivos.
Dentro desse parâmetro, desejo abordar um tema que faz parte da história da nossa querida cidade nos anos 60. Pombal era animada, cheia de festejos. Pela inspiração de “Pedrão” Adonias surge na então estrada de terra para Serra Negra, precisamente em frente à propriedade de Chico Benigno, as “Corridas de Prado”. Era uma nova perspectiva de lazer. O Prado que chega ao Brasil através do imperador Dom Pedro II, era um esporte que não exigia força e desempenho das pessoas, mas, sim, dos animais. A população comparecia apenas como espectadores, apostadores e admiradores do "esporte" e das corridas dos cavalos. Era uma festa. O cavalo “Gato Preto” – de “Pedrão Adonias” - era a grande sensação. Imbatível e admirado por todos nós.
Idealizador e homem de visão, Natal Queiroga então planeja ir mais além. A princípio, comprou o cavalo “Esperança” ao maior vaqueiro e aboiador da Região Nordeste, o pernambucano conhecido por Zé Vaqueiro. “Esperança” chega a Pombal para desbancar “Gato Preto”. Porém, a sua especialidade não era o Prado, mas, sim a Vaquejada. Foi quando Natal Queiroga começou a idealizar o seu Parque de Vaquejada, na Fazenda Rogério. E Vaquejada surge em Pombal com uma visão mais ampla, não só da derrubada do boi, mas, também, como geração de renda, de parque de lazer para a população. Talvez, em poucas cidades do NE estava nesse contexto, com premiações vultosas e, principalmente, a participação popular.
Foi assim que surgiu a Vaquejada de Pombal, tendo o primeiro grande evento ocorrido no Centenário da Cidade. Lembro-me do cavalo “Esperança” desfilando pomposo, carregando Natal Queiroga que, em certo local descia do animal e este saía seguindo-o por onde ele andasse, sem que o dono ao menos pegasse no cabresto. Era algo que atraía muita gente para ver a proeza de “Esperança”. Eu vi, ninguém me contou.
Lembro-me de Zé Vaqueiro, que corria, comprava e vendida cavalos, aboiava e ainda montava no boi sem a “cia”, ou seja, sem segurar em nada, diferente do que ocorre com os peões de rodeio de hoje. Depois, Manuel Adonias também entrou nessa mesma linha e passou a montar e correr no boi sem a “cia”. De Zé Vaqueiro, nunca esqueci este aboio: “Menina me dê um beijo / Só não quero no pescoço / Quero no bico do peito / Que é lugar que não tem osso / Que é pra quando eu ficar velho / Me lembrar que já fui moço”.
A “Difusora do Brack” (LORD AMPLIFICADOR) de propriedade do intrépido Clemildo Brunet de Sá transmitia todo o evento. Em recente conversa com o meu irmão Massilon Gonzaga, chegamos à conclusão que Clemildo Brunet foi, talvez, o pioneiro no Nordeste em transmissão de vaquejadas. A Barraca Universitária era a mais chic atração da festa. Menino, eu ficava olhando Waldemir Martins, Ghandi, Valdecir Silva, Mibel Silva, Ugo Ugulino e tantos outros sentados às mesas conversando, debatendo os problemas do País.
E eu, meu irmão Massilon e tantos outros meninos pobres ali próximos, todos a espera que alguém jogasse fora o coco gelado para comer a “raspa” – com gosto de whisk, é claro. Mas, sempre pensando comigo mesmo: um dia eu vou ser universitário igual a eles. Esta era a Pombal de antigamente, lembranças que não esqueço jamais...
*Natural de Pombal, Jornalista, Advogado e Professor. Natal - RN

ORÁCIO BANDEIRA: O REPÓRTER POLICIAL INVESTIGANTE E POLÊMICO!

Clemildo (Foto)
CLEMILDO BRUNET*
“Não estou tão bem quanto pensas, nem mal quanto me desejas. Porque enquanto força tiver e o mundo puder rodar, aqui estarei para melhor lhe informar”. Quem não lembra ainda dessas palavras que eram ditas pelo seu titular, como jargão, logo na abertura do Programa “Orácio Bandeira” ao meio dia, na Rádio Liberdade 96 FM em conexão com a Rádio Bonsucesso AM, que ecoavam nos quatro cantos do nosso e de outros Municípios circunvizinhos?
A minha homenagem hoje vai para o nosso Orácio Bandeira que está aniversariando neste dia 26 de junho. Logo cedo se sentiu vocacionado para a arte da comunicação e levado pelo prazer de falar em público, iniciou suas atividades fazendo locução em um parque de diversões que era armado no largo da Estação Ferroviária, por ocasiões dos eventos festivos que se davam no bairro dos Pereiros, onde ele morava bem próximo na casa de seus pais Pergentino Mecenas de Torres Bandeira (saudosa memória) Tereza Bernadina Bandeira e suas duas irmãs Maria Sandra Bandeira e Maria Cleide Bandeira, estas últimas residem atualmente em Rondônia. Casou-se com Mariza de Sousa Bandeira em julho de 1982 de cuja união nasceram três filhas: Mariela de Sousa Bandeira, Macela Monique de Sousa Bandeira e Moama de Sousa Bandeira.
Em sua juventude pouco a pouco, Orácio Bandeira foi se interessando pela arte que abraçara e como aprendiz começou a mostrar seu talento auxiliando Genival Severo nas coberturas das Festas de São Pedro no bairro dos Pereiros vindo depois a participar em 1976 do Serviço de Alto Falantes LORD AMPLIFICADOR de minha propriedade. Em 1982, Orácio Bandeira é convidado para integrar juntamente comigo o quadro de funcionários da primeira estação de rádio convencional em nossa cidade. A Rádio Maringá de Pombal AM.
Habilidoso e demonstrando excelente desempenho em suas tarefas radiofônicas, Orácio começou a despertar para o cotidiano das pessoas e de repente ficou fascinado pela informação do boletim policial, área que veio desempenhar o seu trabalho jornalístico com muita propriedade e competência, casando-se tão bem com sua voz firme e segura ao fazer a narração dos fatos das ocorrências policiais.
Eu diria que um pouco a frente de seu tempo, Orácio Bandeira como repórter policial, optou não somente por dar a notícia fornecida pelo BO da Policia, ele foi muito mais do que isso. Naquele tempo o noticiário policial resumia-se apenas a fornecer a prisão do elemento sem maiores detalhes. Mas Orácio, com seu jeito especulativo queria muito mais, envolveu-se de tal modo nessa aventura que acompanhava de perto toda ação da policia, averiguando por fora os acontecimentos, terminava por fazer uma reportagem investigativa para levar com autenticidade para seus ouvintes a informação.
A despeito de muitos não gostarem da maneira como Orácio fazia suas reportagens no âmbito policial, ele tinha também um estilo que lhe era peculiar. Dava suas informações livremente indo direto ao assunto sem medir as consequências e, por conseguinte insurgia o contraditório levando em conta que Orácio gostava de polemizar. Muita vezes o assunto que avultava grande repercussão na sociedade e que era badalado pela opinião pública, ficava sendo reprisado a cada nova versão bombástica da marcha dos acontecimentos.
Por outro lado, aqueles que não eram atingidos nem de leve com as reportagens transmitidas pelo repórter policial investigante e polêmico, aplaudiam as matérias na forma como elas eram abordadas por Orácio e exaltavam a coragem e o destemor do radialista.
Se para muitos que exercem a profissão de radialista a vida é boa, aperreada, para Orácio, acredito que foi mais além, sofreu muitas ameaças, até mesmo agressões físicas que não convém relatar. Basta o que lhe fizeram quando da necessidade de sua aposentadoria por invalidez, diante de um quadro irreversível de seu estado de saúde, cortaram-lhe o benefício a que tinha direito, vindo a passar privações com sua família. Para reverter tal situação teve de recorrer a Justiça Federal que lhe concedeu a volta dos proventos depois de considerável tempo, cujo atraso está sendo ressarcido paulatinamente.
O amor e desvelo de Orácio como comunicador e em tudo que ele fez no exercício de sua profissão, foi uma entrega de corpo e alma usando como instrumento a sua voz no combate a prática do crime em suas diversas modalidades. Denunciando com fundamento e facultando o direito que as pessoas têm de se defender; tanto é que as duas partes eram ouvidas. Pode-se dizer assim: Um trabalho feito com honestidade no cumprimento fiel de seu ofício.
Por muitos anos a voz de orácio se fez ouvir através da Rádio Progresso de Sousa, pois apesar de não ter sido funcionário da citada emissora, semanalmente comandava “O Que o Povo Precisa Saber”, programa de linha partidária do PMDB, que tinha como comandante maior e personagem principal entre os entrevistados o saudoso Deputado Levi Olímpio. Esse Programa mais tarde, veio a ser levado ao “AR” também pelas Rádios Bonsucesso AM e Liberdade 96 FM de pombal a partir de 1993, quando da aquisição dessas duas emissoras pelos deputados: José Luiz Clerot (Federal) e Levi Olímpio (Estadual).
O livro Parabéns, Pombal! História viva da comunicação de autoria da Professora, poetisa e madrinha dos radialistas de nossa terra, Mª Bom Sucesso de Lacerda Fernandes, registra o evento - Destaque 98 na Comunicação realizado na Rádio Bonsucesso de Pombal no dia 19 de dezembro de 1998, promovido pelas Associações Comunitárias dos bairros Jardim Petrópolis e Nova Vida, oportunidade em que foram homenageados com comendas, os comunicadores e outras personalidades de Pombal. Orácio Bandeira estava entre os homenageados, no exato momento de receber o Troféu “Honra ao Mérito” o insigne radialista ouviu as seguintes palavras proferidas por Cessa Lacerda:
“Entregar essa comenda é uma honra para mim, pois conheço sua idoneidade, o seu talento e sua coragem ao executá-la com tanta responsabilidade. Você é um comunicador útil a nossa região e que eu muito o admiro. Este Certificado significa muito não só pra você, como pra todos os ouvintes que o admiram e o Troféu foi um apoio coincidentemente da Rádio Maringá, onde fez a sua prestação de serviço, parabéns”.
A categoria dos radialistas de Pombal por sua vez prestou as suas honrarias ao nosso confrade Orácio Bandeira, por ocasião da Festa dos Radialistas promovida no dia 14 de novembro de 2007 em solenidade realizada na AABB de Pombal, entregando-lhe o Certificado e Troféu Imprensa 2007 – Radialista Clemildo Brunet. Ele também foi alvo de homenagens em 2001 no transcurso do Primeiro Aniversário do Programa “Saudade Não Tem Idade” da Rádio Liberdade 96 FM, na festa dançante animada por Ogírio Cavalcante e banda no Recreio Maçônico “Vale das Acácias”.
Orácio Bandeira (Foto recente)
Orácio Bandeira foi considerado um dos radialistas mais privilegiado de Pombal, a desenvoltura e aptidão de seu trabalho, o levaram para diversas emissoras aqui no sertão. A começar da Rádio Maringá, seguindo-se depois, Difusora Rádio Cajazeiras, onde foi destaque no Programa mais ouvido da Região “Boca Quente”. Rádio Educadora de Conceição onde fazia o Jornal do Vale. Rádio Oeste da Paraíba em Cajazeiras com a crônica policial e Rádio Jornal de Sousa com o Programa “Tribuna Livre”. Durante alguns anos Orácio foi correspondente do Jornal Correio da Paraíba e depois de haver transitado por essas emissoras, ainda na Rádio Maringá AM, fez “Um Caso de Polícia” programa de linha independente, obtendo alto índice de audiência no horário do meio dia.
Em 1993 com a instalação da Rádio Liberdade 96 FM, a convite do deputado estadual Levi Olímpio, Orácio veio trabalhar nesta emissora criando um programa que recebeu seu próprio nome. Programa: “Orácio Bandeira”. Em 2001 sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral) em pleno gozo do exercício de sua principal função no programa, provocando em definitivo o seu afastamento do rádio.
Orácio, seus ouvintes jamais poderão esquecer a relevância de seu serviço e os que fazem a comunicação esses sim, haverão de reconhecer o contributo dado por você; não somente as rádios de Pombal, mas também a toda região sertaneja.
PARABÉNS, FELIZ ANIVERSÁRIO!
*RADIALISTA.

POMBAL, ONTEM E HOJE, SOB O TESTEMUNHO DE ZÉ DE BÚ

Ignácio Tavares (Foto)
Ignácio Tavares de Araújo*
Talvez o único arquivo vivo que temos em Pombal seja Zé de Bú. Quem não conhece o nosso querido Zé de Bú? Cuidadoso Pai, bom amigo e fiel escudeiro quando assume um compromisso político. Eu disse arquivo vivo porque ele carrega na sua memória a história e a fotografia de uma Pombal que todos nós sentimos saudades.
Muitos jovens de hoje, não sabem o quanto era boa a Pombal de seus avós. Tínhamos um bom futebol com excelentes craques como Zé Pretinho de Dona Neca e seu irmão Belino, Manu, Alencar; Nicodemos e tantos outros que me fogem a lembrança. Tudo isso nos anos quarenta. Já nos anos cinqüenta e sessenta, conhecemos outros craques como Agnelo, Zé de Dozinho, Zaqueu, Dilau, Chico Sales, Alfredo Bezerra, Valdemar Pereira, Ruy Aquino e outros que ainda estão também por aí.
As noites, eram animadas com passeios na praça Getúlio Vargas, onde centenas de rapazes e moças trocavam olhares e juras de amor. A meia noite, as serestas com Bideca, Chico de Doura e outros notívagos.
Pombal, não era uma Cidade tão pobre o quanto é hoje. As pessoas vestiam-se bem e eram menos desencantadas. É verdade que poucas pessoas tinham veículos para locomoção não porque eram pobres, mas sim porque naquele tempo não existiam tantas facilidades para se comprar um carro como existem hoje e até porque o Brasil não tinha uma indústria automobilística como tem hoje, sendo, portanto muito difícil importar um veículo a peso de ouro.
A indústria automobilística surgiu na segunda metade dos anos cinqüenta e logo surgiram os primeiros fuscas em Pombal, comprados por aquelas pessoas de maior poder aquisitivo.
Zé de Bú sabe melhor do que eu. A cidade de Pombal se rivalizava com suas vizinhas Patos, Sousa, Cajazeiras não só no futebol, como também na prosperidade. A banda de música, Santa Cecília era considerada uma das melhores do sertão sob a batuta de Elizeu Veríssimo. Na produção de algodão, só perdíamos para Sousa por conta das suas imensas várzeas que permitiam o plantio de milhares de hectares dessa cultura e outras de subsistência. Eta que tempo bom... não era Zé de Bú?
A Brasil oiticica, representava uma riqueza particular em Pombal. Gerava muitos empregos e ainda animava a sociedade com suas noites de dançantes no pequeno clube nas suas dependências, onde as moiçolas e rapazes mostravam suas habilidades de dançarinos, com destaque para Jéferson Trigueiro e Luiz Silva que eram habilidosos no passo e na marcação nas danças de boleros, tangos, fox-trot e outras modalidades. Tudo se foi e grande parte dos atores desse tempo também se foi. Restam poucos, mas estes se lembram com a alegria estampada no rosto, da felicidade que aquele tempo, que não volta mais, os proporcionaram.
E agora José, como diz o poeta maior, a festa acabou e quase nada restou a não ser o nosso Zé de Bu. Não fique triste porque resta muita coisa. Digo, restam nossas esperanças de que tudo pode mudar. Essa mudança depende de você a partir do momento que o seu imaginário e também o imaginário coletivo tomar consciência de que não são as palavras que mudam as coisas e sim as ações.
As palavras, na maioria das vezes são enganosas, são vãs e até certo ponto perversas e ameaçadoras, mas as ações são bem pensadas, planejadas e por isso, transformadoras. Quando se transforma, muita coisa muda para melhor e quando isso acontece quem sai ganhando é o povo. Que assim seja.
Um forte abraço e peço desculpas a Zé de Bú, ao prestar-lhe esta singela homenagem usando o seu nome aqui neste texto sem consultá-lo. Acredito que você vai gostar Zé, porque você é dez. Até breve!
*Escritor filho da terrinha.

SARNEY, A REPÚBLICA E O POVO BRASILEIRO.

José Sarney (foto)
Alberg Bandeira de Oliveira*
Nesta semana, quiçá, tenha sido a maior surpresa dos meus quase 39 anos de vida em termos de política institucional. Tal fato se deu quando em discurso proferido na Tribuna do Senado, o Presidente daquela Instituição, desafiou todo o Povo Brasileiro, com a seguinte expressão - mais ou menos assim: - “O país não tem o direito de questionar meus atos”.
A minha surpresa, reside justamente no fato, de que até o momento daquele inusitado ato (discurso), eu, que sou um simples mortal, jurava a todos que estávamos numa REPÚBLICA FEDERATIVA, mas pelo visto, estamos exatamente em uma MONARQUIA, porquanto um Homem Público, melhor dizendo, um Senador não da República, mas de uma Monarquia, que se julga está isento do clivo fiscalizador do Povo, da crítica da mídia e das instituições, não é Senador, mas REI.
Mas outro fato me deixou ainda mais abismado, é que, nenhum dos Senadores e Senadoras daquela CASA, ousaram questionar, ou até mesma apartear o REI. Aqui vai a minha indagação, onde estavam os Homens que se dizem sérios daquele Poder, a citar: Pedro Simon, Eduardo Suplicy, Cristóvão Buarque? A resposta é simples. Que falta faz ao País as ausências do Senador Jeferson Perez (falecido) e da Senadora Heloisa Helena, porque tenho certeza que resposta aquele Rei Mal Coroado iria receber.
Falo de Rei Mal coroado, pelo fato daquele cacique velho e ultrapassado, não na idade, mas na ortodoxa prática de fazer política, jamais foi eleito Presidente da República pela via do Povo, mas através dos conchaves políticos efetuados no Congresso Nacional, quando o País saiu do tenebroso período Militar e entrou numa pseudo democracia. De fato, foi aquele Rei Mal coroado quem recebeu a honrosa missão de democratizar o País, no entanto, o que vimos foi a nefasta prática da velha política, do é dando que se recebe, do nepotismo e da malversação do dinheiro público - quem não lembra quando o seu genro foi preso pela PF com uma maleta de dinheiro em 1998 -, com obras super faturadas etc.
Sarney, leia-se Rei mal coroado, até por ter formação Jurídica, posto que ostenta diploma de direito, deveria saber, que em uma República a ninguém é dado o privilégio de dizer que não deve satisfação ao Povo. Deve sim, e ele deve muito mais do que qualquer outro cidadão brasileiro, pois, recebeu dos Militares o País e o transformou num poço sem fim de velhas e arcaicas práticas políticas, como por exemplo, o uso imensurado dos meios de comunicações do seu Estado e de outros rincões do País.
É, REI MAL COROADO, o seu reinado nos parece que se não está perto do fim, apodreceu, cuja fedentina se encontra estampadas nas manchetes dos Jornais, pois, se não bastassem os ilegais “ATOS SECRETOS”, agora se descobriu que o mordomo da sua filha, Governadora biônica do Estado do Maranhão, é pago com recursos do SENADO, onde aquele servidor recebe R$ 12.000,00, para atender os gostos da família SARNEY.
Parece-nos que esta Gente, subestima muito o senso critico do povo brasileiro, porquanto além de não respeitar a vontade das urnas provenientes do Estado do Maranhão, ainda se arvora no direito de dizer que ” O País não tem o direito de questionar os seus atos”. Sarney, repita-se, REI MAL COROADO, no seu discurso, o Senhor, só esqueceu de um detalhe: É que, a Constituição Federal, lei das leis, diz o seguinte no Parágrafo único do seu artigo 1º, “Todo PODER EMANA DO POVO”.
Assim, termino este modesto artigo, que para mim, é muito mais um desabafo do que um discurso político, dizendo o seguinte: A partir daquele discurso não considero o País como República Federativa do Brasil, mas MONARQUIA DA FAMÍLIA SARNEY, mesmo porque, foi o próprio PRESIDENTE DA REPÚBLICA, LEIA-SE, DA MONARAQUIA DA FAMILÍA SARNEY QUEM O DEFENDEU PUBLICAMENTE. Assim, viva Montesquieu, Viva Voltaire, Rousseau e VIVA O SOFRIDO POVO BRASILEIRO.
Pombal –PB EM 20 DE JUNHO DE 2009.
*Advogado e Cidadão Brasileiro

EDUCAÇÃO SUPERIOR NO MUNICÍPIO DE POMBAL

Faculdades Pioneiras: FAP / FCCP - “INSTALAÇÃO” Artigo: Nº 002 Autor: Alberto Salgado Bandeira*
A Faculdade de Ciências Contábeis de Pombal e a Faculdade de Agronomia de Pombal, fundadas através das Portarias do MEC Nº 1.681 de 19 de outubro de 2000 e Nº 334 de 23 de fevereiro de 2001 respectivamente, tendo como mantenedora a Fundação de Ensino Superior de Cajazeiras – FESC, entidade ligada diretamente a Diocese de Cajazeiras-PB, iniciaram a formação de vários grupos de trabalho com a finalidade de angariar recursos necessários às instalações das mesmas.
A primeira equipe foi formada para esse fim, coordenada por Padre Sólon Dantas de França com a participação de vários membros da sociedade pombalense: Espedito Joaquim de Abrantes; José Félix Faustino (Concluinte no período 2008.2 do Curso de Agronomia); Olivaldo Nobre da Silva; Alberto Salgado Bandeira; José Ednor Varela; Felemon Benigno de Araújo Filho; Maria do Bom Sucesso Fernandes(D. Cessa); Francisco Fernandes da Silva(Bibia); Terezinha da Silva Almeida; Acilon Ferreira de Lima(Nogueira); Ana de Almeida Venceslau(Anita); Maria de Assis Queiroga(D. Marieta); Diana Maria de Oliveira Assis; Adeilson Nunes de Melo(Juiz de Direito da 1ª Vara); Nadir Batista Queiroga de Almeida; João Ferreira de Almeida Neto; Antonio Fernandes da Silva (Concluinte no período 2008.2 do Curso de Agronomia); Raimundo de Almeida Martins(Raimundinho); Ana Izabel Alencar Martins; Professores e Alunos dos Colégios de Pombal; além de órgãos e instituições: Rádio Maringá de Pombal; Rádio Liberdade de Pombal; Rádio Bom Sucesso de Pombal; Rádio Opção de Pombal; Lojas Maçônicas de Pombal; Pastorais das Paróquias de Pombal; Exército Brasileiro - Tiro de Guerra Unidade de Pombal; Rotary Clube de Pombal; Rotaract Clube de Pombal; Interact Clube de Pombal.
A Campanha adotou como estratégia do Padre Solon Dantas de França, visitar os proprietários rurais de Pombal e região, no horário diurno e as residências familiares da cidade de Pombal, no horário noturno, solicitando contribuições em dinheiro, ao tempo em que as Emissoras de Rádios divulgavam em sua programação os itinerários das visitas pelas referidas equipes. Foi, na época, a primeira fonte de renda obtida pelas Faculdades de Pombal. Os Produtores Rurais, visitados individualmente, contribuíram com doações de animais Bovinos, Caprinos e Ovinos.
As Prefeituras dos municípios de Pombal, São Domingos, São Bentinho e Cajazeirinhas (gestão: 2000-2004) tiveram uma participação importante na elaboração de “Convênios” com as Faculdades. A Prefeitura Municipal de Pombal elaborou importante projeto de doação de recursos financeiros direto às Faculdades. A Câmara Municipal de Pombal aprovou a liberação dos recursos, permitindo à Prefeitura a destinação da importante contribuição que caracterizou a primeira verba pública em benefício das unidades de ensino superior de nossa cidade.
As Faculdades foram instaladas nos prédios do Colégio “Josué Bezerra”, antiga “Escola Normal Arruda Câmara” e Educandário “Nossa Senhora de Fátima”, antigo Orfanato do mesmo nome, em regime de comodato juntamente a outras unidades físicas constituídas pelas Fazendas Várzea da Serra, Várzea do Padre e o Centro Social Nova Betânia pertencentes à Paróquia São José de Paulista-PB; no município de Pombal-PB registramos a Fazenda Vassoura, cedida por Martinho Queiroga Salgado; Sítio Bom Jesus de Alberto Salgado Bandeira; Granja Granforte de José Alves Feitosa & Filhos; Granja Dois Irmãos de propriedade de Lavoisier Pereira Paixão, as duas primeiras utilizadas como Empresa Júnior com o objetivo de gerar renda para a manutenção dos Projetos, e as demais seriam destinadas à implantação de experimentos técnicos e aulas práticas das diversas disciplinas.
Estão incluídos nesse acervo os Laboratórios de Química, Biologia, Citologia e Histologia, Desenho Técnico, Solos, Sementes, Microbiologia/Fitopatologia, convenientemente instalados no Educandário Nossa Senhora de Fátima. Nos próximos artigos será dada continuidade à história desse importante episódio de sucesso, marcante na vida dos pombalenses.
Médico Veterinário*
(Membro Fundador, Ex-Vice Diretor, Administrador e Ex-Professor da FAP) Colaboradores desta Edição: (15/05/2009) Prof. Doutor, José Cesário de Almeida (Adequação à ABNT) Profª. Especialista Terezinha da Silva Almeida (Revisão Ortográfica) Maria José Leite da Nóbrega (Ex-Secretária Geral das Faculdades) Espedito Joaquim de Abrantes (Ex-Diteror da FCCP)

O VERDE DA POMBAL DE MEU TEMPO.

Jerdivan Nóbrega de Araujo*
Na casa em que nasci, na Rua de Baixo, e vive até meados de mil novecentos e setenta, lembro-me apenas de dois pés de côcos, um de ciriguelas e outro de cuités, além da cerca verde feita de Algodãodo Pará. Tínhamos ainda, na Rua de Baixo, o frondoso pé de tamarindo por trás da casa de Godôr e o não menos imponente trapiazeiro do corredor dorio, bem no quintal de seu Joaquim pai de Nedina doida e, no final do corredor do Rio, a grande Marizeira.
Zé de Godor costumava catar as amêndoas que cozia para comermos contando histórias deassombradas e de botijas. Mas, a Pombal dos anos sessenta era pródiga em verde, o que fazia da cidade, mesmo em meio aos seus 34 ou 38 graus, (à noite, quando soprava o vento da serra do Acari, baixava para 25 ou 27 graus) agradável e até despertava a preguiça convidativa a cesta do meio dia, ás sombras dos Fícus Benjamin que rodeavam a Praça Getulio Vargas. A Praça do Centenário era de um arvoredo tão esplendoroso e de copas tão fechadas que mal deixavam à luz do sol chegar ao chão.
Eram tamarineiras, marizeiras, trapiás e muita Acácia Ferrugina, além de uma árvore espinhosa, cujo nome foge-me a memória, mas que achamávamos de “mata fome” por nos oferecer uma vargem de polpa avermelhada que era gostosa de se comer. Acredito ser também uma variação das mil e duzentas variações de Acácias existentes nomundo. As Palmeiras Imperiais só vieram a ser plantadas no inicio dos anos oitenta. Outra árvore de igual espécie havia no pátio do João da Mata, onde hoje está instalado o Hospital Distrital de Pombal, e muitas outras sombreavam as calçadas das Ruas: Nova, Joubert de Carvalho e do Comércio, alterando-se com Acácias amarela e ferrugina. Como estas plantas resistem por quarenta anos, ainda deve existir remanescentes naquelas ruas.“Meu flanboyan na primavera, que bonito que ele era dando sombra no quintal” Sempre que escuto esta música lembro-me do grande flamboyant da casa de Doca de seu Mizim.
Na primavera as flores pareciam sangrar em carne viva e no verão as suas vargens, em forma de facão, que usávamos para brincar de guerra de espada. Em mil novecentos e setenta e dois foi construída uma praça em frente a Prefeitura, Hoje Praça Hermínio Monteiro Neto, ornamentada só com palmeiras Imperiais e Jambeiros, este ultimo não se adaptou ao clima ao ponto de produzir frutos, porém as suas copas deram uma beleza especial ao local. Nas roças de tia Mila, Bozó e dona Porcina, valia a pena nos arriscarmos para roubar mangas, carnaúbas, Trapiás e Pinhas ou Fruta do Conde, como preferir.
No centro da cidade, exceto na Rua Padre Amâncio Leite, Leandro Gomes de Barros e Jerônimo Rosado, poucos jardins haviam. Porém haviam nestes, muitas rosas vermelhas, bugaris brancos, boa noite, boa tarde, bom dia e raramente girassóis. Na casa de Doutor Atêncio um outroflanboyan e, na lateral havia um pé de Araçá, além do Jasmineiro-branco que perfumava toda a rua nos finais de tardes. Do jardim da casa de seu Saturnino, na Coronel José Avelino, peço que mandem-me pelo menos um cheiro daquele Jasmineiro. Ao lado da Igreja Matriz, na casa de Cícero Gregório, um enorme Fícus Benjamim nos divertia: a idéia era fazer com que os desavisados olhassem para cima, para encher os olhos de micuim ou incensar as vestes com o fedor dos percevejos.
Mas, o mais engraçado eram os seis mudos de João Josias, que se aproveitavam da sombra para gozar dos transeuntes com as gargalhadas marcantes.O corredor do rio era ladeado por cercas vivas de Melão de São Caetano, Jerimuns, Algodão do Pará, Marizeiras, Trapiás e Cajazeiras, Canafístolas e muitas Oiticicas que outrora fora a redenção financeira da cidade de Pombal. As matas ciliares do rio Piancó eram formadas por Ingazeiras e Mufumbus, em sua maioria, onde o passaredo se agasalhava. No campo de futebol o Aveloz, de tão abundante que era, emprestou o seu nome ao campo de futebol da cidade que, batizado de “Estadio Municipal Vicente de Paula Leite, para nós, porém, sempre foi o bom “Aveloszão” das nossas tardes futebolísticas, assistidas dos galhos das avelozes.. Depois e só depois, vieram as algarobas que substituíram os Fícus Benjamim por se tratarem de plantas resistentes aos ventos fortes na temporada das chuvas e por resistirem a seca quando da escassez da água.
Deixei para o fim a grande castanholeira do João da Mata. Animais e gente disputavam as sombras desta arvore, porém, o mais gostoso para os moleques era se esconder em suas frondosas copas e, de lá atirar castanholas maduras nas pessoas que passavam nas imediações. Era uma árvore enorme, cuja copa sombreava os dois lados da rua, e o tronco não era abraçada senão por três homens de mãos dadas. Porf icar na esquina das duas ruas e um pouco fora da calçada, era comum motoristas bêbados baterem com seus veículos no tronco da grande árvore. Lembro-me que seus galhos chegavam até o chão. Hoje as ruas de Pombal continuam arborizadas e não poderia ser diferente. Não há outra forma de suportar o calor dentro de casa e uma arvore na calçada continua sendo necessário. O que nos falta hoje é tempo e disposição para uma boa cadeira preguiçosa a sombra destas arvores onde poderíamos prosear, jogar ludo ou baralho, numa boa conversa acalentada pelas difusoras do “Lord Amplicador’ ou sintonizando um rádio de pilhas no programa “Terreiro da Fazendo”da “ Rádio Alto Piranhas” de Cajazeiras.
*Escritor Pombalense

OS DEMÔNIOS SÃO DIVINOS.

Francisco Vieira*
Calma! Não é ateísmo, heresia nem blasfêmia. Os demônios a quem me refiro são: OS DEMÔNIOS DA GAROA - conjunto musical mais antigo em atividade em nosso país.
Contrariando a opinião de alguns críticos, principalmente os mais radicais – pra não dizer bairristas – de que somente no Rio de Janeiro se faz samba, o conjunto paulista “Demônios da Garoa”, mostra exatamente que esse ritmo não é exclusividade do carioca. Na verdade, o samba, não é propriedade nem privilégio de ninguém. Sabe-se, entretanto, que tem origem no processo de migração afro descendente que ao adentrar o Brasil, trouxe consigo o ritmo, conforme se manifesta de diversos tipos e maneiras nos quatro cantos do país. Em suma, está ligada diretamente aos batuques e manifestações rurais. Enfim, está mais que comprovada a influência africana manifestada com a presença sonora dos tambores nas festas populares, inicialmente na Bahia e depois no Rio de Janeiro, pelos escravos.
Com o passar do tempo, o ritmo que sofreu modificações, invadiu as cidades, atingiu a popularidade, tornando-se a dança nacional brasileira, sendo por isso, reconhecida pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, como patrimônio cultural do Brasil. Portanto, o samba está inserido no nosso corpo - no sangue e na alma. É um ingrediente a mais que circula ritmado para controlar as batidas do coração. Aliás, dizem até que o coração do sambista não bate - balança. Funciona como uma fonte de energia que faz mexer o corpo, o espírito e a alma.
O conjunto “Os Demônios da Garoa” é oriundo do Bexiga, bairro da capital paulista. Surgiu na década de 1940, com o nome de “Grupo do Luar”, devido suas apresentações no período noturno. Sua primeira apresentação ao público ocorreu em 1943, no programa de calouros: “A HORA DA BOMBA” na Rádio Bandeirante, do qual foi vencedor, ganhando contrato com a referida emissora. Logo em seguida, nos anos de 51 e 52, foi campeão do carnaval paulista com as músicas “Malvina” e “Joga a chave”. Portanto, já começou grande. Tempo depois passou a chamar-se “Demônios da Garoa”, nome escolhido pelo público através de concurso promovido pelo radialista Vicente Leporace.
Seu nome, embora pareça de mau gosto, nada tem de pejorativo ou maligno. Esta denominação – diga-se de passagem – bem sugestiva, está associada ao fato de que as músicas do repertório que nada tem de demoníacas são irresistíveis e cantadas à noite para animar e aquecer os casais na aconchegante garoa paulista.
Na verdade o conjunto projetou-se a partir de 1949, quando seus membros conheceram o compositor Adoniran Barbosa, por ocasião das gravações do filme O Cangaceiro. A partir desse momento se formava uma parceria entre ambos tendo o conjunto gravado seus principais sucessos e alcançando o reconhecimento musical do público. Foi o casamento que deu certo. Ainda hoje não há como separar um do outro.
Os Demônios da Garoa, além de se constituir um grande conjunto pela qualidade vocal e harmônica, destaca-se também pelo seu bom humor, transmitido numa linguagem bem peculiar e irreverente, o que se tornou sua marca registrada como podemos observar nas músicas: “Ói nóis aqui trá veiz – Tiro ao Álvaro – Samba do Arnesto”.
Graças à qualidade de suas composições e o talento dos seus componentes, “Os Demônios da Garoa”, tem resistido até hoje, e o que é mais importante, agradando a várias gerações Suas músicas ainda são as mais cantadas em rodas de samba e brincadeiras de amigos, até mesmo pelos mais novos. Seguramente, não há um jovem sequer, que não saiba sofrejar “Trem das Onze”, “Iracema” e “Saudosa Maloca”.
Precisa ser realmente bom para permanecer na ativa. Afinal, é mais de meio século de atividade, o que representa uma vida de resistência e muito bem vivida. Somente a qualidade resiste ao desgaste do tempo. Assim, por todos esses preceitos o conjunto tornou-se uma referência e motivo de orgulho para os paulistas. E, para imortalizá-lo, em 1994, o grupo foi incluído no Guines Bock – Livro dos Recordes Brasileiro, onde ainda permanece como o grupo vocal mais antigo do Brasil em atividade, tendo inclusive sido agraciado com DISCO DE OURO pelo álbum de 50 ANOS DE CARREIRA.
Pasmem. Exatamente sessenta e seis anos depois, em plena atividade, o grupo comemorou o acontecimento com dois grandes shows em S.Paulo no início de junho de 2009, oportunidade em que o jornalista e historiador Assis Ângelo fez o lançamento do livro “Pascalingundun – Os Eternos Demônios da Garoa”, que narra a história do conjunto. A propósito, pascalingundun, é uma onomatopéia presente na música “Trem das Onze”, maior sucesso dos “Demônios”. O grupo é detentor de enorme bagagem musical composta de 69 compactos simples, 06 compactos duplos, 34 Lps e 13 CDs, além de um DVD lançado recentemente na qual constam sucessos inesquecíveis.
Sua formação atual é composta pelos músicos: Roberto Barbosa (Canhoto), Serginho Rosa, Sydnei, Izael e Ricardinho, este último, já da 3ª geração, pois é neto de Arnaldo Rosa, um dos fundadores do grupo. Lamentavelmente dos fundadores não resta nenhum, todos já se encontram na eternidade. Com certeza cantando no conservatório de Deus. Os fundadores Arnaldo Rosa e Toninho Gomes, últimos remanescentes, faleceram respectivamente em 2000 e 2005, sendo Arnaldo vítima de cirrose hepática decorrente de um tratamento na coluna, enquanto Toninho devido complicações de diabetes e mal de Alzheimer.
Ao longo da histórica carreira o grupo acumulou cerca de 100 prêmios. E, o mais impressionante: durante oito anos consecutivos em temporada semanal em São Paulo, o conjunto registrou mais de 750 apresentações no Bar Brahma todas às quintas-feiras. Ainda hoje, mesmo sem contar com nenhum dos remanescentes do grupo original sua presença é marcante nas noites paulistas e nos grandes eventos. Em suma, mais “Demônios” do que nunca ou “Demônios” como sempre.
Com certeza, a longevidade do conjunto se justifica pelo repertório romântico aceito na época, além do solo instrumental de “Canhoto”- exímio violonista - e o esquema vocal de três vozes que se colocavam harmonicamente uma sobre a outra. Portanto, por tudo isso e muito mais, ratifico: OS DEMÔNIOS DA GOROA SÃO REALMENTE DIVINOS.
Pombal, 19 de junho de 2009.
*Professor.

AS FESTAS JUNINAS E SUAS TRADIÇÕES

CLEMILDO BRUNET*
Muito antes da chegada do Cristianismo as festas juninas já existiam. Era costume entre os romanos fazerem rituais homenageando a deusa Juno. Havia a adoração ao fogo, culto à fertilidade da terra e do homem. A história registra que as festas juninas também eram realizadas na Ásia e na África, havendo rituais que homenageavam diversas divindades e tinha também características de natureza agrária. Sobrepondo a mitologia romana chega o cristianismo, mesmo assim, os costumes na cultura do povo europeu superaram as expectativas e os povos continuaram celebrando suas festas juninas.
O termo Festas juninas é definido de dois modos. Primeiro porque os festejos ocorrem no mês de junho, já foi chamado até de festa joanina. O outro modo é porque teve sua origem em países católicos da Europa que comemoravam o São João. Foi durante o período colonial que os portugueses trouxeram essas festividades para o Brasil.
O saudoso Câmara Cascudo, em seu Dicionário do Folclore Brasileiro, diz: “Portugal possuiu no espírito da sua população todas as superstições, adivinhações, crendices e agouros amalgamados na noite de 23 de junho, convergência de vários cultos desaparecidos e de práticas inumeráveis, confundidos e mantidos sob a égide de um santo católico” . Foi com a data do santo católico que os portugueses introduziram em nosso país, os festejos juninos que se constituiu na união dos cultos pagãos (Louvor ao fogo, a terra e à fertilidade humana).
Nesta época do ano diversos elementos sedimentam o paralelo que existe entre o profano e o sagrado, seja através dos fogos de artifícios, dos cultos aos três santos católicos (Santo Antonio, S. João e São Pedro) como na procissão do acorda povo ou nas tradições dos negros vindos da África, em suas louvações a Xangô – senhor dos raios e dos trovões.
Mesmo sendo festejada em outras partes do Brasil, a predominância das festas juninas se dá mesmo é no Nordeste. O símbolo maior da festa está nas fogueiras e nas danças como: coco, ciranda, xaxado e quadrilha - um estilo musical marcado pela contribuição proveniente das culturas portuguesas, indígena e negra. Revive ainda costumes caipiras através da indumentária que vestem e da culinária vinculada ao começo da colheita do milho.
Na Paraíba as festas juninas são comemoradas a começar da cidade rainha da Borborema – Campina Grande. Desde 1983, ocupando uma área de mais de 80 mil metros quadrados no Parque do Povo, em quatro planos distintos - os festejos juninos se estendem pelo Arraial Luiz Gonzaga, a Pirâmide Jackson do Pandeiro, Arraial Hilton Motta e o Centro de Arte e Cultura Popular. Conhecido como o Maior São João do Mundo, o evento ocorre durante 31 dias, revestido de cenografias que elevam os valores juninos combinando com características arquitetônicas e históricas da cidade.
O Maior São João do Mundo é também descentralizado para os bairros e distritos da cidade valorizando a tradição do povo, como vem ocorrendo nos distritos de Galante e São José da Mata ponto alto do evento em sua programação diurna.
Finalmente, as festas que ocorrem durante o mês de junho, são os eventos mais esperados pelos brasileiros depois do Carnaval. O calendário marca a metade do ano, e no currículo escolar o período é de férias.
O Nordeste é o ponto de convergência onde se reúne o maior número de gente de todas as partes e lugares deste país. Há uma intensa mobilização de pessoas, alguns para as brincadeiras que os festejos sugerem, outros para visitarem parentes e amigos em lugares distantes.
*RADIALISTA.

ELOGIO AO EGO

Por Severino Coelho Viana*
A crítica destrutiva é um mal que às vezes atormenta o autor, mas esta temeridade só recai em cima dos inseguros, dos fracos de posicionamento e dos imaturos de conhecimento do tema que se propôs a dissecar, principalmente quando o mal destruidor advem de origem por uma despeita pessoal ou nascido de um sentimento invejoso.
Sabemos que escutar adjetivos poucos lisonjeiros a respeito de tarefa ou trabalho literário, quando o autor consumiu horas de sua vida debruçado sobre o papel ou alinhado ao computador não é realmente nada agradável ver distorcido o trabalho realizado com afinco, dedicação e amor. Observemos de onde foi atirada a seta venenosa e de quem partiu a mira e qual o alvo que quer atingir com uso da cavilação.
A crítica construtiva, por ser benéfica, não deve ser desregrada ou ilimitada no sentido de saciar o narcisismo do autor. Esta deve ser refletiva com base num raciocínio verdadeiro, que não seja somente para agradar o seu parente próximo nem o seu amigo íntimo. Deve ser tão verdadeira que somente depois de uma leitura segura e benfazeja que seja dirigida uma mensagem ao autor, alertando os pontos: positivo e negativo. Já o autor, por sua vez, não deve especular a leitura, forçar um comentário ou tentar um elogio repentino ou imaturo, que poderá cair na armadilha do ato enganoso e sair exalando ar de impureza.
A leitura, nos seus diversos ramos, (romance, crônica, conto, poesia etc.) traz um desejo de satisfação pessoal e o alívio de uma boa viagem num terreno antes desconhecido. Através da leitura, todos nós aprendemos a ler e a contar história, a escrever com desenvoltura e a pensar com mais lógica; conhecemos os grandes pensadores e aproximamo-nos dos escritores clássicos; perquirimos os grandes textos sagrados, legamos boas lições da história e os avanços da ciência; identificamos os valores que regem as sociedades modernas e rebuscamos o conhecimento das sociedades primitivas; aprendemos a sonhar com outros mundos e recriamos utopias; às vezes nos deparamos com o riso ou com o choro; aprendemos a rezar em nome da paz e adquirimos a sensação de amor ao próximo; achamos as minudências que nos cerca e descobrimos as sutilezas que rodeiam a nós próprios.
A leitura torna-se um sistema de estrutura essencial para o exercício da nossa inteligência e serve como instrumento para nossa ginástica mental, que se firma no binômio: comunicação/informação. Afinal, a leitura amolda definitivamente a nossa memória, refaz a nossa identidade individual e reforça o nosso sentimento coletivo, bem como transforma a nossa visão de mundo.
É a reflexão sobre a leitura que nos leva ao caminho da crítica construtiva, que se firma como lema no ideal do aperfeiçoamento. A crítica é construtiva quando alerta sobre algum erro (de qualquer ordem) que pode/deve ser corrigido. Quem não erra? Quem é o dono da verdade absoluto? Quem é ilimitado dentro da cultura geral. Este é o ponto fundamental que leva às coisas se acertarem.
A crítica é construtiva quando se faz uma observação para alguma pessoa com o único interesse que ela melhore, progrida, cresça, apontando suas falhas e buscando ajudar para que ela reconheça e chegue ao ponto de equilíbrio entre o certo e o errado. Salientar pontos positivos e mostrar pontos negativos, este é o guia de orientação correta que são as bases da crítica construtiva.
Há pessoas que se consideram intocáveis no mundo insondável de sua consciência e traz um peso de sentimento no seu nível de cultura, que não aceitam a menor palavra de contrariedade aos seus próprios brios e aos seus trabalhos literários. De uma sensibilidade a flor da pele. Esta pessoa precisa de uma reciclagem nos seus próprios sentimentos. Ouvir a crítica também é questão de saber aproveitar o tijolo arremessado para, posteriormente, fazer alguma construção. No entanto, existem aquelas pessoas que não admitem que se lance sobre elas nem um grão de areia. Se a base do seu castelo de sonhos foi construída na solidez do solo petrificado não há o que temer dos pingos de areia molhada!
A crítica é uma excelente forma de expressão até o momento em que ela toma o lugar do assunto criticado. Toda crítica passional é suspeita. Independente do que está sendo criticado. A boa crítica é aquela que analisa o que é belo ou bom, segundo o que é verdadeiro e filtrado pela razão, afastando o estado emocional.
Antes de descer o verbo em tudo que pensamos e achamos que é errado, sem que antes observemos a nossa própria pequenez, é importante refletir com profundidade em que realmente se fundamenta a nossa indignação. Mesmo em coisas simples. Vemos um buraco na rua logo ficamos indignados por que o maldito governo capitalista é corrupto e deve ser derrubado, ou o problema é realmente o buraco que incomoda quem passa por ali? É claro que o buraco é consequência desta corrupção, mas o objetivo real de acabar com ela tem que ser os buracos e não a simples raiva contra o sistema. Na leitura, no texto de um desafeto, somente por que este é autor, não significa que não presta. Será que todo o conteúdo foi perdido, nada o agradou?
A pior situação vivenciada dá-se quando o autor é movido por uma vaidade incomensurável ou procura concorrer com os outros na tentativa de mostrar que o seu trabalho é superior ao demais. Neste caso, torna-se tão pequeno quanto o grão de areia molhada. Não passa dos limites do seu egoismo individual.
A leitura é um estado de espírito emocional, de acordo com o momento que se está vivendo e o conteúdo está em união e compatibilidade com as linhas deste estado emocional, o trabalho merece o elogio desejado, mas se ocorrer o contrário, não rasgue da primeira à úlitma página e não se pode também jogar na lixeira. Passando este estado emocional repentino, numa outra situação aquele mesmo trabalho literário poderá ser aplaudido e colocado em destaque no travesseiro de sua vida. João Pessoa, 18 de junho de 2009.
*Promotor Público em João Pessoa-PB.

O JORNALISTA PRECISA É DE ÉTICA

Maciel Gonzaga (Foto)
Maciel Gonzaga*
Em julgamento realizado na quarta-feira (17/06), o Supremo Tribunal Federal deu provimento ao Recurso Extraordinário RE 511961, interposto pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de São Paulo. Neste julgamento histórico, o STF pôs fim a obrigatoriedade de diploma para exercício da profissão de jornalista, instituída pelo decreto-lei nº 972/69. A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) considerou a decisão do STF um retrocesso.
O principal argumento, entre os tantos que se pode levantar para a exigência do diploma de curso de graduação de nível superior para o exercício profissional do jornalismo, foi o de que a sociedade precisa, tem direito à informação de qualidade, ética democrática.
Qualquer pessoa que conheça a profissão sabe que qualquer cidadão pode se expressar por qualquer mídia, a qualquer momento, desde que ouvido. Quem impede as fontes de se manifestar não é nem a exigência do diploma nem a regulamentação, porque é da essência do jornalismo ouvir infinitos setores sociais, de qualquer campo de conhecimento, pensamento e ação, mediante critérios como relevância social, interesse público e outros. Os limites são impostos, na maior parte das vezes, por quem restringe a expressão das fontes.
Nunca é demais repetir, também, que qualquer pessoa pode expor seu conhecimento sobre a área em que é especializada. Por isso, existem tantos artigos, na mídia, assinados por médicos, advogados, engenheiros, sociólogos, historiadores. E há tanto debate sobre os problemas de tais áreas. Além disso, nos longínquos recantos do país existe a figura do “provisionado”, até que surjam escolas próximas.
Diante disso, é de se perguntar como e por que confundir o cerceamento à liberdade de expressão e a censura com o direito de os jornalistas terem uma regulamentação profissional que exija o mínimo de qualificação? Por que favorecer o poder desmedido dos proprietários das empresas de comunicação, os maiores beneficiários da não-exigência do diploma, os quais, a partir dela, transformam-se em donos absolutos e algozes das consciências dos jornalistas e, por conseqüência, das consciências de todos os cidadãos? A informação jornalística é um elemento estratégico das sociedades contemporâneas.
Juristas de renome ocuparam-se do assunto e não foram poucas as vozes respeitáveis que se levantaram contra a necessidade do diploma para a prática do ofício, sob o argumento inteligente de que a profissão não reclama qualificações profissionais específicas, que possam constituir-se em base estrutural indispensável ao exercício da função, sem expor a sociedade a riscos. Aplaudo e reverencio a tese, mas entendo que a chave da questão da não obrigatoriedade do diploma pode ser facilmente encontrada na lei nº 9.610/98, dita Lei de Direito do Autor, consoante com o pétreo princípio da liberdade de expressão intelectual, consagrado pelo Texto Constitucional.
Esta lei qualificou o trabalho jornalístico, de qualquer natureza, como bem de caráter intelectual (art. 17, cc. 5º, VIII, "h" e 7º, XIII), retirando o jornalista, por conseguinte, da condição de mero prestador de serviços no campo da comunicação (DL. 972/69), para colocá-lo no nível de autor de obra cultural. Aliás, a lei autoral revogada (nº 5.988/73) não havia descurado do assunto (artºs 15 e 31), mas a atual enfrentou-o com clareza e precisão.
Não há dúvida que enquanto profissionais como médicos, engenheiros, advogados, etc., necessitam de cursos técnicos específicos e de diplomas que atestem sua capacitação profissional, para o desempenho regular das atividades escolhidas, o jornalista escora-se no dom do espírito, em razão do qual expressa-se intelectualmente, independentemente da natureza da sua profissão. É daí que brota a sensibilidade para a captação do fato de interesse público, que será submetido à consciência da coletividade.
Pessoalmente, mesmo sendo favorável a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista, entendo que ser jornalista é saber ver o que está acontecendo. Para isso é preciso conhecimento e, acima de tudo, experiência. Conhecimento não se adquire apenas na escola, mas em livros, filmes, discos e, agora, também através de computador. Experiência, só no dia-a-dia. Por isso, a minha posição pessoal é: Com ou sem diploma, o jornalista precisa é de ÉTICA.
* Natural de Pombal-PB, Jornalista, Advogado e Professor. Natal -RN.

SOBRE A GRIPE DO MOMENTO

Mª do Bom Sucesso L. Fernandes Neta*
Muito tem sido discutido nesses últimos dias. De forma simplificada serão abordados alguns pontos relevantes, no que diz respeito a essa patologia que vem espalhando medo na população, na tentativa de facilitar o entendimento da situação vigente.
A famosa “gripe suína” é causada por uma mutação do vírus da gripe, o chamado vírus Influenza A (H1N1). A transmissão se dá de pessoa para pessoa, através de tosse e/ou espirro de pessoas infectadas. Caso seja transmitida, os sintomas podem se iniciar no período de 3 a 7 dias após o contato. Não há registro de transmissão para pessoas por meio da ingestão de carne de porco e/ou produtos derivados.
O CDC (Centers for Disease Control and Prevention) norte-americano classifica os casos como suspeitos ou confirmados. Estes últimos dizem respeito aos pacientes com sintomas respiratórios associados ao isolamento do vírus (em secreção de vias aéreas superiores). Já os casos suspeitos são representados por indivíduos com sintomas respiratórios e que são oriundos de áreas de risco, ou seja, com casos da doença confirmados (principalmente do exterior) ou ainda em caso de o paciente apresentar sintomas e referir contato próximo (nos últimos 10 dias) com pessoa classificada como caso suspeito de infecção pelo vírus Influenza A (H1N1).
Os sintomas são comuns a outras gripes, sendo eles: febre alta repentina (> 38ºC), tosse, coriza, rinorréia, dor de cabeça, dor muscular e/ou dificuldade respiratória. O paciente pode também apresentar uma ou mais das seguintes complicações: sinusite, otite, pneumonia, asma, piora de doença pré-existente e, em casos extremos, síndrome da angústia respiratória entre outros. Sabe-se que os indivíduos mais susceptíveis são crianças, idosos, pacientes imunocomprometidos ou com doenças crônicas, a exemplo de diabetes ou insuficiência renal crônica.
No que diz respeito ao diagnóstico, é feita a pesquisa direta do vírus em secreção de vias aéreas superiores. É realizado através do teste de Imunofluorescência indireta (IFI), seguido da reação em cadeia pela polimerase (PCR), específica para este novo vírus, que permite caracterizar casos altamente suspeitos.
O tratamento baseia-se no uso de antivirais. A procura por auxílio médico, em casos suspeitos deve ser estimulada, já que há distintos protocolos terapêuticos (disponíveis no site do CDC) para diferentes faixas etárias (especialmente, crianças); gestantes devem ser avaliadas com cautela. Diante da alta transmissibilidade da doença, a prevenção é deveras importante. Em seguida, algumas recomendações:
1º) Para indivíduos saudáveis assintomáticos: manter distância de no mínimo um metro de indivíduo com sintomas de gripe; reduzir o tempo de contato com pessoas potencialmente doentes e/ou a permanência em ambientes com aglomeração de pessoas; evitar levar as mãos à boca e ao nariz e higienizar as mãos com freqüência (com água e sabão ou soluções alcoólicas).
2º) Para indivíduos com sintomas respiratórios: higienizar as mãos com freqüência (com água e sabão ou soluções alcoólicas), especialmente se tocar a boca e nariz ou superfícies potencialmente contaminadas, principalmente após tossir ou espirrar; cobrir o rosto (boca e nariz) quando tossir ou espirrar; permanecer em casa durante dez dias, utilizando máscara cirúrgica descartável; reduzir contatos sociais desnecessários; mensurar a temperatura três vezes ao dia; ficar atento para o surgimento de febre maior que 38º C e tosse; procurar imediatamente serviço de saúde de referência para avaliação se os sintomas persistirem.
Obter informação e tomar cuidados necessários é imprescindível, a fim de reduzir a disseminação da doença. Em quaisquer dúvidas, procure seu médico. Prevenir é a melhor saída. Referências
1) Informações divulgadas no site http://http://www.medcenter.com/, fornecidas pelo Dr. Alexandre Fernandes (Neuropediatra e professor da Universidade Federal Fluminense);
2) Site do CDC norte-americano (http://www.cdc.gov/);
3) “Informe Técnico sobre a gripe causada pelo novo vírus Influenza A/H1N1, 2009”, elaborado pela Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e pela Associação Médica Brasileira (AMB), disponível no site da SBI (http://www.infectologia.org.br/)
E-mail para contato: sucessomed@hotmail.com
*Natural de Patos-PB, 20 anos, mais conhecida como Cessinha, acadêmica do 6º período de medicina da Faculdade de Ciências Médicas de Campina Grande, filha de Francisco Fernandes da Silva Júnior e Zeneida Furtado Leite Fernandes, donos da Hiperfarma Bom Sucesso em Patos.

CELSO FURTADO - O LEGADO "Um apaixonado pela razão"

Celso Furtado (in memorian) Foto
POR JOSÉ SERRA.
Início de 1963, aeroporto de Congonhas, São Paulo, porta de desembarque, sábado ensolarado. Lá estava eu aguardando a chegada de um Convair da Ponte Aérea que trazia o então ministro do Planejamento, Celso Furtado, para levá-lo a um debate sobre o Plano Trienal, preparado por ele mesmo para João Goulart, cujo governo saíra fortalecido depois da recente vitória do presidencialismo contra o sistema parlamentarista, num plebiscito.
Eu tinha 20 anos e presidia a União Estadual dos Estudantes, que, junto com a UNE, organizara o seminário. Celso chegou sozinho, elogiou a iniciativa do debate e propôs tomarmos um café, antes de seguirmos para a Cidade Universitária. Por seus livros e, principalmente, pela Operação Nordeste e criação da Sudene, para nós ele já era um mito e foi uma surpresa constatar que era um homem simples, cordial e discreto.
Na mesa, o debatedor principal era Mário Alves, baiano da geração do ministro e dirigente nacional do Partido Comunista Brasileiro. O Plano Trienal pretendia, de fato, combater a inflação, naquela altura superior a 50% ao ano, promover reformas no setor público e oferecer um caminho para que a economia brasileira retomasse o dinamismo da segunda metade da década anterior. Previa deter o galope inflacionário combatendo o déficit público, controlando a expansão monetária, melhorando a oferta agrícola, atenuando o desequilíbrio externo e freando a espiral preços-salários.
A esquerda criticava não os objetivos, mas os instrumentos e a consistência do próprio plano, que, embora defendesse a reforma agrária, não previa a ampliação da participação do Estado na economia nem maiores restrições ao capital estrangeiro, considerados por ela como fatores chave de qualquer estratégia econômica nacional bem-sucedida.
Para os padrões atuais, o debate foi civilizadíssimo. Mário Alves, que poucos anos depois morreria assassinado sob tortura nos porões da ditadura, falou de forma crítica mas bem-educada, e as perguntas e comentários do público seguiram a mesma linha. As pessoas, principalmente estudantes, estavam a fim de se informar, de aprender. Celso fez uma exposição clara, com domínio de conceitos e perspectiva histórica, rebateu de forma suave as críticas, esclareceu dúvidas e respondeu com clareza e elegância a todas as questões. Um poço de racionalidade. Ganhou o debate e mesmo aqueles que não se convenceram de suas teses devem ter saído de lá desejando que sua razão fosse a verdadeira. A maioria, estivesse ou não fora da realidade, não apostava no quanto pior melhor. Naquela tarde, assistindo ao debate (e até falando, imaginem!), decidi que, depois de concluir meu curso de engenharia, iria estudar economia. Ficara fascinado pelo duelo entre Mário e Celso, e, mais ainda, com a complexidade da economia e dos problemas econômicos do país, cuja compreensão pareceu-me essencial para a construção do Brasil que ambiciosamente sonhávamos.
No bojo da instabilidade política e sob o impacto da aceleração da inflação, que já estava em andamento, as diretrizes do Plano Trienal mal saíram do papel. No segundo semestre daquele ano, Celso já havia voltado para a Sudene. Em abril do ano seguinte, rumava para o exterior, depois do golpe militar que cassou seus direitos políticos e vitimou a democracia brasileira do pós-guerra. Já nos primeiros meses angustiados do exílio, inicialmente na França, debrucei-me sobre três livros do ex-ministro brasileiro: "Formação Econômica do Brasil", "Desenvolvimento e Subdesenvolvimento" (um conjunto de ensaios que, para mim, são o melhor livro de Celso Furtado) e "A Pré-Revolução Brasileira". Ele combinava os instrumentos da melhor análise econômica cambridgeana, o conhecimento histórico, o domínio e a confiança na razão como elemento mobilizador e transformador das sociedades. Um estilo seco, objetivo, sem qualquer grandiloqüência.
Nenhum intelectual exerceu tanta influência entre nós quanto Celso Furtado, e nenhum brasileiro foi tão reconhecido, ouvido e publicado no exterior como ele, com sua obsessão pela compreensão histórico-estrutural do processo de subdesenvolvimento e das condições complexas para superá-lo. Um dos fundadores da "escola" estruturalista latino-americana, ele foi seu mais profícuo formulador.Com Celso, aliás, vai o último grande personagem dessa escola, que firmou o que há de identidade latino-americana na segunda metade do século passado: Raul Prebisch, Jorge Ahumada, Juan Loyola e o grande Aníbal Pinto. Como disse ontem seu principal auxiliar na Sudene, Francisco de Oliveira, "poucos cientistas sociais podem se orgulhar de terem visto suas idéias transformarem-se em força social e política; a obra de Furtado passou por essa dura prova da história. Contra ou a favor, ela exige que se tome posição a seu respeito".
Uma obra cuja valorização é extremamente oportuna quando nosso país vai completando um quarto de século de semi-estagnação econômica, a pior fase desde o ultimo terço do século 19 -e, mais ainda, quando a falta de um projeto nacional de desenvolvimento chega a ser apreciada pelo pensamento dominante como virtude nacional. Como se as grandes questões do país pudessem ser resolvidas pela combinação de "inativismo" estatal, sinalizações amigas ao mercado e assistencialismo, estigmatizando-se o debate sobre políticas macroeconômicas alternativas.
A última vez que encontrei Celso Furtado foi em abril último, no seu pequeno apartamento em Paris, que visitei em companhia dos jornalistas Reale Júnior e Mario Sergio Conti. Sua lucidez estava intacta, ao contrário de suas condições físicas. Entre outros temas, numa conversa despretensiosa, ele falou de sua formação, da figura de seu pai. Mas começou esclarecendo-me que a poltrona de couro já havia sido aposentada, houvera poucas semanas. Explico: quando houve o golpe no Chile, em 1973, antes de ser preso, eu havia enviado móveis e livros para a França, para onde iria com minha família, convidado para trabalhar em universidade. Depois da prisão e de uma longa reclusão numa embaixada, mudei os planos.
Uma vez na Europa, visitei-o em Paris, onde ele morava, e depois em Cambridge, na Inglaterra, onde passou um tempo como professor visitante. Hospedou-me alguns dias em sua casa. Numa conversa descontraída, eu lamentei: "Se for mesmo para os Estados Unidos (como veio a acontecer), vou acabar perdendo meus móveis. Você não quer guardar, e usar, uma poltrona de couro nova, que eu gosto tanto e mal cheguei a usar?" Ele topou e, no final, é obvio, eu nunca quis a poltrona de volta, a mesma que durante 30 anos foi usada por ele, Rosa e suas visitas, para minha enorme satisfação.
(Especial para Folha de São Paulo) 22/11/2004).

SERTÃO SEM MODA.

Francisco Vieira*
Este é o titulo da música vencedora da Iª Eliminatória do FORRÓ-FEST 2009, realizado em Patos - PB no último dia 30 de maio. A composição é de autoria de Francisco Almir – XICHICO – que embora filho de Coremas é radicado em Pombal onde trabalha no INSS, considerando-se portanto, pombalense de coração. A música alcançou com louvor o primeiro lugar, por conseguinte, o direito de disputar a grande final que ocorrerá no dia 27/06/09, em C. Grande, cidade que patrocina o MAIOR SÃO JOÃO DO MUNDO. Teve como interprete o renomado cantor pombalense Valtécio, cuja interpretação foi alvo de elogios e apupos da platéia.
Realmente digno de respeito o trabalho de XICHICO no campo da música. Seu nome é presença marcante no Forró-Fest - maior festival nordestino no gênero - realizado anualmente na Paraíba, tornando-se um concorrente de peso, graças à qualidade de suas composições. Xichico, como fiel escudeiro de nossas tradições, é defensor da autêntica música nordestina – o forró raiz – linha difundida pelo imortal Luiz Gonzaga. Sua destacada história teve início em, 1991, quando participou do FORRÓ-AÇO em J. Pessoa, tendo chegado à final com a música “Saudade Baião”, composta em parceria com Carlos Abrantes, cuja composição trata-se de um tributo ao Mestre Gonzaga e gravada pelo cantor pessoense Nodje Andrade. Particularmente, sem desmerecer a uma centena de outras dedicatórias, “Saudade Baião”, representa a maior e mais completa homenagem dirigida a Gonzagão. Posteriormente, nos anos de 2005 e 2007, também alcançou a final do Forró-Fest, com as composições “Canção das Águas”; crítica ao descaso do homem com o meio ambiente e “Sem volta e sem laço”.
Graças ao seu talento musical e excelente qualidade de suas composições que exprimem verdadeira veia poética, Xichico foi mais além, pois já conta com diversas músicas gravadas por artistas de renome. Em, 2003, compôs a música “Poeta Verdade”, letra que homenageia o grande ícone do forró Antonio Barros e gravada por Marinês em seu disco “Cidadã do Mundo”. Tempo depois, gravou com a Banda Alegria e Aleijadinho de Pombal os xotes “Coração Ferido” e “Mensageiro Locutor”, esta última, enaltecendo o profissional do radio, verdadeiro comunicador de massas.
Xixico (Foto)
Este ano, com o baião “Sertão sem moda”, o compositor traz um tema bastante atual, no qual faz um paralelo entre o passado e o presente, enfocando com evidência a diferença de costumes em épocas tão adversas. Em versos bem metrificados, revestidos por uma melodia audível, isto é, agradável aos nossos ouvidos sem, contudo, desmerecer o avanço tecnológico e a sua importância, mostra também que a modernidade está destruindo velhos costumes e tradições. Todavia, grita por um sertão onde os efeitos do progresso não afetem o seu estado natural e simplista. Segundo os críticos, a moda é feita pelo homem, que deve ater-se quanto ao seu uso correto, pois do contrário é prejudicial.
Quiçá, seja este, o ano da sonhada conquista. Oxalá! Seja agora a realização do sonho acalentado há muitos anos. Seria mais que um prêmio. Seria a recompensa maior pela perseverança. Enfim, seria o reconhecimento de um trabalho sério e autêntico, por isso, digno do nosso respeito. Com certeza “Sertão sem moda” é uma grande concorrente, o que justifica o nosso entusiasmo e alimenta nossa esperança. Entretanto, independente de qualquer resultado contrário a nossa expectativa, você já tem o prêmio do nosso reconhecimento, do nosso aplauso. Parabéns. Que Deus realize seus sonhos.
*Professor.

EDUCAÇÃO SUPERIOR NO MUNICÍPIO DE POMBAL.

Alberto Bandeira (Foto)
Faculdades Pioneiras: FAP / FCCP - “FUNDAÇÃO”
Artigo: Nº 001
Autor: Alberto Salgado Bandeira*
A Faculdade de Agronomia de Pombal – FAP e a Faculdade de Ciências Contábeis de Pombal - FCCP, Estado da Paraíba, mantida pela Fundação de Ensino Superior de Cajazeiras – FESC, deram seu primeiro passo aos oito dias do mês de Maio de 1997, na Fazenda Vassoura desse município, onde ocorreu importante reunião com as presenças do Delegado do Ministério da Educação e Desporto – DEMEC, no Estado da Paraíba, Professor Martinho Queiroga Salgado; representante de Ensino Superior da DEMEC a Professora Giannina Faraco; Padre Solon Dantas de França – Diretor do Colégio Josué Bezerra de Pombal e, Vigário das Paróquias de Nossa Senhora do Bom Sucesso de Pombal-PB e da Paróquia de São José de Paulista-PB, representando na ocasião o reverendíssimo Bispo da Diocese de Cajazeiras, Dom Matias Patrício de Macedo; os representantes da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Cajazeiras – FAFIC, o Diretor Padre Antonio Luis do Nascimento; o Vice-Diretor Padre Agripino Ferreira de Assis, a Coordenadora de Ensino Professora Maria Ieda Felix Gualberto.
A Comunidade pombalense foi representada pelas ilustres autoridades: Professor Olivaldo Nobre da Silva, Vice-Diretor do Colégio Josué Bezerra, Professor Expedito Joaquim de Abrantes, Médico Veterinário Alberto Salgado Bandeira, Extencionista da Emater-PB e a Professora Almira Lins Pinheiro. Na oportunidade o Delegado do DEMEC Prof. Martinho Queiroga Salgado, além de outras informações, apresentou em público resultado da pesquisa realizada junto a comunidade estudantil e sociedade em geral do município de Pombal e regiões circunvizinhas sobre a necessidade de criação de “Cursos de Graduação” e preferência popular no atendimento a essa importante solicitação. Os cursos de maior preferência foram: Agronomia, Ciências Contábeis, Enfermagem e Administração, sendo as duas primeiras as mais aceitas.
Na seqüência procedeu-se a indicação da “Comissão Provisória de Instalação” das Faculdades de Agronomia e Ciências Contábeis de Pombal, indicados e aceitos como Coordenador o Professor Olivaldo Nobre da Silva, Tesoureiro Expedito Joaquim de Abrantes, Secretário Alberto Salgado Bandeira e o nome da Professora Almira Lins Pinheiro para Assessorar a Comissão na elaboração do projeto. Para finalizar o encontro, o Delegado da DEMEC e sua equipe prestaram esclarecimentos e orientações diversas sobre os assuntos em pauta e ficou determinado que, a partir daquele momento, a “Comissão Provisória de Instalação” das Faculdades de Pombal seria responsável para gerir os trabalhos concernentes à instalação dos referidos cursos. Os trabalhos seguiram seu rumo sem interrupção até a data de novo acontecimento importante.
O segundo passo aconteceu às nove horas do dia 17 de julho de 1997 na “Fazenda Nova Betânia” município de Paulista-PB, com a realização de uma reunião com o objetivo principal de “Oficialização e Criação” das Faculdades de Agronomia e Ciências Contábeis de Pombal. Presentes à reunião, estiveram o Bispo Diocesano Dom Matias Patrício de Macedo, Presidente da Fundação de Ensino Superior de Cajazeiras - FESC, Padre Agripino Ferreira de Assis, Padre Solon Dantas de França, Professor Olivaldo Nobre da Silva, Expedito Joaquim de Abrantes, Alberto Salgado Bandeira. Além do Delegado da DEMEC, Martinho Queiroga Salgado e seu substituto Professor Paulo Abrantes e Professora Giannina Faraco. Na importante reunião estavam os Prefeitos Municipais: Abmael de Sousa Lacerda, Pombal - PB; Abnete Vieira de Almeida, Paulista - PB, Ivan Olimpio, São Bentinho - PB, José Leopoldo, Jericó - PB, Cristovão Amaro da Silva, Cajazeirinhas - PB, José Eudes de Queiroga, São Domingos - PB, representado por Dr. Inácio Marinho das Chagas. Os Prefeitos dos municípios de Malta - PB, Condado - PB e Aparecida - PB foram representados pelo Professor Martinho Queiroga Salgado.
O Professor Martinho Queiroga Salgado e o Professor Paulo Abrantes ressaltaram a viabilidade da criação das Faculdades de Pombal, enquanto o Bispo Diocesano, no uso da palavra, fez referência à Fundação de Ensino Superior de Cajazeiras - FESC, entidade por ele presidida, oferecendo apoio ao projeto em estudo. Na seqüência se pronunciaram o Padre Solon Dantas de França, o professor Martinho Queiroga Salgado e outros, todos demonstraram total confiança na realização e execução do projeto de instalação das Faculdades de Pombal. As Professoras Almira Lins e Maria Socorro Queiroga fizeram explanações técnicas, demonstrando as potencialidades que propiciariam a criação dos referidos cursos. A Professora Giannine Faraco fez considerações sobre as exigências legais do Ministério da Educação e Cultura.
Os Prefeitos Municipais presentes e representados admitiram a importância da criação das Faculdades para a região, oferecendo total e irrestrito apoio. O Padre Agripino e o Vereador Posidônio Fernandes do município de Paulista – PB manifestaram motivações para a continuação dos trabalhos, oferecendo apoio incondicional. Os membros da “Comissão Provisória de Instalação” Alberto Salgado Bandeira, Expedito Joaquim de Abrantes e Olivaldo Nobre da Silva se comprometeram em envidar todos os esforços no desempenho dos trabalhos. O Bispo Diocesano encerrou a reunião demonstrando satisfeito e confiante nas equipes, agradecendo a presença e o apoio de todos.
As lutas, as campanhas, as várias reuniões sucessivas, as iniciativas incansáveis do Padre Solon Dantas de França culminaram na formação da “Comissão de Elaboração do Projeto Político Pedagógico” constituída pela Profª. MS. Almira Lins Pinheiro(UEPB); Profª MS. Maria do Socorro Queiroga(UFPB); Engº Agrº MS. Felemon Benigno de Araujo Filho(EMATER-PB); Engº Agrº M.S. Inácio Marinho das Chagas(EMATER-PB); Med.Vet. Alberto Salgado Bandeira(EMATER-PB); Profª Maria Iêda Felix Gualberto(FESC); Prof. Martinho Queiroga Salgado e Equipe(DEMEC); Expedito Joaquim de Abrantes; José Felix Faustino(EMATER-PB), este, auxiliado pelo comerciante José Ednor Varela, nomeado tesoureiro da comissão.
Depois de concluído o projeto, antes do envio ao MEC, houve a necessidade da indicação da
“Primeira Diretoria das Faculdades”, para isso foram emitidas as Portarias pela FESC em 22 de outubro de 1997, nomeando para Diretor da Faculdade de Agronomia, o Padre Solon Dantas de França e Vice-Diretor Alberto Salgado Bandeira e Diretor da Faculdade de Ciências Contábeis, Expedito Joaquim de Abrantes e Vice-Diretor Olivaldo Nobre da Silva.
Posteriormente, outros momentos significados e de grandes emoções foram acontecendo, um deles foi a visita de inspeção da Comissão de Verificação do Ministério de Educação e Cultura que resultou na criação legal da Faculdade de Ciências Contábeis de Pombal, através da Portaria MEC Nº 1.681 de 19 de outubro de 2000, publicada em 23 de outubro do mesmo ano e, Um ano após foi a vez da criação legal da Faculdade de Agronomia de Pombal, através da Portaria MEC Nº 334 de 23 de fevereiro de 2001, publicada em 26 de fevereiro do mesmo ano. Assim, se confirmavam as autorizações para a realização dos primeiros vestibulares das Faculdades de Agronomia e Ciências Contábeis de Pombal. Tendo a FCCP realizado o seu vestibular logo em seguida.
Para a maior satisfação de todos os envolvidos, e agora já do conhecimento de toda sociedade foi publicado no Diário Oficial da União do dia 28 de janeiro 2002 o Edital para a realização do Primeiro Vestibular da Faculdade de Agronomia de Pombal, de acordo com a legislação vigente, nos dias 23 e 24 de fevereiro de 2002 e publicado o resultado oficial em 25 de fevereiro através da imprensa oficial e local, com data marcada para o início das aulas em 04 de março de 2002, desta feita, concretizou-se o “sonho dos sonhadores e de guerreiros lutadores”.
A FAP e FCCP funcionaram como Instituições de Ensino Superior Privadas até o ano 2007, passando à condição de Públicas, incorporadas pela Universidade Federal de Campina Grande por Processo de Federalização, com a criação do Campus da UFCG em Pombal, tendo como o seu primeiro Diretor o Professor Martinho Queiroga Salgado, ex-delegado da DEMEC. Nos próximos artigos será dada continuidade à história desse importante episódio de sucesso, marcante na vida dos pombalenses.
*Por Alberto Salgado Bandeira
Médico Veterinário
E.MAIL: betobandeira2@gmail.com (Membro Fundador, Ex-Vice Diretor, Administrador e Ex-Professor da FAP)
Colaboradores desta Edição:
Prof. Doutor, José Cesário de Almeida (Adequação da ABNT)
Profª. Especialista Terezinha da Silva Almeida (Revisão Ortográfica)

SER FILHO DE POMBAL

Jerdivan (Foto)
Jerdivan Nóbrega de Araújo
Meu caro Maciel
A vida é assim. Os jornais não trazem noticias minhas Não trazem noticias suas Não trazem noticias nossas. Nosso tempo já vai longe Já vão longe nossas estórias Nossos tombos, nossos escombros. Outras esquinas são as nossas. As estórias que temos para contar são de pessoas que não mais vem pro jantar. Quem não veio? Quem não mais virá? Nossos textos são assim! Falar de um tempo que já vai longe Dizer hoje dos filhos e amanhã dos netos. Contar nos dedos das mãos os amigos que Ainda estão por aqui. Na Rua Nova ti vi passar Na Matriz ti vi ajoelhar e rezar. Os cabelos brancos do velho professor Ali na mesa do lado. O rosto envelhecido dos alunos que fomos nós e que outrora tanto lhe deu trabalho. Agora é um espelho a nos refletir.Um rio inteiro para mergulhar Transforma-se em mergulho ao fundo Na saudade e na nostalgia. Os Pontões vão dançar. Façam silêncio!
Acho que vou chorar! Que noticias trás de lá?
Que noticias posso te dar? Faz diferença ta por lá? Dizer do cinema Diga-me dos sobrados Qualquer noticia de lá.
Quem é aquele lá? Você não lembra? Ele me abraçou tão forte.Um rosto familiar Tal qual rosto do nosso pai.A saudade é assim: Tanto pra falar E o silêncio é o que temos Para compartilhar.▬Foi bom te reencontrar...Meu caro Maciel continue a sua tela Não poupe na tinta, no pincel, Nos traços, mesmo se tortos. Sua tela tem histórias E elas são nossas. A Voz da Cidade e O Lord Amplificador Nunca silenciou em nós. Nosso tempo em uma cidade
Quando esta ainda existia Tem ecos eternos.

QUEM SOU EU? SOU POMBALENSE...

Maciel (Foto)
MACIEL GONZAGA*
RESPONDO As INDAGAÇÕES!
Recebo email de uma conterrânea – que não divulgo o seu nome por não ter a devida autorização - demonstrando uma certa preocupação com a minha pessoa em razão de sucessivos artigos de nossa autoria no Blog de Clemildo, sem que seja, do conhecimento da mesma, qual o meu vínculo com a cidade de Pombal. Foram feitas algumas indagações, entre elas: Quem é você? Nasceu em Pombal? Quem é sua família? Por que você nunca aparece na cidade, nem mesmo na Festa do Rosário? Para a autora do email respondi todas as perguntas com detalhes de informações.
Particularmente, considero que o auto-elogio é prejudicial e negativo, torna a pessoa arrogante aos olhos das demais. Cheira mal. Quem me conhece sabe que sempre detestei este tipo de atitude. Isso me enoja, causa-me repugnância. Prefiro a humildade. Em Tiago 4:6 e em I Pedro 5:5 lemos: "Deus dá graça aos humildes". Deus ampara os desamparados e os humildes. Os que se julgam auto-suficiente, não precisam de amparo. Deus dá ajuda em tempo oportuno aos humildes. Os que se julgam poderosos, não precisam de graça. A graça de Deus sempre está ao lado dos espiritualmente fracos e necessitados. Veja o que Jesus disse a respeito disso em Marcos 2:17 e também em Lucas 5:32 "Aos que se julgam perfeitos não precisam de misericórdia".
Reconheço, porém, que embora, no mais íntimo de nosso ser, todos nós tenhamos nosso auto-conceito já formado de acordo com o que fazemos, deixamos de fazer, falamos ou deixamos de falar, com todas as limitações possíveis. Eu, particularmente, prefiro ser avaliado julgado por outras pessoas que estejam em condições para isso, seja no tocante a desempenho no trabalho e a relacionamento pessoal e social.
Mas, aproveitando esta deixa, como estou ausente de Pombal desde o dia 3 de janeiro de 1969, neste artigo quero responder para conhecimento dos leitores as perguntas da nossa conterrânea.
Nasci no dia 5 de dezembro de 1950, na rua Vicente de Paula Leite, quando ainda era chamada de Rua Nova Vida. Meu padrinho de batismo foi “Seu” Toinho de Souza. Somos três irmãos – eu, Massilon e Marcelina. Sou filho de José Firmino de Luna, conhecido por “Alegria da Brasil Oiticica”. A minha mãe – Roza Gonzaga de Luna – era conhecida na cidade por Roza Rica”, apelido que lhe foi dada pelo Padre Luiz Gualberto de Andrade, pois quando alguém assim lhe chamava ela respondia: “Sou rica da glória de Deus”. Foi lavadeira de roupas durante anos nas águas do Rio Piancó, trabalhou como empregada doméstica na casa do deputado Chico Pereira e, depois, foi funcionária ASG do Hospital e Maternidade Sinhá Carneiro, por onde se aposentou.
E mais: sou sobrinho de Antônio Gazo (vendedor de cestas), Carminha Gaza, Dora Rezadeira e de Mané Pinga. Sou primo legítimo de Antônio Pinga e Nego Tico Pinga. Do lado paterno há muitos primos meus ainda aí em Pombal. Do lado materno também há muitos primos, dois deles, muito conhecidos: Zé Barbosa (vigilante do Hospital) e Antônio Barbosa (vigilante do Colégio Diocesano), ambos residindo em João Pessoa.
Estudei na Escola de Dona Almira, na Fazenda Nova Vida, de Paulo Pereira. Depois, na Escola de Dona Anita, em seguida no Grupo Escolar, na Escola de Dona Marinheira e no Ginásio Diocesano. Durante muitos anos fui coroinha, praticamente residindo na Casa Paroquial, com o Mons. Oriel Antônio Fernandes e Côn. Francisco Ferreira de Andrade. Nos anos 60, ao lado de Clemildo Brunet de Sá, Zeilto Trajano, Eurivo Donato, Genival Severo, Gago de Chico, meu irmão Massilon Gonzaga e tantos outros, participei ativamente daquela que foi o embrião do Rádio Pombalense – “A Voz da Cidade”.
Em 1969 fui estudar em Campina Grande e por lá fiquei por 20 anos. Depois, fui convidado para trabalhar em Natal (na TV Ponta Negra/SBT, emissora da qual fui fundador e trabalhei por 14 anos). Constitui família em Natal, onde permaneço até hoje. Quanto a me encontrar afastado de Pombal, não visitando a cidade nem mesmo na Festa do Rosário, isso ocorreu sempre em razão de meus afazeres particulares tanto em Campina Grande, como agora em Natal. Mas, considero ser esta um falha de minha parte.
O importante de tudo que não nego o meu passado, pois assim agindo certo estou de que estaria negando a minha própria existência. Faço sempre questão de dizer: “Nasci e me criei em Pombal, a terra de Ruy e Janduhy Carneiro, Celso Furtado, José Medeiros Vieira, Leandro Gomes de Barros, Raphael Carneiro Arnaud, Jerdivan Nóbrega, Professor Vieira , Dona Cessa, Bibia, Clemildo Brunet de Sá e tantos outros. Isso muito me orgulha”.
*Jornalista, advogado e Professor

HOMENAGEM AOS NAMORADOS

POR CESSA LACERDA FERNANDES*
12 de junho Dia dos Namorados!
Antes de tudo e de todos, homenageio BIBIA, meu eterno namorado com este coração vermelho que tem toda simbologia do AMOR! Este é um dia muito especial e importante. Calendário esperado com muita ansiedade por todos aqueles que se amam. É um dia associado com a troca mútua de recados de amor em forma de objetos simbólicos. Símbolos modernos incluem a silhueta de um coração e a figura de um Cupido asas.
Iniciada no século XIX, a prática de recados manuscritos deu lugar à troca de cartões de felicitação produzidos em massa. Estima-se que, mundo afora, aproximadamente um bilhão de cartões com mensagens românticas são mandados a cada ano, tornando esse dia um dos mais lucrativos do ano. Também se estima que as mulheres comprem aproximadamente 85% de todos os presentes no Brasil. É uma data especial e comemorativa na qual se celebra a união amorosa entre casais sendo comum a troca de cartões e presentes com simbolismo de mesmo intuito, tais como as tradicionais caixas de Bombons no Brasil a data é comemorada no dia 12 de junho, já em Portugal a data é celebrada em seu dia mais tradicional 14 de fevereiro.
A Data provavelmente surgiu no comércio paulista e depois foi assumida por todo o comércio brasileiro para reproduzir o mesmo efeito do Dia de São Valentim, equivalente nos países do hemisfério norte para incentivar a troca de presentes entre os apaixonados. Sabemos também, que toda comemoração tem seu significado: Natal, Dia das Mães, dos Pais etc. Acreditamos que o Dia dos Namoradas tenha sido idealizado pela Mídia, pois tantos sãos os casais que se amam e se preparam para as comemorações deste dia tão importante. Pois há quem diga que este dia dos namorados no Brasil começou como campanha publicitária. Ao contrário de boa parte do mundo que comemora o Dia dos Namorados em 14 de fevereiro, dia de São Vicentino. O Brasil só foi definir uma data há exatamente 60 anos, numa jogada de marketing que se tornou lendária.
Junho era um mês fraco de vendas, um hiato entre o dia das mães e o dia dos pais. Em 1949, o publicitário João Dória, que na época desenvolvia uma campanha publicitária para as hoje finadas Lojas Clipper, fixou-se no santo casamenteiro brasileiro, Santo Antônio. Como se comemora a efeméride do franciscano português em 13 de junho, Dória fixou o dia anterior como motivo para se trocar presentes entre os amantes e ainda colocou um slogan bem bacana: "Não é só de beijos que se prova o amor". A campanha teve a benção da Associação Comercial de São Paulo e, hoje, a data é a terceira mais lucrativa para as lojas - perdendo apenas para duas, o Natal e o dia das mães. As coisas são mais ritualísticas no Japão, onde as mulheres e homens dão presentes em dias diferentes - graças, mais uma vez, à voracidade dos varejistas.
Na década de 60, uma das maiores doceiras japonesas instituiu o 14 de fevereiro para as mulheres darem chocolates aos homens, sem necessariamente serem namorados ou maridos. Sem falar que a popularidade de um indivíduo é medida pela quantidade de chocolates que recebe.
O interessante é ver que cada país celebra o Dia dos Namorados de um jeito. Na Inglaterra, São Valentim virou Jack Valentina e dá doces às crianças. No País de Gales, é Santo Dwynwen que abençoa os amantes em 25 de janeiro. Na Catalunha, ao contrário do resto da Espanha, existe a festividade de São Jorge para esse fim. Na Suécia, assim como o Brasil, o "Dia de Todos os Corações" foi criado por vendedores de flores na década de 60 e é celebrado em 14 de fevereiro. Um mês depois, em 14 de março, foi criado o Dia Branco, onde os homens entregavam os doces às mulheres. A coisa toda tem dois aspectos bizarros.
O primeiro é que é uma obrigação para a mulher oferecer o chocolate aos homens. Sem falar que a popularidade de um indivíduo é medida pela quantidade de chocolates que recebe. Namorado é sinônimo de amor, amor criado por Deus, por isso é um sentimento que não se mistura com nenhum outro.
É um sentimento sublime, uma troca de dois seres que se amam. A palavra amor é explorada por muitos pensadores, cada um a sua maneira de classificar, Já disse Shakespeare que o "Lutar pelo amor é bom, mas o alcançar sem luta é melhor." Quero parabenizar a todos os namorados do mundo, sobretudo os nossos deste sertão romântico e bravio! Aplausos aos namorados pombalenses!
Pombal, 11 de junho de 2009.
*Poetisa e escritora Contato:cessalacerda@yahoo.com.br

COMENTÁRIO SOBRE O TEXTO: CLEMILDO - O PRECURSOR DA COMUNICAÇÃO!

Maciel Gonzaga (Foto)
POR MACIEL GONZAGA*
Dileto conterrâneo Professor Vieira. A respeito do seu oportuno comentário, podemos fazer uma indagação: O que seria da comunicação pombalense sem o nosso Clemildo Brunet de Sá? Tenho plena certeza que a resposta está no artigo do digníssimo Promotor Severino Coelho Viana: “Clemildo Brunet é um ícone da informação de Pombal”. Não há outra definição.
Costumo dizer que ele (Clemildo) é um timoneiro, audacioso, tenaz... Sabedor de que a vida planetária é formada de acontecimentos provocados pelos seres humanos e pela natureza e que a sociedade tem uma história registrada pelos hábitos e posturas dos homens, ainda muito jovem, menino, viu que as ações humanas são conseqüências da formação de cada uma das pessoas, geradas pelas informações e comunicações absorvidas por elas.
Pioneiro, no início da década de 60, o menino Clemildo, em uma pequena cidade encravada no Sertão da Paraíba, sentia que o seu povo tinha a necessidade de registrar os fatos e idéias visualmente, ou seja, de “ler” as informações. Buscou, através da “Voz da Cidade”, primórdio do rádio pombalense, um instrumento de integração, instrução, troca mútua e desenvolvimento entre as pessoas.
Com o passar dos tempos, quando este novo milênio vem exigindo cada vez mais das peculiaridades e capacitações do ser humano, ainda mais jovem (talvez, não mais na idade, mas, sim, nas idéias), Clemildo Brunet permite a nós pombalenses - Verneck Abrantes, Jerdivan Nóbrega, Severino Coelho, Onaldo Queiroga, Cessa Lacerda, Prof. Vieira, Genival Severo e tantos outros, com o seu Blog, a possibilidade da informação ter um alcance e uma repercussão muito maiores. Aqui, temos amplas condições de poder mostrar para todo o mundo, nossas idéias e impressões sobre o cotidiano. Sabe ele muito bem que o ato de comunicar é a materialização do pensamento/sentimento em signos conhecidos pelas partes envolvidas.
Aqui, falo com conhecimento de causa, pois fui seu discípulo. Aprendi com Clemildo, não só ser um comunicador, mas, também, ser homem, ser honesto, ter fibra, ter ética, responsabilidade. Considero-o provedor, descobridor, um empreendedor. Até mesmo em detrimento de sua família, pois afinal, ele tinha um sonho: esclarecer, compartilhar, trocar e fazer a sua terra crescer. Esse é seu maior significado.
Jerdivan Nóbrega bem conceituou que Clemildo “não esperava era que a sua criação se transformasse em sombra de Algarobas da Praça do Centenário, onde os filhos de Pombal se encontram para relembrar os bons tempos da terrinha, homenagear amigos e moradores, contar boas histórias e estórias, mergulhar no rio Piancó, ouvir badalar do Sino da Matriz, por fim, ser feliz...”.
Neste momento, diante de tudo que já se falou sobre o Blog de Clemildo, acredito que a única coisa que podemos fazer é pedir ao Criador do Universo que lhe dê muitos anos de vida, para que ele continue entre nós COMUNICANDO SEMPRE, NÃO CALANDO JAMAIS.
*Jornalista, Advogado e Professor. Natal – RN.

AOS NAMORADOS: COMO ENTENDER O AMOR?

Clemildo (Foto)
CLEMILDO BRUNET*
"O amor não se vê com os olhos mas com o coração" Shakespeare.
Inúmeras são as especulações em torno da palavra amor. Alguns, pelo despeito de não haver dado ou recebido amor diz que o amor não existe. Outros afirmam que, quem tem amor sofre. Enquanto que muitos sabendo que o amor lhes causa sofrimento, ainda amam bastante. Nós seres humanos somos dotados de variantes em nossa vida quando o assunto é amor. O amor não se explica. O amor é sentimento!
A palavra amor tem sua origem no latim. No grego é ágape, Eros, filos; designações para o amor com significados variados. Já na nossa língua a palavra amor tem um só sentido: Predisposição, desejo intenso de querer bem a outra pessoa, animal ou coisa. Sentimento definido nas palavras de Camões: “É um fogo que arde sem se ver”.
O amor mexe com as emoções, provoca e desperta forte atração física. É uma labareda que queima por dentro e faz com que se manifeste tal qual Olavo Bilac expressa em sua veia poética: “O amor me acalma e endoida, o amor me eleva e abate”.
A multiforme do amor é rotulada pelas pessoas com características próprias de suas aparências: Amor fogo de palha – amor passageiro; amor à primeira vista – o que alavanca o entusiasmo de ambos quando cruzam os olhares; amor livre – condenado pela religião e pelo casamento; amor físico – só se satisfaz com relação sexual; amor platônico – o de mil amores. E ainda existe uma compreensão sobre o amor, como zelo e carinho por alguém, ou por qualquer ser vivente; chamado - Objeto do amor.
A temática do amor tem atravessado séculos e foi por muito tempo preocupação de quase todos os filósofos gregos, partindo do princípio da relação entre os seres humanos e a determinação que governa os elementos naturais. Eros – é o amor que tem tudo a ver com a sexualidade. Normalmente compele a pessoa a manter um relacionamento amoroso continuado.
Ágape – o amor sacrifical, tem o significado de altruísmo, generosidade. A dedicação ao outro vem sempre de maneira despretensiosa que o faz abdicar de seus próprios interesses. Filos – o amor virtuoso, lealdade aos amigos, à família, e a comunidade, nele está incluso a virtude, a igualdade e a familiaridade.
O que mais poderíamos dizer sobre o amor? Ai de nós seres humanos se não houvesse esse sentimento. O instinto de alguns varia muito em relação ao amor. Existe aquele que escolhe erroneamente sua maneira de amar e chega a cometer absurdo em nome do amor que confessa; tira a vida da pessoa que ama e se suicida. Este não é, e jamais será em hipótese alguma o verdadeiro amor.
O Amor é dádiva divina, somos capacitados por Deus para amar; a bíblia diz: “Nós amamos porque ele nos amou primeiro” I Jo. 4:19. O apóstolo que escreveu estas palavras nos faz uma séria advertência sobre o procedimento do amor: “Que nos amemos uns aos outros; não segundo Caim, que era do maligno e assassinou a seu irmão; e por que o assassinou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas”. Jo. 3:11,12.
Finalmente o amor é o dom supremo. O caminho sobremodo excelente como diz o apóstolo São Paulo. Sem amor os sonhos são desfeitos e deixam de ser realizados, a vida não é vivida na sua totalidade, nada tem sentido. Só o amor constrói, o amor é tudo. É a raiz que produz fé e esperança, a perfeita consumação do plano de Deus.
“O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece. Não se conduz inconvenientemente, não procura os seus próprios interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; Não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. I Co. 13:4-7.
Namorados! Amem e sintam-se amados. Caminhem juntos. Vivam o amor! Conjuguem o Verbo amar com o poeta J.G. de Araújo Jorge.
Te amei: - era de longe que te olhava e de longes me olhavas vagamente... Ah, quanto coisa nesse tempo a gente sente, que a alma da gente faz escrava...
Te amava: - Como inquieto adolescente, tremendo ao te enlaçar... E te enlaçava Adivinhando esse mistério ardente do mundo, em cada beijo que te dava!
Te amo: - e ao te amar assim vou conjugando os tempos todos desse amor, Enquanto segue a vida, vivendo... e eu, vou te amando...
Te amar é mais que um verbo, é a minha lei: - e é por ti que o repito no meu canto: Te amei, te amava, te amo e te amarei!
SALVE, 12 DE JUNHO DE 2009 - FELIZ DIA DOS NAMORADOS!
*RADIALISTA.

ADEUS, LINDACI

Paulo Abrantes (Foto)
PAULO ABRANTES*
Passado o choque inesperado que eu sofri, com a notícia de sua morte, rememorando, hoje, as coisas da infância vieram-me à lembrança paisagens interessantes de minha amiga Lindaci e, acima de tudo, querida de todos que a conheciam.
Jamais alguém a viu triste, solitária. A sua alegria era constante e espontânea. Residia na rua Cel. José Avelino, numa casa de jardins floridos que ficava defronte a minha casa, a mesma rua que me viu crescer e que era também das famílias de Dona Maria Araújo e Vicente Farias, Dona Chiquinha e Saturnino Santana, Dona Sinhazinha e Santo Pereira, de Neném, Socorro de Misto Bezerra, de Vicente Cassimiro, de Ubaldo Marques, de Sargento Mota, de João Terto, de Queirogas, Bandeiras e de Antonio Medeiros.
Lembro de tardes maravilhosas, quando eu, Carlos Farias, Lourdinha Farias, Igeruiza, Igerusa, e Lindaci, passávamos a ouvir os grandes boleros de Carlos Alberto, no terraço lá de casa. Só parávamos quando Chico do Bazar chegava, ou quando ouvíamos o som do violino de seu Vicente Farias a espalhar-se por toda parte. Toda a vizinhança ficava enlevada e o silêncio ainda mais se fazia sentir. Uma palavra sequer ninguém pronunciava a fim de ouvir o som do instrumento no desempenho de verdadeiro artista.
José Américo de Almeida assim se expressava: “Se eu não puder criar a felicidade, criarei a alegria que é a imagem da felicidade”. Não sei de ninguém que tenha tido o espírito mais alegre e a amiga mais sincera que a sua. Ainda recordo parte da canção sentimental, que ela cantarolava acompanhado do bandolim de seu Vicente: “Sabe Deus, se tu me amas ou me enganas/ E na incerteza seguirei pensando se tu queres tão somente a mim”.
Também relembro o seu noivado com Chicozinho Alves que veio a ser o seu esposo e companheiro até a morte. Quase do seu tamanho, ativo, inteligente, trabalhava no Banco do Brasil, hoje é chefe do setor de Tributação da Prefeitura Municipal de Pombal. Depois de minha saída de Pombal, poucas vezes eu a vi. Ficaram fortemente amigos de minha irmã Ione, cujos laços dessa amizade fincaram raízes em seus filhos: Leonardo e Diego.
Após muitos anos, numa surpresa feliz, deparei-me com ela, aqui numa tarde quente de verão. Conversamos muito sobre a nossa terra, a sua mocidade, os seus familiares. Com o passar dos tempos perdi-a de vista, só obtinha notícias através de Ione.
Segunda-feira tive a notícia do seu falecimento. Naquele momento fechei os olhos e a vi debruçada na parede do jardim perguntando à hora da música para ouvir, rindo do tempo e fumando os seus cigarros.
Hoje, passado tanto tempo, vou ao velório e contemplo aquela imensidão de conterrâneos, interrogo a mim mesmo: onde estará aqui a minha amiga Lindaci? E como não a encontro, resolvo rezar para ela uma daquelas orações que minha mãe me ensinava, quando criança, à hora de dormir.
Adeus, Lindaci.
*Engenheiro Civil, Professor licenciado em Ciências pela UFPB e pós-graduação em Comércio Exterior pela FGV-RJ.

NO TEMPO DO BAR CURINHA

Reminiscências 04
Por Ignácio Tavares*
Quando a família de Curinha veio morar em João Pessoa, o velho amigo preferiu ficar em Pombal, pois a sua paixão por Lea falou mais forte. Esta foi a grande razão que o impediu seguir os passos da família, rumo a capital do Estado. Permaneceu na mesma casa onde a sua família morou por longos anos. Uma casa modesta situada à Rua do Comércio, onde hoje funciona o Bar do Ovo. Foi também neste local que Curinha resolveu se estabelecer no ramo de bebidas e tira-gosto.
Curinha tinha uma legião de amigos que passaram a freqüentar o seu estabelecimento comercial a fim de degustar um bom tira-gosto, regado uma cachacinha ao gosto de cada um. Quando o cliente queria comer os gostosos petiscos sempre ficava atento, pois, o Mestre Cura, com o seu fogão mágico transformava em tira-gosto todo e qualquer ente vivo que lhe caísse às mãos. Sem dúvida o peixe era o atrativo da casa, portanto, sempre estava presente no cardápio de cada dia, assim como agalinha, guiné, entre outros viventes de origem desconhecida.
Os guinés? Como os conseguia, então? Ora, não havia problema. Bem próximo a sua casa, Dona Guiomar tinha uma criação dessa ave, cujo plantel, era mais ou menos em torno de 45 animais. O mestre Cura, os capturava um a um de forma bastante engenhosa. As aves dormiam em dois pés de pinhas que existiam no muro da casa. Na calada da noite Curinha saia com uma vara e cuidadosamente estendia ao alcance dos pés de pinhas. Instintivamente a ave passava do poleiro pra vara. Assim, com certo esmero, o bicho era puxado e quando chegava próximo ao muro, o bote era fatal, pois, a pobre ave não tinha tempo sequer para disparar o seu barulhento alarme. Mesmo assim às vezes faltava tira-gosto.
Numa certa noite, estávamos sentados no alpendre da casa jogando conversa fora e a tomar umas e outras. Éramos eu, Bebé de Antônio Gomes, Chico Sales, João Rapadura, Luiz Camilo, Arnaldo Ugulino, entre outros. No momento o único tira-gosto que existia era limão. Isso, por volta de uma hora da madrugada. Acontece que Bebé saiu pra fazer necessidade fisiológica, no outro lado do postinho, ao lado da Casa de Curinha. De repente apareceu um vulto humano e escondeu alguma coisa no canto do muro. Essa mesma pessoa partiu em direção a casa onde a gente se encontrava. Quando a figura afastou-se Bebé foi ver o que ali estava escondido. Um belo achado; duas galinhas.
Justamente o que estávamos a precisar, naquele momento, para preparar o tira-gosto. Bebé pegou as penosas e entrou pela lateral da casa sem que ninguém o visse. Deixou as galinhas lá na cozinha, foi lá pra fora, onde a gente se encontrava. Para sua surpresa deu de cara com Cícero de Bem-Bem, que, com certeza era o vulto que havia visto. Ou melhor, era o ¨dono¨ das duas galinhas. É importante ressaltar que á especialidade de Cícero era roubar galinhas. Bebé chamou Curinha e falou sobre o achado e de imediato o Mestre Cura recolheu-se a cozinha e começou a preparar o tira-gosto, que, naquele momento estava a nos faltar.
Cícero pegou um copo serviu-se e viu que o tira-gosto era limão. Demorou um pouco e falou: ¨se vocês me pagarem trago já, já, duas penosas pra gente comer aqui¨. Bebé se antecipou e falou: ¨dou-lhe dez cruzeiros pelas duas galinhas¨. Ora, Cícero, lépido e fagueiro, saiu em disparada e ao chegar ao local, qual foi à decepção, pois não encontrou mais as duas galinhas que ali havia postas. Voltou desconfiado e falou: ¨um ladrão safado me roubou¨. Em pouco tempo a galinha em fervura começou a exalar aquele cheiro próprio de guisado. Cícero sacou logo que se tratava das suas galinhas e fez a seguinte proposta: ¨dou vinte cruzeiros se vocês me disserem como foi que conseguiram roubar minhas galinhas¨. Alguém falou: ¨ladrão que rouba ladrão¨..., muitos risos.
Noutra ocasião, nesta não me fiz presente, soube através de amigos, Curinha ofereceu um tira-gosto que agradou a todos que se faziam presentes. O tira-gosto era tão gostoso que derrubaram dois tubos e ninguém ficou bêbado. Passados alguns minutos, João Rapadura perguntou: ¨ Ô Curinha que tira-gosto é esse que nós comemos¨? O mestre Cura ao exibir um leve sorriso, falou: ¨Vocês acabaram de comer o gato de Zulima¨. Arrematou: ¨esse gato infeliz vivia por aqui a me atanazar, levei pra o taxo, transformei-o em tira-gosto¨. Todos se entreolharam, mas já era tarde, até mesmo pra jogar fora bichano que comeram. Ninguém reclamava das artimanhas de Curinha.
O Bar-Curinha continuavaa ser freqüentado, não obstante o freguês, vez por outra, degustar tira-gosto de cobra, preás, camaleões, tejus, cágados, entre outros bichos de identidade desconhecida, sem ao menos saber o que estava a comer. Êta Curinha velho de guerra! O tempo jamais lhe mudará, porisso a sua marca, o seu modo se ser, será sempre o mesmo. Lembra-se que, Eu, Você e João Rapadura formávamos um trio inseparável? E ainda, nos dias apropriados, vivíamos a vagar pelas oiticicas, ingazeiras da beira do rio, a comer peixe assado, pescado por Biró meu cunhado, regado a uma boa pinga? Que saudades velho amigo Cura.
No meu modo de pensar você, com certeza, é um poeta existencialista, que não se revelou, perdido nas quebradas do sertão. Digo isso, afirmo e reafirmo, porque o Mestre Cura sempre ignorou¨etiquetas formais¨ típicas dos códigos protocolares das sociedades burguesas. Nunca o vi cantar qualquer coisa. Se alguma vez cantou, foi muito escondido, isso, talvez, pra conquistar o coração de Lea. Nunca foi de estardalhaços, nem tampouco de riso fácil. Até hoje, quando fala, fala somente o necessário.
O seu modo de enxergar o mundo, seu indiferentismo ao consumismo desvairado, em voga no tempo presente, e ainda; o seu modo de ser amigo nos revela um grande espírito humano travestido de homem simples. Salve o mestre Cura, meu dileto amigo de todas as horas e de todos os tempos. Um forte abraço.
João Pessoa, 08 de Junho de 2009
*Escritor filho da terrinha.